Imigração e inteligência artificial serão decisivos na eleição para o Congresso dos EUA No terceiro episódio da série especial sobre a eleição para o Congresso americano, o Jornal Nacional viajou até o Texas. Lá os nossos correspondentes mostram que dois assuntos têm mobilizado o eleitor: a imigração e a inteligência artificial. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Era um domingo especial na Igreja Presbiteriana de Austin, no Texas. Dia da Comunhão Mundial. Igrejas do mundo todo celebravam as diferentes culturas unidas pela fé. O pastor explicou para as crianças: "Todos esses panos de cores diferentes nos ajudam a lembrar das pessoas do mundo inteiro que também fazem parte da família de Jesus". Viver mundos diferentes. É assim que a Daisy se sente morando na fronteira com o México. Em Brownsville, todo mundo é meio americano, meio mexicano. "Somos uma comunidade muito única. Fomos criados com o inglês na escola e o espanhol em casa. O resultado é que falamos o 'spanglish'", conta Daisy. Mas esses dois mundos já estiveram mais próximos. "Esse muro é o símbolo de uma das principais bandeiras de campanha do presidente americano, Donald Trump: o combate à imigração ilegal. O número de travessias aqui na fronteira até caiu, mas as operações do ICE, a polícia de imigração em grandes cidades, geraram uma sensação, na maioria dos americanos, de que o governo foi longe demais", diz o correspondente Nilson Klava. "Minha filha chegou em casa da escola perguntando o que era o ICE, se eles podem levar a gente. Eu respondi: 'A gente não, mas outros parentes sim'", conta Daisy. A Daisy tem cidadania americana. Mas muitos latinos que estão há anos nos Estados Unidos, não. Hoje, entre latinos com situação regular e irregular, são 70 milhões vivendo no país - 1/5 da população americana. Os que podem votar formam um grupo fundamental em uma eleição. E na última, muitos votaram em Donald Trump. "Ele deu muitos estímulos econômicos no primeiro governo. Naquela época, ele fazia comentários anti-imigração, mas nunca tomou nenhuma ação concreta. Isso foi neste governo. E agora, sim, nos sentimos vigiados demais, com medo, sem voz", afirma Daisy. JN vai ao Texas para mostrar como a imigração e a inteligência artificial têm mobilizado o eleitor americano Jornal Nacional/ Reprodução As abordagens violentas do ICE miraram especialmente cidades e estados governados pelo Partido Democrata, de oposição. A reação veio na forma de protestos. Nos confrontos, os agentes mataram a tiros dois cidadãos americanos na cidade de Minneapolis. "Eu estive lá em janeiro. O medo da população era tão grande que a nossa equipe chegou a ser confundida com agentes do ICE", conta Nilson Klava. A desaprovação apareceu nas pesquisas e não só entre eleitores da oposição. Até entre republicanos mais tradicionais que votaram em Trump. O correspondente Nilson Klava encontrou dois deles em um bar na cidade de Corpus Christi, no Texas. "A gente tem muitos imigrantes ilegais do México. Muitos deles são trabalhadores, contribuem com a sociedade. Criminoso é alguém que comete um crime violento, que faz assaltos. Se são imigrantes, devem ser deportados. Mas deportar imigrantes trabalhadores, acho que é um erro", afirma um homem. "Precisamos de um meio-termo. Nossos políticos parecem não saber mais negociar. Tudo que fazem é se agarrar a uma posição com força e não ceder", diz outro. O bar do Milton se chama Política. E tem um outro tema sendo muito discutido nesse balcão: a chegada dos data centers. Aqueles centros gigantes que processam dados das empresas de tecnologia, essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial. O Texas é o segundo estado com maior número deles. "É uma indústria tão nova que ainda não entendemos como ela vai nos afetar", diz um homem. "Se um data center vai trazer mais empregos, ótimo. Mas qual é o impacto negativo?", pergunta outro. Imigração e a inteligência artificial têm mobilizado o eleitor americano Jornal Nacional/ Reprodução O canteiro de obras que simbolizava desenvolvimento, investimento e empregos para a região passou a incomodar os vizinhos. É o caso da Letícia, que mora há 30 anos em Castroville. "Eles vieram para cá e agora eu estou com o ar poluído, é um barulho constante, o chão fica tremendo e vai que o meu terreno cede? Eu não entendo como eles podem achar que as poucas coisas boas que estão fazendo pela cidade estão nos ajudando", diz Letícia. Ela também se preocupa com o aumento na conta de luz. "Me dizem: apague as luzes, economize energia, e aí trazem um data center que vai consumir mais energia do que a cidade inteira?", questiona Letícia. Mas a própria família está dividida. "Meus filhos me disseram que isso vai ajudar a cidade a crescer", conta Letícia. Diante da polêmica, políticos que defendiam os centros de dados mudaram o tom, preocupados com as urnas. O governador do Texas é um deles. No Texas, um estado tradicionalmente republicano, um candidato democrata voltou a ter chances de ser eleito para o Senado depois de 38 anos. É mais um daqueles estados divididos, que podem tirar de Trump a maioria no Congresso e colocar o poder do presidente americano à prova. Mas lá, a divisão é vista de outra perspectiva. "Dá para ser cristão e pensar de várias formas diferentes", afirma o pastor Jack. Na igreja do pastor Jack, acolher todas as formas de diferença é mais importante do que as divisões do Texas. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Jornal Nacional viaja por estados que serão decisivos na eleição do novo Congresso americano Democratas querem aproveitar desgaste de Trump para conseguir maioria na Câmara e no Senado Eleições de meio de mandato nos EUA: quando serão as midterms?
‘Poder à Prova’: JN vai ao Texas para mostrar como a imigração e a inteligência artificial têm mobilizado o eleitor americano
Guia Modelo Escrito em 31/10/2026
Imigração e inteligência artificial serão decisivos na eleição para o Congresso dos EUA No terceiro episódio da série especial sobre a eleição para o Congresso americano, o Jornal Nacional viajou até o Texas. Lá os nossos correspondentes mostram que dois assuntos têm mobilizado o eleitor: a imigração e a inteligência artificial. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Era um domingo especial na Igreja Presbiteriana de Austin, no Texas. Dia da Comunhão Mundial. Igrejas do mundo todo celebravam as diferentes culturas unidas pela fé. O pastor explicou para as crianças: "Todos esses panos de cores diferentes nos ajudam a lembrar das pessoas do mundo inteiro que também fazem parte da família de Jesus". Viver mundos diferentes. É assim que a Daisy se sente morando na fronteira com o México. Em Brownsville, todo mundo é meio americano, meio mexicano. "Somos uma comunidade muito única. Fomos criados com o inglês na escola e o espanhol em casa. O resultado é que falamos o 'spanglish'", conta Daisy. Mas esses dois mundos já estiveram mais próximos. "Esse muro é o símbolo de uma das principais bandeiras de campanha do presidente americano, Donald Trump: o combate à imigração ilegal. O número de travessias aqui na fronteira até caiu, mas as operações do ICE, a polícia de imigração em grandes cidades, geraram uma sensação, na maioria dos americanos, de que o governo foi longe demais", diz o correspondente Nilson Klava. "Minha filha chegou em casa da escola perguntando o que era o ICE, se eles podem levar a gente. Eu respondi: 'A gente não, mas outros parentes sim'", conta Daisy. A Daisy tem cidadania americana. Mas muitos latinos que estão há anos nos Estados Unidos, não. Hoje, entre latinos com situação regular e irregular, são 70 milhões vivendo no país - 1/5 da população americana. Os que podem votar formam um grupo fundamental em uma eleição. E na última, muitos votaram em Donald Trump. "Ele deu muitos estímulos econômicos no primeiro governo. Naquela época, ele fazia comentários anti-imigração, mas nunca tomou nenhuma ação concreta. Isso foi neste governo. E agora, sim, nos sentimos vigiados demais, com medo, sem voz", afirma Daisy. JN vai ao Texas para mostrar como a imigração e a inteligência artificial têm mobilizado o eleitor americano Jornal Nacional/ Reprodução As abordagens violentas do ICE miraram especialmente cidades e estados governados pelo Partido Democrata, de oposição. A reação veio na forma de protestos. Nos confrontos, os agentes mataram a tiros dois cidadãos americanos na cidade de Minneapolis. "Eu estive lá em janeiro. O medo da população era tão grande que a nossa equipe chegou a ser confundida com agentes do ICE", conta Nilson Klava. A desaprovação apareceu nas pesquisas e não só entre eleitores da oposição. Até entre republicanos mais tradicionais que votaram em Trump. O correspondente Nilson Klava encontrou dois deles em um bar na cidade de Corpus Christi, no Texas. "A gente tem muitos imigrantes ilegais do México. Muitos deles são trabalhadores, contribuem com a sociedade. Criminoso é alguém que comete um crime violento, que faz assaltos. Se são imigrantes, devem ser deportados. Mas deportar imigrantes trabalhadores, acho que é um erro", afirma um homem. "Precisamos de um meio-termo. Nossos políticos parecem não saber mais negociar. Tudo que fazem é se agarrar a uma posição com força e não ceder", diz outro. O bar do Milton se chama Política. E tem um outro tema sendo muito discutido nesse balcão: a chegada dos data centers. Aqueles centros gigantes que processam dados das empresas de tecnologia, essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial. O Texas é o segundo estado com maior número deles. "É uma indústria tão nova que ainda não entendemos como ela vai nos afetar", diz um homem. "Se um data center vai trazer mais empregos, ótimo. Mas qual é o impacto negativo?", pergunta outro. Imigração e a inteligência artificial têm mobilizado o eleitor americano Jornal Nacional/ Reprodução O canteiro de obras que simbolizava desenvolvimento, investimento e empregos para a região passou a incomodar os vizinhos. É o caso da Letícia, que mora há 30 anos em Castroville. "Eles vieram para cá e agora eu estou com o ar poluído, é um barulho constante, o chão fica tremendo e vai que o meu terreno cede? Eu não entendo como eles podem achar que as poucas coisas boas que estão fazendo pela cidade estão nos ajudando", diz Letícia. Ela também se preocupa com o aumento na conta de luz. "Me dizem: apague as luzes, economize energia, e aí trazem um data center que vai consumir mais energia do que a cidade inteira?", questiona Letícia. Mas a própria família está dividida. "Meus filhos me disseram que isso vai ajudar a cidade a crescer", conta Letícia. Diante da polêmica, políticos que defendiam os centros de dados mudaram o tom, preocupados com as urnas. O governador do Texas é um deles. No Texas, um estado tradicionalmente republicano, um candidato democrata voltou a ter chances de ser eleito para o Senado depois de 38 anos. É mais um daqueles estados divididos, que podem tirar de Trump a maioria no Congresso e colocar o poder do presidente americano à prova. Mas lá, a divisão é vista de outra perspectiva. "Dá para ser cristão e pensar de várias formas diferentes", afirma o pastor Jack. Na igreja do pastor Jack, acolher todas as formas de diferença é mais importante do que as divisões do Texas. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Jornal Nacional viaja por estados que serão decisivos na eleição do novo Congresso americano Democratas querem aproveitar desgaste de Trump para conseguir maioria na Câmara e no Senado Eleições de meio de mandato nos EUA: quando serão as midterms?