Caso PM Gisele: Fantástico mostra com exclusividade depoimento de tenente-coronel, acusado de ter matado a esposa. Preso preventivamente pela morte da esposa, a soldado da PM Gisele, o tenente-coronel Geraldo Neto usou seu último interrogatório antes da decisão sobre um possível júri popular para apresentar uma versão em que a policial aparece como a parte agressiva do relacionamento. Ao longo de mais de oito horas de audiência, ele negou ter cometido violência contra a mulher, contestou mensagens usadas pela investigação e voltou a sustentar que a morte foi resultado de suicídio. "Transformaram o suicídio em feminicídio. E eu vou nos meus argumentos aqui, eu vou provar que não aconteceu feminicídio, foi suicídio e eu sou inocente", declarou o oficial. Fantástico mostra com exclusividade o depoimento de tenente-coronel acusado de matar esposa 'As pessoas só conheciam a Gisele simpática e sorridente' Ao comentar a resistência de familiares e conhecidos em aceitar a hipótese de suicídio, Geraldo Neto afirmou que a imagem pública de Gisele não correspondia, segundo ele, ao comportamento que ela teria dentro de casa. "Pessoas não acreditam que ela cometeu suicídio porque só conheciam a Gisele simpática e sorridente. Uma vez ela jogou um prato em mim, ela tomou o braço", disse. Na mesma linha, o tenente-coronel alegou que, se a situação fosse inversa, ele seria visto como vítima. "Se existisse a lei aí, vamos dizer assim, fazer uma analogia, que Mário da Penha já seria vítima dessa, já seria vítima e já teria pedido a protetiva", afirmou. A acusação rebate essa narrativa. Segundo o advogado da família de Gisele, o oficial tenta construir uma imagem negativa da policial para se eximir de responsabilidade. "Ele construiu essa narrativa para colocar a Gisele como uma verdadeira vilã e tentar contra a sua vida e ele ser o marido perfeito, o pai perfeito, o padrasto perfeito, o oficial da Polícia Militar perfeito", afirmou. Mensagens e acusações de agressão Durante a audiência, os promotores apresentaram um áudio enviado por Gisele 12 dias antes de sua morte. Na gravação, a policial relata uma suposta agressão sofrida durante uma discussão. "Ontem você enfiou a mão na minha cara, meu Deus", diz a mensagem apresentada pela acusação. Questionado sobre o conteúdo, Geraldo Neto negou a agressão. "Tudo isso é invenção dela, ela criou tudo isso", respondeu. O oficial também afirmou acreditar que a esposa manipulava os celulares do casal para produzir provas contra ele. "Ela pegava meu celular e ficava com os dois celulares na mão. Eu creio que ela mandou essa mensagem do celular dela para mim. Depois apagou do meu celular para eu não saber que ela me mandou essa mensagem", declarou. 'Macho alfa', casamento e separação A audiência também abordou mensagens recuperadas do celular da policial. Em uma delas, Gisele escreveu ao marido: "Se eu soubesse que você iria me tratar dessa forma, posso casar? Eu que não queria casar". Na sequência, foi apresentada uma resposta atribuída ao tenente-coronel: "Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa, com amor, com carinho, com atenção, com autoridade de macho alfa e fêmea obediente e submissa". Mais uma vez, ele negou autoria da mensagem. As investigações também apontam que, nos meses anteriores à morte, Gisele mencionou diversas vezes o desejo de se divorciar. Em audiência, porém, Geraldo Neto afirmou que era ele quem pretendia encerrar a relação. "Eu queria me separar, doutora", disse. Ao ser questionado sobre a vontade da esposa, respondeu: "Não era a vontade dela, ela falava isso da boca para fora". Laudos descartam hipótese de suicídio A tese apresentada pelo tenente-coronel contrasta com as conclusões da perícia. Três laudos produzidos pela Polícia Técnica descartaram a hipótese de suicídio e apontaram que seria impossível que Gisele tivesse efetuado o disparo contra a própria cabeça. Segundo os peritos, a policial foi abordada por trás, imobilizada e atingida por um tiro à queima-roupa. O laudo cita ainda marcas de dedos no queixo da vítima e vestígios de sangue encontrados no banheiro, em uma toalha e na bermuda usada por Geraldo Neto. Cabe agora à Justiça decidir se o oficial responderá à acusação de feminicídio perante um júri popular. Enquanto isso, ele segue preso preventivamente. LEIA TAMBÉM: Árvore de Natal e altura da vítima: veja contradições apontadas por perícia no caso de PM morta Geraldo Neto faz sinal de oração enquanto seu advogado fala Reprodução/Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.
Caso Gisele: tenente-coronel retrata PM como agressiva e nega histórico de violência
Guia Modelo Escrito em 14/10/2026
Caso PM Gisele: Fantástico mostra com exclusividade depoimento de tenente-coronel, acusado de ter matado a esposa. Preso preventivamente pela morte da esposa, a soldado da PM Gisele, o tenente-coronel Geraldo Neto usou seu último interrogatório antes da decisão sobre um possível júri popular para apresentar uma versão em que a policial aparece como a parte agressiva do relacionamento. Ao longo de mais de oito horas de audiência, ele negou ter cometido violência contra a mulher, contestou mensagens usadas pela investigação e voltou a sustentar que a morte foi resultado de suicídio. "Transformaram o suicídio em feminicídio. E eu vou nos meus argumentos aqui, eu vou provar que não aconteceu feminicídio, foi suicídio e eu sou inocente", declarou o oficial. Fantástico mostra com exclusividade o depoimento de tenente-coronel acusado de matar esposa 'As pessoas só conheciam a Gisele simpática e sorridente' Ao comentar a resistência de familiares e conhecidos em aceitar a hipótese de suicídio, Geraldo Neto afirmou que a imagem pública de Gisele não correspondia, segundo ele, ao comportamento que ela teria dentro de casa. "Pessoas não acreditam que ela cometeu suicídio porque só conheciam a Gisele simpática e sorridente. Uma vez ela jogou um prato em mim, ela tomou o braço", disse. Na mesma linha, o tenente-coronel alegou que, se a situação fosse inversa, ele seria visto como vítima. "Se existisse a lei aí, vamos dizer assim, fazer uma analogia, que Mário da Penha já seria vítima dessa, já seria vítima e já teria pedido a protetiva", afirmou. A acusação rebate essa narrativa. Segundo o advogado da família de Gisele, o oficial tenta construir uma imagem negativa da policial para se eximir de responsabilidade. "Ele construiu essa narrativa para colocar a Gisele como uma verdadeira vilã e tentar contra a sua vida e ele ser o marido perfeito, o pai perfeito, o padrasto perfeito, o oficial da Polícia Militar perfeito", afirmou. Mensagens e acusações de agressão Durante a audiência, os promotores apresentaram um áudio enviado por Gisele 12 dias antes de sua morte. Na gravação, a policial relata uma suposta agressão sofrida durante uma discussão. "Ontem você enfiou a mão na minha cara, meu Deus", diz a mensagem apresentada pela acusação. Questionado sobre o conteúdo, Geraldo Neto negou a agressão. "Tudo isso é invenção dela, ela criou tudo isso", respondeu. O oficial também afirmou acreditar que a esposa manipulava os celulares do casal para produzir provas contra ele. "Ela pegava meu celular e ficava com os dois celulares na mão. Eu creio que ela mandou essa mensagem do celular dela para mim. Depois apagou do meu celular para eu não saber que ela me mandou essa mensagem", declarou. 'Macho alfa', casamento e separação A audiência também abordou mensagens recuperadas do celular da policial. Em uma delas, Gisele escreveu ao marido: "Se eu soubesse que você iria me tratar dessa forma, posso casar? Eu que não queria casar". Na sequência, foi apresentada uma resposta atribuída ao tenente-coronel: "Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa, com amor, com carinho, com atenção, com autoridade de macho alfa e fêmea obediente e submissa". Mais uma vez, ele negou autoria da mensagem. As investigações também apontam que, nos meses anteriores à morte, Gisele mencionou diversas vezes o desejo de se divorciar. Em audiência, porém, Geraldo Neto afirmou que era ele quem pretendia encerrar a relação. "Eu queria me separar, doutora", disse. Ao ser questionado sobre a vontade da esposa, respondeu: "Não era a vontade dela, ela falava isso da boca para fora". Laudos descartam hipótese de suicídio A tese apresentada pelo tenente-coronel contrasta com as conclusões da perícia. Três laudos produzidos pela Polícia Técnica descartaram a hipótese de suicídio e apontaram que seria impossível que Gisele tivesse efetuado o disparo contra a própria cabeça. Segundo os peritos, a policial foi abordada por trás, imobilizada e atingida por um tiro à queima-roupa. O laudo cita ainda marcas de dedos no queixo da vítima e vestígios de sangue encontrados no banheiro, em uma toalha e na bermuda usada por Geraldo Neto. Cabe agora à Justiça decidir se o oficial responderá à acusação de feminicídio perante um júri popular. Enquanto isso, ele segue preso preventivamente. LEIA TAMBÉM: Árvore de Natal e altura da vítima: veja contradições apontadas por perícia no caso de PM morta Geraldo Neto faz sinal de oração enquanto seu advogado fala Reprodução/Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.