Relatório do Cimi aponta alta de conflitos e assassinatos no Maranhão O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou o relatório anual sobre a violência contra os povos indígenas no Brasil em 2025. Os dados apontam que, no país, foram registrados 169 conflitos por direitos territoriais, envolvendo 143 terras indígenas em 23 estados. No Maranhão, as disputas por território passaram de 6 para 8 casos, enquanto os assassinatos passaram de 6 para 7. Além disso, foram mapeadas 11 violações envolvendo o povo Gavião. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp No Maranhão, os problemas estão relacionados principalmente às disputas por terra, às invasões, ao desmatamento e à exploração ilegal de recursos naturais. A demora na demarcação dos territórios também é apontada no relatório. De acordo com a coordenadora adjunta do Cimi, Rosana de Jesus Diniz, a violência contra o patrimônio indígena está diretamente relacionada à exploração dos recursos naturais existentes nos territórios, como florestas, minérios e fontes de água. “Essa violência contra o patrimônio tem a ver diretamente com a exploração, nos territórios indígenas, dos bens naturais da floresta, do minério e das fontes de água. Outro elemento que contribui para essas violências está relacionado à aprovação de leis no Congresso, leis que flexibilizam ou tentam fazer retroceder direitos indígenas e leis ambientais que também fragilizam a proteção desses bens”, afirmou Rosana de Jesus Diniz. Segundo o documento, quem denuncia invasões e outros crimes também pode se tornar alvo de ameaças. Uma das lideranças ouvidas pela reportagem pertence ao povo Gavião, da Aldeia Governador, e está sob proteção do governo federal. Ela relatou que drones sobrevoam a região durante a noite e afirmou que a situação provoca insegurança entre os moradores da comunidade. “A gente está se sentindo pressionado. Às vezes, eles jogam drone à noite, e as crianças veem uma estrela pensando que é drone. Então, as crianças ficam assustadas e os idosos também. A gente não sabe quem está fazendo isso ou se estão jogando veneno via drone durante a noite para causar algum problema de saúde”, relatou a liderança. Em 2025, segundo o Cimi, foram registrados 258 assassinatos de indígenas no país e mais de 1.000 mortes de crianças de até 4 anos. No Maranhão, foram registradas 68 mortes nessa faixa etária, 11 a mais do que em 2024. A coordenadora adjunta do Cimi explicou que a falta de acesso à água limpa e potável é um dos fatores que contribuem para a mortalidade infantil nas aldeias. “Esses números sobre a mortalidade das crianças têm a ver com a questão do acesso à água limpa e potável nos territórios indígenas”, afirmou Rosana de Jesus Diniz. As lideranças cobram mais proteção e agilidade na demarcação das terras indígenas. Na área jurídica, o Cimi acompanha questões relacionadas ao marco temporal, ao licenciamento ambiental e à mineração em terras indígenas. O assessor jurídico do Cimi, Gabriel Serra, afirmou que a mineração e o licenciamento ambiental de fazendas em áreas onde há sobreposição de propriedades particulares com territórios indígenas podem provocar a expulsão dos povos de áreas tradicionalmente ocupadas. “Há mineração hoje em territórios do Maranhão e em territórios do Brasil onde os povos são expulsos dos seus locais de uso tradicional. Além disso, há o licenciamento ambiental de fazendas em territórios onde ainda existe a sobreposição da propriedade particular com o território indígena. Então, os indígenas são expulsos das suas áreas de moradia e de sobrevivência”, explicou Gabriel Serra. Segundo o assessor jurídico, o relatório também evidencia o aumento das mortes e dos conflitos territoriais registrados em 2025. O que dizem as autoridades? Relatório do Cimi aponta aumento de conflitos territoriais e assassinatos de indígenas no Maranhão em 2025 Reprodução/ TV Mirante Em nota, o Governo do Maranhão informou que atua na proteção da Terra Indígena Governador, com a implantação de guaritas e a inclusão de indígenas em um programa de proteção. Sobre os conflitos, a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) informou que investiga os registros e confirmou a prisão recente de um suspeito de homicídio em Amarante. A Secretaria de Estado da Educação informou que atende 11.000 alunos em escolas indígenas no Maranhão. O g1 entrou em contato com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para pedir um posicionamento, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Relatório do Cimi aponta aumento de conflitos territoriais e assassinatos de indígenas no Maranhão em 2025
Guia Modelo Escrito em 14/08/2026
Relatório do Cimi aponta alta de conflitos e assassinatos no Maranhão O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou o relatório anual sobre a violência contra os povos indígenas no Brasil em 2025. Os dados apontam que, no país, foram registrados 169 conflitos por direitos territoriais, envolvendo 143 terras indígenas em 23 estados. No Maranhão, as disputas por território passaram de 6 para 8 casos, enquanto os assassinatos passaram de 6 para 7. Além disso, foram mapeadas 11 violações envolvendo o povo Gavião. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp No Maranhão, os problemas estão relacionados principalmente às disputas por terra, às invasões, ao desmatamento e à exploração ilegal de recursos naturais. A demora na demarcação dos territórios também é apontada no relatório. De acordo com a coordenadora adjunta do Cimi, Rosana de Jesus Diniz, a violência contra o patrimônio indígena está diretamente relacionada à exploração dos recursos naturais existentes nos territórios, como florestas, minérios e fontes de água. “Essa violência contra o patrimônio tem a ver diretamente com a exploração, nos territórios indígenas, dos bens naturais da floresta, do minério e das fontes de água. Outro elemento que contribui para essas violências está relacionado à aprovação de leis no Congresso, leis que flexibilizam ou tentam fazer retroceder direitos indígenas e leis ambientais que também fragilizam a proteção desses bens”, afirmou Rosana de Jesus Diniz. Segundo o documento, quem denuncia invasões e outros crimes também pode se tornar alvo de ameaças. Uma das lideranças ouvidas pela reportagem pertence ao povo Gavião, da Aldeia Governador, e está sob proteção do governo federal. Ela relatou que drones sobrevoam a região durante a noite e afirmou que a situação provoca insegurança entre os moradores da comunidade. “A gente está se sentindo pressionado. Às vezes, eles jogam drone à noite, e as crianças veem uma estrela pensando que é drone. Então, as crianças ficam assustadas e os idosos também. A gente não sabe quem está fazendo isso ou se estão jogando veneno via drone durante a noite para causar algum problema de saúde”, relatou a liderança. Em 2025, segundo o Cimi, foram registrados 258 assassinatos de indígenas no país e mais de 1.000 mortes de crianças de até 4 anos. No Maranhão, foram registradas 68 mortes nessa faixa etária, 11 a mais do que em 2024. A coordenadora adjunta do Cimi explicou que a falta de acesso à água limpa e potável é um dos fatores que contribuem para a mortalidade infantil nas aldeias. “Esses números sobre a mortalidade das crianças têm a ver com a questão do acesso à água limpa e potável nos territórios indígenas”, afirmou Rosana de Jesus Diniz. As lideranças cobram mais proteção e agilidade na demarcação das terras indígenas. Na área jurídica, o Cimi acompanha questões relacionadas ao marco temporal, ao licenciamento ambiental e à mineração em terras indígenas. O assessor jurídico do Cimi, Gabriel Serra, afirmou que a mineração e o licenciamento ambiental de fazendas em áreas onde há sobreposição de propriedades particulares com territórios indígenas podem provocar a expulsão dos povos de áreas tradicionalmente ocupadas. “Há mineração hoje em territórios do Maranhão e em territórios do Brasil onde os povos são expulsos dos seus locais de uso tradicional. Além disso, há o licenciamento ambiental de fazendas em territórios onde ainda existe a sobreposição da propriedade particular com o território indígena. Então, os indígenas são expulsos das suas áreas de moradia e de sobrevivência”, explicou Gabriel Serra. Segundo o assessor jurídico, o relatório também evidencia o aumento das mortes e dos conflitos territoriais registrados em 2025. O que dizem as autoridades? Relatório do Cimi aponta aumento de conflitos territoriais e assassinatos de indígenas no Maranhão em 2025 Reprodução/ TV Mirante Em nota, o Governo do Maranhão informou que atua na proteção da Terra Indígena Governador, com a implantação de guaritas e a inclusão de indígenas em um programa de proteção. Sobre os conflitos, a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) informou que investiga os registros e confirmou a prisão recente de um suspeito de homicídio em Amarante. A Secretaria de Estado da Educação informou que atende 11.000 alunos em escolas indígenas no Maranhão. O g1 entrou em contato com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para pedir um posicionamento, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.