Morte de paciente em hospital de Vitória é investigada após suspeita de falsificação de prescrição médica

Guia Modelo Escrito em 29/06/2026


Morte de lavrador em hospital em Vitória é investigada A Polícia Civil do Espírito Santo investiga a morte de um paciente de 32 anos ocorrida no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória, após o registro de boletins de ocorrência que apontam indícios de falsificação de uma prescrição médica usada para a administração de sedativos durante a internação. Gilberto Aurich, lavrador e morador de Itaguaçu, no Noroeste do Espírito Santo, morreu em 21 de junho, mais de dois meses após dar entrada na unidade para tratar uma fratura na mandíbula provocada por um acidente de moto. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A suspeita surgiu depois que uma médica procurou a polícia e informou que a prescrição utilizada para administrar medicamentos ao paciente não foi emitida nem assinada por ela. Sua assinatura teria sido falsificada por outro profissional do hospital. A associação gestora do hospital também registrou um Boletim de Ocorrência, através do seu advogado, onde consta a informação de que imagens do circuito interno indicariam que um enfermeiro, identificado pelo g1 como Gerismar Silva Sousa, acessou um consultório sem autorização, utilizou um documento com assinatura supostamente falsificada e aplicou a medicação. O enfermeiro foi procurado por telefone, mas encerrou a ligação e não se manifestou. A Polícia Civil informou apenas que o caso segue sob investigação. O lavrador Gilberto Aurich, de 32 anos, morreu após mais de 2 meses internado em Vitória, Espírito Santo Redes sociais LEIA TAMBÉM: POLÍCIA: Pedaço de linguiça sorteado termina em tiros, tentativa de homicídio e prisão no ES DENÚNCIA DE DEFORMIDADES: Dentista influencer é indiciada pela PC por lesão corporal após procedimento irregular no ES TORTURA E MORTE: Veterinário é condenado e dentista é absolvida por espancar e matar homem em Vila Velha Internação para cirurgia Gilberto sofreu um acidente de moto no dia 4 de abril, em Itaguaçu. Segundo a família, ele caiu depois que o descanso da motocicleta cedeu ao chegar em casa. "Ele chegou aqui em casa, na residência dele, aí a moto escorregou o descanso, ele caiu e teve uma fratura no queixo. Na segunda, ele procurou a dentista em Itaguaçu, aí a dentista tirou um raio-x e falou que estava quebrado o queixo. Tem que procurar um hospital urgente", contou a mãe, Hilda Aurich. O paciente foi encaminhado ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência, onde aguardava cirurgia bucomaxilofacial. Durante a internação, chegou a enviar uma mensagem a um amigo relatando a demora para o procedimento. "Tô quase doido aqui dentro. Sem comida, mandaram fazer uma dieta, mas veio um médico dizer que só vai operar sábado ou domingo", disse Gilberto. Segundo documentos obtidos pelo g1, uma prescrição registra que, no dia 11 de abril, Gilberto recebeu quatro medicamentos: haloperidol, clorpromazina, prometazina e diazepam, com a justificativa de agitação. Polícia investiga suspeita de falsificação de prescrição médica após morte de Gilberto Aurich, 32 anos Reprodução Suspeita de falsificação A médica Paola Morellato Prandi registrou o Boletim de Ocorrência em 20 de abril. Segundo o documento, baseado no relato da profissional, imagens do sistema interno do hospital mostrariam que o enfermeiro entrou na sala da médica, utilizou o login profissional dela para reimprimir uma prescrição médica e, posteriormente, teria falsificado a assinatura no documento. O boletim afirma ainda que a medicação foi administrada com base nessa prescrição. Embora o registro policial não identifique nominalmente o profissional e mencione uma "paciente", no feminino, o segundo boletim registrado dois dias depois pelo advogado da associação gestora do hospital, relaciona o episódio ao caso de Gilberto e identifica o enfermeiro. No documento, o advogado informou que o profissional "não integrava a equipe responsável pelo paciente e encontrava-se lotado em setor diverso", acrescentando que a médica cujo nome aparece na prescrição negou ter atendido Gilberto ou assinado o documento. O registro também afirma que a apuração interna, incluindo imagens das câmeras de segurança, apontaria que o enfermeiro entrou em um consultório sem autorização e saiu do local portando a prescrição, havendo indícios de falsificação documental. O lavrador Gilberto Aurich, 32 anos, morreu após mais de 2 meses internado em Vitória Reprodução O advogado da família, Leandro Sarnaglia, acompanha o caso. "Nós vamos acompanhar o inquérito policial para ficar bem claro, bem delimitado a responsabilidade criminal de cada envolvido neste evento", garantiu. Morte do paciente Gilberto morreu na madrugada de 21 de junho. De acordo com a certidão de óbito, as causas registradas foram tromboembolismo cardiopulmonar, sepse, pneumonia e fratura de mandíbula decorrente de acidente motociclístico. A família afirma que o quadro clínico piorou após a administração dos medicamentos. Essa relação é um dos pontos investigados pela Polícia Civil e não foi confirmada pelas autoridades. "Eu não aceito isso, meu filho foi bem, para voltar dentro de um caixão, eu não aceito isso", disse Hilda. A mãe também relatou o impacto da perda. "Eu choro, não durmo direito, eu não como direito. É muito triste viver assim, porque a gente vivia de porta a porta, ele me ajudava, o que eu precisava ele estava sempre por perto. E é uma dor insuportável quando a mãe perde um filho", lamentou. O que dizem os envolvidos Além do enfermeiro Gerismar Silva Sousa, a médica Paola Morellato Prandi foi procurada durante três dias consecutivos, mas não respondeu aos contatos da reportagem. O advogado Renan Salles, que representa a associação gestora do hospital, informou que assinou um termo de confidencialidade com a Secretaria de Estado da Saúde e, por isso, não pode comentar o caso. A Polícia Civil informou que a investigação está em andamento e não divulgou detalhes. Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE) em Vitória Reprodução/TV Gazeta A direção do Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE) lamenta o óbito do paciente e informa que a investigação do caso segue em curso com a Polícia Civil e os demais órgãos competentes. O Hospital permanece à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos. O Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo informou que instaurou processo administrativo para apurar o caso. O registro profissional do enfermeiro permanece ativo. O Conselho Regional de Medicina informou que abriu uma sindicância. Já o Ministério Público do Espírito Santo disse que aguarda a conclusão do inquérito policial para avaliar quais medidas poderão ser adotadas. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo