Césio-137: Livro de jornalista goiana passa a ser o mais vendido em site O livro Sobreviventes do Césio 137, da jornalista goiana Carla Lacerda, passou a figurar entre os mais vendidos da Amazon após o lançamento de uma série sobre o acidente radiológico em Goiânia. Segundo a autora, a obra ocupa há cerca de 15 dias o primeiro lugar na categoria jornalismo da plataforma. Na Loja Kindle, o livro aparece na 1ª posição em Jornalismo, 3ª em Jornalismo – Guias de Escrita e 268ª em Ciências Sociais e Política. Além da Amazon, o livro também é vendido no site da editora Nega Lilu, que ainda possui unidades físicas disponíveis. A versão digital segue acessível na plataforma, o que também contribuiu para o aumento da procura nos últimos dias. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Pessoas com roupas de proteção são conduzidas durante operação de isolamento após contaminação pelo Césio 137, em Goiânia, em 1987 Acervo/O Popular LEIA TAMBÉM: O que aconteceu com as vítimas do Césio-137? Césio-137: Mãe de Leide das Neves, símbolo do acidente, desabafa após quase 40 anos: 'A gente revive tudo' Césio-137: Conheça história da mulher que evitou que tragédia radioativa em Goiás fosse ainda maior Interesse reacendido O aumento na procura está diretamente ligado ao interesse do público em entender melhor a história real por trás da dramatização. A série reacendeu a memória coletiva sobre o acidente e ampliou a busca por conteúdos que detalham os fatos e suas consequências. Segundo Carla, a produção audiovisual funciona como porta de entrada, mas o público tende a buscar mais profundidade depois. “A dramaturgia causa impacto e depois as pessoas querem os pormenores, querem saber mais, entender o que de fato aconteceu”, afirmou. Crianças observam pela janela área de isolamento após contaminação pelo Césio-137 Acervo/O Popular Ela explica que o livro segue uma linha de reportagem, construída a partir de entrevistas com vítimas e dados documentais. “O meu livro não é ficção, é um livro-reportagem, totalmente baseado na história real”, disse. A jornalista também avalia que, apesar das adaptações naturais de uma obra de ficção, a série cumpre um papel importante ao relembrar o episódio. Para ela, os principais fatos foram retratados e ajudam a contextualizar o que foi o acidente. Carla Lacerda entrevista Odesson Ferreira durante gravação de depoimento sobre o acidente com o Césio-137, em Goiânia Arquivo Pessoal/Carla Lacerda Tragédia que marcou Goiás O acidente com o Césio-137 ocorreu em setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia abandonado foi aberto em um ferro-velho, liberando material radioativo em Goiânia. A contaminação se espalhou rapidamente e resultou na morte de quatro pessoas, além de centenas de atingidos. Na época, mais de 112 mil pessoas passaram por triagem no Estádio Olímpico. Dessas, 249 apresentaram algum nível de contaminação, e parte delas segue em acompanhamento até hoje no Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara). O episódio é considerado o maior acidente radiológico em área urbana do mundo e deixou marcas que permanecem décadas depois, tanto na saúde dos sobreviventes quanto na memória coletiva da cidade. Homem que perdeu o braço após contaminação com césio-137 observa pela janela, em Goiás Acervo/O Popular Relatos e impactos nas vítimas No livro, Carla Lacerda reúne histórias de sobreviventes que mostram como o acidente alterou completamente suas trajetórias de vida. Segundo ela, muitos relatam uma ruptura definitiva entre o antes e o depois de 1987. “Eles dizem que viveram duas vidas em uma só. Tinham uma vida antes e, depois do acidente, perderam saúde, familiares, casa e até memórias”, contou. Além das perdas físicas e emocionais, a autora destaca que o preconceito ainda faz parte da realidade de algumas vítimas. Casos de discriminação foram relatados durante as entrevistas, mesmo após décadas do acidente. Esse cenário, segundo Carla, reforça a importância de manter o tema em evidência. “Falar sobre isso é uma forma de combater o preconceito e evitar que essa história seja esquecida”, afirmou. Carla Lacerda entrevista Lourdes das Neves Ferreira, mãe de Leide das Neves, durante gravação de depoimento sobre o acidente com o Césio-137, em Goiânia Arquivo Pessoal/Carla Lacerda Debate sobre memória e reparação Com a retomada do assunto, a autora acredita que há uma oportunidade de avançar em discussões antigas, como a criação de um memorial em Goiânia em homenagem às vítimas do Césio-137. Ela defende que, mesmo sendo uma tragédia, o episódio precisa ser reconhecido como parte da história da cidade. “Outros lugares que passaram por tragédias criaram memoriais e centros de referência. Aqui ainda falta esse reconhecimento”, disse. Para Carla, manter o tema em debate pode contribuir não apenas para preservar a memória, mas também para garantir que as vítimas não sejam esquecidas ao longo do tempo. Livro Sobreviventes do Césio-137, da jornalista Carla Lacerda, reúne relatos de vítimas do maior acidente radiológico em área urbana do mundo Arquivo Pessoal/Carla Lacerda 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás
Césio-137: Livro de jornalista goiana passa a ser o mais vendido em site
Guia Modelo Escrito em 08/04/2026
Césio-137: Livro de jornalista goiana passa a ser o mais vendido em site O livro Sobreviventes do Césio 137, da jornalista goiana Carla Lacerda, passou a figurar entre os mais vendidos da Amazon após o lançamento de uma série sobre o acidente radiológico em Goiânia. Segundo a autora, a obra ocupa há cerca de 15 dias o primeiro lugar na categoria jornalismo da plataforma. Na Loja Kindle, o livro aparece na 1ª posição em Jornalismo, 3ª em Jornalismo – Guias de Escrita e 268ª em Ciências Sociais e Política. Além da Amazon, o livro também é vendido no site da editora Nega Lilu, que ainda possui unidades físicas disponíveis. A versão digital segue acessível na plataforma, o que também contribuiu para o aumento da procura nos últimos dias. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Pessoas com roupas de proteção são conduzidas durante operação de isolamento após contaminação pelo Césio 137, em Goiânia, em 1987 Acervo/O Popular LEIA TAMBÉM: O que aconteceu com as vítimas do Césio-137? Césio-137: Mãe de Leide das Neves, símbolo do acidente, desabafa após quase 40 anos: 'A gente revive tudo' Césio-137: Conheça história da mulher que evitou que tragédia radioativa em Goiás fosse ainda maior Interesse reacendido O aumento na procura está diretamente ligado ao interesse do público em entender melhor a história real por trás da dramatização. A série reacendeu a memória coletiva sobre o acidente e ampliou a busca por conteúdos que detalham os fatos e suas consequências. Segundo Carla, a produção audiovisual funciona como porta de entrada, mas o público tende a buscar mais profundidade depois. “A dramaturgia causa impacto e depois as pessoas querem os pormenores, querem saber mais, entender o que de fato aconteceu”, afirmou. Crianças observam pela janela área de isolamento após contaminação pelo Césio-137 Acervo/O Popular Ela explica que o livro segue uma linha de reportagem, construída a partir de entrevistas com vítimas e dados documentais. “O meu livro não é ficção, é um livro-reportagem, totalmente baseado na história real”, disse. A jornalista também avalia que, apesar das adaptações naturais de uma obra de ficção, a série cumpre um papel importante ao relembrar o episódio. Para ela, os principais fatos foram retratados e ajudam a contextualizar o que foi o acidente. Carla Lacerda entrevista Odesson Ferreira durante gravação de depoimento sobre o acidente com o Césio-137, em Goiânia Arquivo Pessoal/Carla Lacerda Tragédia que marcou Goiás O acidente com o Césio-137 ocorreu em setembro de 1987, quando um aparelho de radioterapia abandonado foi aberto em um ferro-velho, liberando material radioativo em Goiânia. A contaminação se espalhou rapidamente e resultou na morte de quatro pessoas, além de centenas de atingidos. Na época, mais de 112 mil pessoas passaram por triagem no Estádio Olímpico. Dessas, 249 apresentaram algum nível de contaminação, e parte delas segue em acompanhamento até hoje no Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara). O episódio é considerado o maior acidente radiológico em área urbana do mundo e deixou marcas que permanecem décadas depois, tanto na saúde dos sobreviventes quanto na memória coletiva da cidade. Homem que perdeu o braço após contaminação com césio-137 observa pela janela, em Goiás Acervo/O Popular Relatos e impactos nas vítimas No livro, Carla Lacerda reúne histórias de sobreviventes que mostram como o acidente alterou completamente suas trajetórias de vida. Segundo ela, muitos relatam uma ruptura definitiva entre o antes e o depois de 1987. “Eles dizem que viveram duas vidas em uma só. Tinham uma vida antes e, depois do acidente, perderam saúde, familiares, casa e até memórias”, contou. Além das perdas físicas e emocionais, a autora destaca que o preconceito ainda faz parte da realidade de algumas vítimas. Casos de discriminação foram relatados durante as entrevistas, mesmo após décadas do acidente. Esse cenário, segundo Carla, reforça a importância de manter o tema em evidência. “Falar sobre isso é uma forma de combater o preconceito e evitar que essa história seja esquecida”, afirmou. Carla Lacerda entrevista Lourdes das Neves Ferreira, mãe de Leide das Neves, durante gravação de depoimento sobre o acidente com o Césio-137, em Goiânia Arquivo Pessoal/Carla Lacerda Debate sobre memória e reparação Com a retomada do assunto, a autora acredita que há uma oportunidade de avançar em discussões antigas, como a criação de um memorial em Goiânia em homenagem às vítimas do Césio-137. Ela defende que, mesmo sendo uma tragédia, o episódio precisa ser reconhecido como parte da história da cidade. “Outros lugares que passaram por tragédias criaram memoriais e centros de referência. Aqui ainda falta esse reconhecimento”, disse. Para Carla, manter o tema em debate pode contribuir não apenas para preservar a memória, mas também para garantir que as vítimas não sejam esquecidas ao longo do tempo. Livro Sobreviventes do Césio-137, da jornalista Carla Lacerda, reúne relatos de vítimas do maior acidente radiológico em área urbana do mundo Arquivo Pessoal/Carla Lacerda 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás