Desenvolvimento Infantil: Atraso de fala e hiperfoco, entenda quando buscar ajuda

Guia Modelo Escrito em 10/08/2026


Características como atraso de fala e hiperfoco são frequentemente associadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) e ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). No entanto, a presença desses comportamentos, isoladamente, não significa que a criança tenha algum transtorno. Observar o conjunto de sinais e o desenvolvimento individual é fundamental para saber quando buscar ajuda especializada. Desenvolvimento Infantil - Crédito: Fernando Rodrigues Assessoria/Unimed Cuiabá O desenvolvimento da linguagem acontece gradualmente e cada criança possui seu próprio ritmo. Ainda assim, existem marcos que ajudam a acompanhar esse processo. Até os 6 meses, é esperado que o bebê reaja aos sons, sorria socialmente, vocalize e balbucie. Entre 9 e 12 meses, deve começar a compreender palavras simples, responder ao próprio nome, utilizar gestos e falar as primeiras palavras com significado. Entre 18 e 24 meses, o vocabulário tende a crescer e surgem frases de duas palavras. Aos 3 anos, espera-se que a criança forme frases mais completas e seja compreendida pela maior parte das pessoas. “É importante lembrar que não observamos apenas a fala, mas também a compreensão da linguagem, o uso de gestos, o contato visual, a intenção de se comunicar e a interação social”, explica a fonoaudióloga da Clínica Multidisciplinar da Unimed Cuiabá, Rosana Mara C. Costa Amorim. A especialista ressalta que nem toda criança que demora a falar apresenta um transtorno. Em alguns casos, pode haver apenas um atraso isolado, que evolui bem com estímulos adequados. Por outro lado, sinais como dificuldade para compreender comandos simples, pouca interação social, ausência de gestos comunicativos, dificuldade para brincar de faz de conta, pouco contato visual ou perda de habilidades já adquiridas indicam a necessidade de avaliação especializada. Entre os fatores que podem estar relacionados ao atraso de fala estão alterações auditivas, transtornos específicos do desenvolvimento da linguagem, atraso global do desenvolvimento, alterações neurológicas, dificuldades motoras orais, prematuridade e pouca estimulação do ambiente. O excesso de telas também merece atenção. Segundo Rosana, a criança desenvolve a linguagem principalmente por meio da interação com outras pessoas, durante conversas, brincadeiras, leitura, músicas e experiências compartilhadas. Quando esse contato é substituído por longos períodos diante de celulares, tablets ou televisão, podem ser reduzidas as oportunidades de desenvolver vocabulário, compreensão e habilidades sociais. Outro comportamento que ganhou popularidade, principalmente nas redes sociais, é o chamado “hiperfoco”. A psicóloga e responsável técnica da Clínica Multidisciplinar, Priscila Aguilera, explica que o termo muitas vezes é utilizado de maneira ampla para descrever qualquer grande interesse. Na prática clínica, porém, é comum utilizar expressões como “interesses restritos” ou “interesses intensos”. A diferença está na intensidade e na flexibilidade. Enquanto uma pessoa pode se concentrar em um assunto e mudar de atividade quando necessário, nos interesses intensos a dedicação pode ser profunda e difícil de interromper. “Quando uma pessoa se concentra em algo comum, ela mantém certa flexibilidade mental. Já nos interesses restritos, a entrega é profunda e inflexível. A pessoa fica tão imersa naquele tema que se desliga do ambiente, podendo não responder a chamados ou esquecer de comer”, explica. Embora sejam frequentes em pessoas neurodivergentes, interesses intensos não são exclusivos do autismo ou do TDAH. O que merece atenção é o impacto desse comportamento na rotina, no autocuidado, nos relacionamentos, nos estudos ou no trabalho. O interesse também pode ser utilizado de forma positiva. Na infância, temas preferidos, como dinossauros, carros ou personagens, podem ser incorporados às atividades escolares e terapêuticas para estimular a aprendizagem. Na vida adulta, o conhecimento aprofundado sobre determinado assunto pode contribuir para o desenvolvimento profissional. Para facilitar a transição entre atividades, Priscila recomenda oferecer previsibilidade e evitar interrupções bruscas. Avisar com antecedência que a atividade está chegando ao fim, fazer transições gradativas e respeitar o encerramento de uma etapa podem reduzir o desconforto. “Quando o tema de interesse é bem aproveitado, ele se torna uma potente ferramenta de desenvolvimento”, afirma. Mais importante do que identificar uma característica isolada é observar como ela se manifesta, quais impactos provoca e se existem outros sinais associados. Em caso de dúvidas sobre o desenvolvimento da criança, a orientação é buscar avaliação de profissionais especializados, evitando diagnósticos baseados apenas em comportamentos observados no dia a dia ou em conteúdo das redes sociais. Clínicas Multidisciplinares Unimed Cuiabá É o núcleo da Unimed Cuiabá responsável pela oferta de terapias especiais, referência em Mato Grosso. Nos locais são ofertados tratamentos a todos os níveis de transtornos do neurodesenvolvimento. Agendamento: O atendimento é realizado somente mediante agendamento prévio que pode ser realizado AQUI ou pela Central de Agendamento 3319 3500. Clínica I (Jd Cuiabá) Horário de atendimento: Segunda a sexta-feira, das 7h às 19h Endereço: Rua das Camélias, nº288 lote 10, 11 e 12 - Jardim Cuiabá, Cuiabá/MT Telefone: (65) 3612-8800/ (65) 98147-0036 Clínica II (Porto) Horário de atendimento: Segunda a sexta-feira, das 7h às 19h e aos sábados das 8h às 12h Endereço: Rua Cel. Benedito Leite, nº339 - Centro Sul, Cuiabá/MT Telefone: (65) 3612-8800/ (65) 98126-0329 Clínica III (Coxipó) Horário de atendimento: Segunda a sexta-feira, das 7h às 19h Endereço: Av. Fernando Correa da Costa, Coxipó - Cuiabá/MT Telefone: (65) 3612-8800/ (65) 98401-3759. Profissional responsável: Rosana Mara C. Costa Amorim, fonoaudióloga da Clínica Multidisciplinar da Unimed Cuiabá | CRFa 5-9521-6