Cresce temor de que possível ataque dos EUA ao Irã desencadeie uma guerra no Oriente Médio Estados Unidos e Irã vivem uma escalada de tensões em meio a negociações para limitar o programa nuclear iraniano. Na quinta-feira (19), o presidente Donald Trump voltou a ameaçar um ataque e afirmou que “coisas muito ruins” vão acontecer com o Irã se um acordo não for fechado. Nesta sexta (20), ele confirmou que está considerando atacar o país. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: A crise ganhou força em janeiro, quando Trump ameaçou atacar o Irã após a repressão a manifestantes que protestavam contra o governo. Com o enfraquecimento dos atos, o presidente norte-americano passou a focar no programa nuclear iraniano. Os EUA querem que o Irã limite ou encerre o programa de enriquecimento de urânio; O Irã afirma que a iniciativa tem fins pacíficos, mas a Casa Branca acusa o país de tentar desenvolver uma arma nuclear; Segundo a imprensa americana, os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio do país a grupos armados no Oriente Médio; O Irã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e afirma estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim de sanções; Duas rodadas de conversas ocorreram nas últimas semanas: uma em Omã, no início do mês, e outra em Genebra, na terça-feira (17). Os EUA afirmam que houve pequenos avanços. Mesmo com as negociações em andamento, EUA e Irã passaram a trocar ameaças militares. Em janeiro, Trump ordenou o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio. Segundo o presidente, o objetivo era monitorar Teerã “de perto”. Nas últimas semanas, os EUA enviaram um segundo porta-aviões para a região. O USS Gerald R. Ford, que havia auxiliado na operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, deixou o Caribe com destino ao Oriente Médio. As forças enviadas se somaram a navios de guerra e às bases militares já mantidas pelos EUA na região. Ao todo, os norte-americanos controlam ao menos 10 bases em países vizinhos ao Irã e mantêm tropas em outras nove. 👉 Veja no infográfico a seguir onde ficam as embarcações e em quais locais há soldados norte-americanos. Infográfico mostra como os Estados Unidos cercaram o Irã com movimentação de aparatos militares no Oriente Médio. Dhara Pereira/Arte g1 Primeiro envio A movimentação dos EUA no Oriente Médio ganhou força após Trump determinar o envio do USS Abraham Lincoln para a região. Antes, o porta-aviões participava de manobras no Mar do Sul da China. Além da embarcação, caças e sistemas de defesa aérea também foram deslocados. O porta-aviões já atuou no Oriente Médio em outras ocasiões, como na guerra do Afeganistão, após os atentados de 2001. Também serviu de apoio às forças americanas em uma operação contra o grupo rebelde Houthi, em 2024. A embarcação pode levar até 5.500 tripulantes e é equipada com lançadores de mísseis e metralhadoras. Segundo a Marinha, o USS Abraham Lincoln é um “aeroporto flutuante” e pode lançar até quatro aviões por minuto. O porta-aviões abriga vários esquadrões, incluindo caças F-35 Lightning II e F/A-18 Super Hornet, e tem capacidade para transportar até 90 aeronaves, entre aviões e helicópteros. A força-tarefa inclui ainda outros três navios de guerra: USS Spruance, USS Frank E. Petersen Jr. e USS Michael Murphy. 👉 Veja a seguir detalhes do USS Abraham Lincoln. Conheça o USS Abraham Lincoln, porta-aviões dos EUA Gui Sousa/Arte g1 Maior do mundo A pressão aumentou sobre o Irã aumentou em fevereiro. Fotos de satélite registraram movimentações em bases militares mantidas pelos EUA no Oriente Médio, com reforço aéreo e posicionamento de mísseis. Ao mesmo tempo, os EUA decidiram enviar um segundo porta-aviões para o Oriente Médio. Trump escolheu o USS Gerald Ford, o maior do mundo, que participava de uma operação contra o tráfico internacional de drogas no Caribe. Incorporado à Marinha em 2017, o porta-aviões tem capacidade para transportar até 90 aeronaves, entre caças e helicópteros. A pista para pousos e decolagens tem área equivalente ao triplo do gramado do Maracanã. O grupo de ataque inclui esquadrões de caças F-18, helicópteros militares e três destróieres: USS Mahan, USS Bainbridge e USS Winston Churchill. 👉 Veja a seguir detalhes do USS Gerald Ford. Conheça o USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo e o mais avançado da Marinha dos Estados Unidos. Gui Sousa/Arte g1 Possibilidade de ataque Uma reportagem publicada pelo jornal The Wall Street Journal na quinta (19) afirmou que Trump avalia autorizar um ataque limitado contra o Irã para forçar o país a fechar um acordo. A operação poderia ocorrer nos próximos dias, segundo fontes com conhecimento do assunto. De acordo com o jornal, a ideia de uma ofensiva menor seria evitar um confronto amplo e reduzir o risco de retaliação significativa de Teerã. A Casa Branca estuda atingir alvos militares ou governamentais iranianos. Um ataque limitado também poderia pressionar o Irã a aceitar um tratado mais favorável aos EUA, segundo o WSJ. Trump também autorizar ações adicionais, também limitadas, para ampliar a pressão. O jornal afirmou ainda que, se o Irã mantiver resistência nas negociações, os EUA poderão iniciar uma campanha de maior escala, com ataques mais amplos e o objetivo de derrubar o governo do aiatolá Ali Khamenei. Segundo a CBS News, as Forças Armadas dos EUA já estão prontas para lançar um ataque no sábado (21). O Pentágono deve transferir funcionários americanos no Oriente Médio para outras regiões por segurança. Já o jornal The New York Times afirmou que Israel está em estado de alerta máximo há semanas e intensificou os preparativos para uma possível guerra. Ainda na quinta-feira, durante a primeira reunião do “Conselho da Paz”, Trump disse que há “boas conversas” com o Irã para “fazer um acordo significativo”. No entanto, ele afirmou que deve decidir o que fazer “em cerca de 10 dias”. "Agora é a hora do Irã se juntar a nós em um caminho para paz. O Irã precisa fazer um acordo ou coisas ruins acontecerão", declarou. O porta-aviões USS Abraham Lincoln transitando pelo Estreito de Ormuz em 2019 Zachary Pearson/U.S. Navy via AP VÍDEOS: mais assistidos do g1
INFOGRÁFICO: como os EUA foram além das ameaças e cercaram o Irã no Oriente Médio
Guia Modelo Escrito em 20/02/2026
Cresce temor de que possível ataque dos EUA ao Irã desencadeie uma guerra no Oriente Médio Estados Unidos e Irã vivem uma escalada de tensões em meio a negociações para limitar o programa nuclear iraniano. Na quinta-feira (19), o presidente Donald Trump voltou a ameaçar um ataque e afirmou que “coisas muito ruins” vão acontecer com o Irã se um acordo não for fechado. Nesta sexta (20), ele confirmou que está considerando atacar o país. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: A crise ganhou força em janeiro, quando Trump ameaçou atacar o Irã após a repressão a manifestantes que protestavam contra o governo. Com o enfraquecimento dos atos, o presidente norte-americano passou a focar no programa nuclear iraniano. Os EUA querem que o Irã limite ou encerre o programa de enriquecimento de urânio; O Irã afirma que a iniciativa tem fins pacíficos, mas a Casa Branca acusa o país de tentar desenvolver uma arma nuclear; Segundo a imprensa americana, os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio do país a grupos armados no Oriente Médio; O Irã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e afirma estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim de sanções; Duas rodadas de conversas ocorreram nas últimas semanas: uma em Omã, no início do mês, e outra em Genebra, na terça-feira (17). Os EUA afirmam que houve pequenos avanços. Mesmo com as negociações em andamento, EUA e Irã passaram a trocar ameaças militares. Em janeiro, Trump ordenou o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio. Segundo o presidente, o objetivo era monitorar Teerã “de perto”. Nas últimas semanas, os EUA enviaram um segundo porta-aviões para a região. O USS Gerald R. Ford, que havia auxiliado na operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, deixou o Caribe com destino ao Oriente Médio. As forças enviadas se somaram a navios de guerra e às bases militares já mantidas pelos EUA na região. Ao todo, os norte-americanos controlam ao menos 10 bases em países vizinhos ao Irã e mantêm tropas em outras nove. 👉 Veja no infográfico a seguir onde ficam as embarcações e em quais locais há soldados norte-americanos. Infográfico mostra como os Estados Unidos cercaram o Irã com movimentação de aparatos militares no Oriente Médio. Dhara Pereira/Arte g1 Primeiro envio A movimentação dos EUA no Oriente Médio ganhou força após Trump determinar o envio do USS Abraham Lincoln para a região. Antes, o porta-aviões participava de manobras no Mar do Sul da China. Além da embarcação, caças e sistemas de defesa aérea também foram deslocados. O porta-aviões já atuou no Oriente Médio em outras ocasiões, como na guerra do Afeganistão, após os atentados de 2001. Também serviu de apoio às forças americanas em uma operação contra o grupo rebelde Houthi, em 2024. A embarcação pode levar até 5.500 tripulantes e é equipada com lançadores de mísseis e metralhadoras. Segundo a Marinha, o USS Abraham Lincoln é um “aeroporto flutuante” e pode lançar até quatro aviões por minuto. O porta-aviões abriga vários esquadrões, incluindo caças F-35 Lightning II e F/A-18 Super Hornet, e tem capacidade para transportar até 90 aeronaves, entre aviões e helicópteros. A força-tarefa inclui ainda outros três navios de guerra: USS Spruance, USS Frank E. Petersen Jr. e USS Michael Murphy. 👉 Veja a seguir detalhes do USS Abraham Lincoln. Conheça o USS Abraham Lincoln, porta-aviões dos EUA Gui Sousa/Arte g1 Maior do mundo A pressão aumentou sobre o Irã aumentou em fevereiro. Fotos de satélite registraram movimentações em bases militares mantidas pelos EUA no Oriente Médio, com reforço aéreo e posicionamento de mísseis. Ao mesmo tempo, os EUA decidiram enviar um segundo porta-aviões para o Oriente Médio. Trump escolheu o USS Gerald Ford, o maior do mundo, que participava de uma operação contra o tráfico internacional de drogas no Caribe. Incorporado à Marinha em 2017, o porta-aviões tem capacidade para transportar até 90 aeronaves, entre caças e helicópteros. A pista para pousos e decolagens tem área equivalente ao triplo do gramado do Maracanã. O grupo de ataque inclui esquadrões de caças F-18, helicópteros militares e três destróieres: USS Mahan, USS Bainbridge e USS Winston Churchill. 👉 Veja a seguir detalhes do USS Gerald Ford. Conheça o USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo e o mais avançado da Marinha dos Estados Unidos. Gui Sousa/Arte g1 Possibilidade de ataque Uma reportagem publicada pelo jornal The Wall Street Journal na quinta (19) afirmou que Trump avalia autorizar um ataque limitado contra o Irã para forçar o país a fechar um acordo. A operação poderia ocorrer nos próximos dias, segundo fontes com conhecimento do assunto. De acordo com o jornal, a ideia de uma ofensiva menor seria evitar um confronto amplo e reduzir o risco de retaliação significativa de Teerã. A Casa Branca estuda atingir alvos militares ou governamentais iranianos. Um ataque limitado também poderia pressionar o Irã a aceitar um tratado mais favorável aos EUA, segundo o WSJ. Trump também autorizar ações adicionais, também limitadas, para ampliar a pressão. O jornal afirmou ainda que, se o Irã mantiver resistência nas negociações, os EUA poderão iniciar uma campanha de maior escala, com ataques mais amplos e o objetivo de derrubar o governo do aiatolá Ali Khamenei. Segundo a CBS News, as Forças Armadas dos EUA já estão prontas para lançar um ataque no sábado (21). O Pentágono deve transferir funcionários americanos no Oriente Médio para outras regiões por segurança. Já o jornal The New York Times afirmou que Israel está em estado de alerta máximo há semanas e intensificou os preparativos para uma possível guerra. Ainda na quinta-feira, durante a primeira reunião do “Conselho da Paz”, Trump disse que há “boas conversas” com o Irã para “fazer um acordo significativo”. No entanto, ele afirmou que deve decidir o que fazer “em cerca de 10 dias”. "Agora é a hora do Irã se juntar a nós em um caminho para paz. O Irã precisa fazer um acordo ou coisas ruins acontecerão", declarou. O porta-aviões USS Abraham Lincoln transitando pelo Estreito de Ormuz em 2019 Zachary Pearson/U.S. Navy via AP VÍDEOS: mais assistidos do g1