Imagem de arquivo - Câncer de mama. Reprodução/TV Globo As cidades do Vale do Paraíba registraram 330 mortes por câncer de mama em 2025. O número representa um salto de mais de 20% na comparação com 2024 e é o maior índice de óbitos pela doença já contabilizado pelas autoridades de saúde na região nos últimos 30 anos. O levantamento foi feito pelo g1 com dados do Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Desde o início da série histórica, em 1996, as 39 cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte acumulam 5.440 mortes por câncer de mama, segundo o levantamento. O balanço dos últimos 30 anos mostra que São José dos Campos concentra o maior número de registros no período, com 1.510 óbitos, seguida por Taubaté, com 856, e Jacareí, com 515. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O levantamento também mostra uma tendência de crescimento nos últimos anos. Em 2020, a região registrou 240 mortes por câncer de mama. O número ficou praticamente estável em 2021, com 237 óbitos, mas subiu para 288 em 2022. Agora no g1 Depois de uma redução para 266 em 2023, os registros voltaram a aumentar em 2024, quando chegaram a 274 no Vale. Em 2025, houve o recorde com 330 mortes. O balanço parcial de 2026 aponta 185 mortes pela doença até agora. O avanço das mortes contrasta com o potencial de tratamento da doença: embora seja o tipo de câncer que mais mata mulheres em todo o mundo, as chances de cura podem chegar a cerca de 95% quando há detecção precoce, segundo o Ministério da Saúde. Na prática, porém, mais de 50% dos diagnósticos no país ainda ocorrem já nos níveis 3 ou 4 da doença, estágios considerados avançados, aponta o Panorama da Atenção ao Câncer de Mama, divulgado no início deste mês pelo Observatório de Oncologia. O levantamento também revelou que, pelo segundo ano consecutivo, o Brasil teve queda na quantidade de mamografias realizadas. Os dados preocupam os especialistas e acendem um sinal de atenção para o futuro: o Instituto Nacional de Câncer (INCA), órgão auxiliar do Ministério da Saúde, estima que entre 2026 e 2028 mais de 78 mil novos casos de câncer de mama devem ser registrados no Brasil. Mamografia Foto: Divulgação Diagnóstico precoce Cirurgião oncológico no Hospital Regional de Taubaté, o médico Flávio Salgado explica que aguardar sinais visíveis ou palpáveis no corpo reduz as margens de sucesso do tratamento. "O ideal é descobrir a doença em tamanho muito pequeno, com menos de um centímetro, em uma mulher sem sintoma nenhum. Se a paciente já notou o nódulo, se vazou líquido pelo mamilo ou se a pele sofreu um abaulamento, isso já denota um tumor em grau intermediário. Tem tratamento, mas esse atraso cobra um preço depois, com cirurgias maiores e processos mais longos", afirmou o especialista. Segundo o médico, outro erro frequente nos consultórios é deixar de fazer o exame preventivo por não possuir parentes que tiveram a doença. "De cada 100 mulheres que tratamos, cerca de 15 trazem uma história familiar importante e podem ter relação genética, mas 85% não têm. Muitas dizem que não vão fazer mamografia porque ninguém na família teve, mas sempre existe o primeiro caso", alertou Salgado. Para reverter o cenário de diagnósticos tardios e queda nas mamografias na região, o g1 destaca os cuidados essenciais que toda mulher deve adotar, confira: Mamografia a partir dos 40 anos: Mulheres a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas ou histórico na família, têm direito garantido pelo Ministério da Saúde para solicitar o exame de mamografia anualmente nas unidades básicas de saúde. Quem possui casos de câncer na família deve procurar orientação médica para iniciar o rastreamento mais cedo. Atenção aos sinais clínicos: Além de nódulos ou caroços (com ou sem dor), procure um médico imediatamente caso note saliências ou retração na pele da mama, mudança no formato de um seio em relação ao outro, saída de líquido pelo mamilo, inversão do mamilo (como se algo o puxasse para dentro) ou ínguas (gânglios inchados) na axila. Insista no seu direito: Caso sinta alguma alteração no toque ou encontre resistência para a solicitação do exame preventivo, busque uma segunda opinião médica. Casa Gesto Para quem já está enfrentando a doença, uma opção para ter apoio é a Casa Gesto, uma entidade social sem fins lucrativos que presta assistência psicológica e social a pacientes adultos com diagnóstico de câncer. Fundada em agosto de 1997 pelo Dr. Flávio Salgado com apoio da comunidade e de empresas locais, a Casa Gesto fica a um quarteirão do Hospital Regional de Taubaté e oferece suporte gratuito a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O local atende uma média de 25 a 40 pessoas por dia, de segunda a sexta-feira, recebendo moradores de municípios como Cruzeiro, Lorena, Guaratinguetá, Areias, São José do Barreiro e Lagoinha. *Estagiário colaborou sob supervisão de Alice Aires. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina
Com 330 óbitos, Vale do Paraíba registra recorde de mortes por câncer de mama em 2025
Guia Modelo Escrito em 17/10/2026
Imagem de arquivo - Câncer de mama. Reprodução/TV Globo As cidades do Vale do Paraíba registraram 330 mortes por câncer de mama em 2025. O número representa um salto de mais de 20% na comparação com 2024 e é o maior índice de óbitos pela doença já contabilizado pelas autoridades de saúde na região nos últimos 30 anos. O levantamento foi feito pelo g1 com dados do Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Desde o início da série histórica, em 1996, as 39 cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte acumulam 5.440 mortes por câncer de mama, segundo o levantamento. O balanço dos últimos 30 anos mostra que São José dos Campos concentra o maior número de registros no período, com 1.510 óbitos, seguida por Taubaté, com 856, e Jacareí, com 515. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O levantamento também mostra uma tendência de crescimento nos últimos anos. Em 2020, a região registrou 240 mortes por câncer de mama. O número ficou praticamente estável em 2021, com 237 óbitos, mas subiu para 288 em 2022. Agora no g1 Depois de uma redução para 266 em 2023, os registros voltaram a aumentar em 2024, quando chegaram a 274 no Vale. Em 2025, houve o recorde com 330 mortes. O balanço parcial de 2026 aponta 185 mortes pela doença até agora. O avanço das mortes contrasta com o potencial de tratamento da doença: embora seja o tipo de câncer que mais mata mulheres em todo o mundo, as chances de cura podem chegar a cerca de 95% quando há detecção precoce, segundo o Ministério da Saúde. Na prática, porém, mais de 50% dos diagnósticos no país ainda ocorrem já nos níveis 3 ou 4 da doença, estágios considerados avançados, aponta o Panorama da Atenção ao Câncer de Mama, divulgado no início deste mês pelo Observatório de Oncologia. O levantamento também revelou que, pelo segundo ano consecutivo, o Brasil teve queda na quantidade de mamografias realizadas. Os dados preocupam os especialistas e acendem um sinal de atenção para o futuro: o Instituto Nacional de Câncer (INCA), órgão auxiliar do Ministério da Saúde, estima que entre 2026 e 2028 mais de 78 mil novos casos de câncer de mama devem ser registrados no Brasil. Mamografia Foto: Divulgação Diagnóstico precoce Cirurgião oncológico no Hospital Regional de Taubaté, o médico Flávio Salgado explica que aguardar sinais visíveis ou palpáveis no corpo reduz as margens de sucesso do tratamento. "O ideal é descobrir a doença em tamanho muito pequeno, com menos de um centímetro, em uma mulher sem sintoma nenhum. Se a paciente já notou o nódulo, se vazou líquido pelo mamilo ou se a pele sofreu um abaulamento, isso já denota um tumor em grau intermediário. Tem tratamento, mas esse atraso cobra um preço depois, com cirurgias maiores e processos mais longos", afirmou o especialista. Segundo o médico, outro erro frequente nos consultórios é deixar de fazer o exame preventivo por não possuir parentes que tiveram a doença. "De cada 100 mulheres que tratamos, cerca de 15 trazem uma história familiar importante e podem ter relação genética, mas 85% não têm. Muitas dizem que não vão fazer mamografia porque ninguém na família teve, mas sempre existe o primeiro caso", alertou Salgado. Para reverter o cenário de diagnósticos tardios e queda nas mamografias na região, o g1 destaca os cuidados essenciais que toda mulher deve adotar, confira: Mamografia a partir dos 40 anos: Mulheres a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas ou histórico na família, têm direito garantido pelo Ministério da Saúde para solicitar o exame de mamografia anualmente nas unidades básicas de saúde. Quem possui casos de câncer na família deve procurar orientação médica para iniciar o rastreamento mais cedo. Atenção aos sinais clínicos: Além de nódulos ou caroços (com ou sem dor), procure um médico imediatamente caso note saliências ou retração na pele da mama, mudança no formato de um seio em relação ao outro, saída de líquido pelo mamilo, inversão do mamilo (como se algo o puxasse para dentro) ou ínguas (gânglios inchados) na axila. Insista no seu direito: Caso sinta alguma alteração no toque ou encontre resistência para a solicitação do exame preventivo, busque uma segunda opinião médica. Casa Gesto Para quem já está enfrentando a doença, uma opção para ter apoio é a Casa Gesto, uma entidade social sem fins lucrativos que presta assistência psicológica e social a pacientes adultos com diagnóstico de câncer. Fundada em agosto de 1997 pelo Dr. Flávio Salgado com apoio da comunidade e de empresas locais, a Casa Gesto fica a um quarteirão do Hospital Regional de Taubaté e oferece suporte gratuito a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O local atende uma média de 25 a 40 pessoas por dia, de segunda a sexta-feira, recebendo moradores de municípios como Cruzeiro, Lorena, Guaratinguetá, Areias, São José do Barreiro e Lagoinha. *Estagiário colaborou sob supervisão de Alice Aires. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina