Ciro Gomes e Elmano de Freitas lideram a disputa pelo Governo do Ceará nas eleições 2026 Thiago Gadelha/SVM Neste domingo (4), 6.998.494 eleitores cearenses são chamados às urnas para escolher o próximo governador do Ceará. A eleição deste ano no estado tem um clima de segundo turno antecipado: as pesquisas eleitorais têm mostrado um cenário acirrado entre Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT), sem maior espaço para os outros concorrentes. Os dois realizaram uma campanha marcada por discussões sobre segurança pública, saúde e geração de empregos, na qual frequentemente os nomes de Lula e Bolsonaro foram invocados — seja para elogios, seja para críticas. ➡️ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp As temáticas se repetiram nos diversos debates realizados no Ceará: foram sete com os candidatos a governador, dos quais Ciro e Elmano compareceram a seis. O último foi realizado na terça-feira (29) pela TV Verdes Mares. Ciro e Elmano, inclusive, foram os únicos candidatos convidados em seis dos sete debates realizados no estado. Para o cientista político Clayton Monte, as duas candidaturas concentraram a atenção e devem concentrar também as intenções de voto porque se mostraram as mais competitivas. Agora no g1 “O nome do governo, tentando a reeleição, Elmano de Freitas, com um grande arco de alianças, com o apoio do governo federal, com o apoio de quase 180 prefeituras, com o apoio da maior parte dos deputados. E uma frente também poderosa de oposição, com a presença de partidos de destaque nacional e, claro, com o nome competitivo, que é do ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes”, avalia. Elmano concorre na eleição com uma ampla coligação — a maior entre os candidatos a governador no Brasil —, formada por treze partidos do centro à esquerda. Ele lançou uma campanha baseada no alinhamento com o governo federal e aliança com o presidente Lula (PT) e nos bons resultados em outras áreas, como educação. Elmano de Freitas e Ciro Gomes em atos de campanha pelas ruas. Fabiane de Paula/Thiago Gadelha/SVM Ciro, por sua vez, formou uma coligação que, ao todo, reúne sete partidos, que vão do centro à direita, incluindo o PL. Ao longo da campanha, ele focou as críticas na segurança pública - tema que mais preocupa os cearenses -, na gestão da saúde pública e no que chamou de “desindustrialização” do estado. Desde o início e até o fim, a campanha de Elmano usou a aliança de Ciro com o PL para associá-lo ao bolsonarismo, enquanto a campanha de Ciro evitou entrar em questões nacionais, redirecionando o debate para questões locais. Mariana Dionísio, doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), destaca que a campanha, de modo geral, girou em torno da manutenção ou não do grupo político no poder, iniciado em 2006 por Cid Gomes (PSB) e hoje representado por Elmano. A disputa aqui no Ceará acabou se estruturando em torno de uma polarização clara entre os discursos de continuidade e ruptura. Elmano se apoiou em indicadores, entregas do governo, obras e políticas já executadas, combinados com propostas para um segundo mandato, enquanto Ciro permaneceu fazendo duras críticas à gestão atual, com discurso de uma promessa de ruptura em segurança, que é o ponto mais vulnerável da campanha de Elmano A campanha também foi marcada pelo embate judicial em torno da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, cujo apoio era pleiteado pela coligação de Elmano, mas terminou na coligação de Ciro. Os líderes dos partidos que compõem a federação optaram pelo petista, enquanto a liderança da federação fechou apoio ao tucano – a briga chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com as últimas movimentações ocorrendo ainda a quatro dias da eleição. Segurança em primeiro A segurança pública foi o grande tema da campanha eleitoral no Ceará, conforme os dois cientistas políticos ouvidos pelo g1. Nas pesquisas Quaest contratadas pela TV Verdes Mares, 54% dos eleitores cearenses disseram ser esta sua maior preocupação. Ciro usou boa parte do tempo para destacar os altos índices de homicídio que o estado registrava até pouco e prometeu uma nova abordagem na segurança pública, com reforço no setor de inteligência policial e aumento na presença de delegados nos municípios. Em seu material de campanha, Elmano tentou destacar a recente redução nos índices de violência no Ceará e prometeu fortes investimentos na área, com contratação de novos policiais, construção de presídios e um novo modelo de enfrentamento às organizações criminosas nas comunidades. “A centralidade da segurança foi legítima porque a população realmente tem sentido os efeitos da insegurança e da dominação por um poder paralelo. O crescimento da violência é sentido diretamente, lidera as pesquisas de opinião, e é natural que os candidatos disputem essa pauta”, pondera Mariana Dionísio. A cientista política, no entanto, destacou que a centralidade na segurança ocorreu ao custo da discussão de outros temas, que ficaram em segundo plano, como saúde, educação, emprego e infraestrutura. "Esses assuntos apareceram, mas em geral como contraponto de gestão, não como debate de política pública”, avalia. Lula x Bolsonaro Lula visitou o Ceará quatro vezes de julho a setembro de 2026, incluindo eventos de campanha de Elmano de Freitas. Thiago Gadelha/SVM Ao longo de sua campanha, Elmano citou diversas as benesses de ter um governador do mesmo partido do presidente da República. A aliança com Lula foi um dos motes de campanha de Elmano. O presidente veio ao Ceará quatro vezes entre julho e setembro. Sua imagem é uma constante no material de campanha do governador candidato à reeleição. Em mais um esforço de nacionalização do pleito estadual, a campanha petista passou a veicular diversas peças em que associa Ciro a Bolsonaro. A situação foi levada à Justiça Eleitoral, que chegou a condenar a campanha petista à perda de tempo de propaganda. Apesar de ter o apoio do PL no Ceará, ao longo da campanha, Ciro não utilizou a imagem de qualquer Bolsonaro, seja Flávio ou Jair, e tampouco declarou apoio ao candidato do PL na disputa presidencial. Flávio esteve em Fortaleza uma vez na campanha, mas os dois não tiveram nenhum compromisso juntos. Ciro Gomes não utilizou imagens de Flávio ou Jair Bolsonaro durante campanha política. Fabiane de Paula/ SVM. Ciro, inclusive, citou Lula em algumas de suas propagandas oficiais, destacando o período em que foi ministro da Integração Nacional de Lula e presidente da Transnordestina, no governo Dilma. Em outra frente, ele declarou diversas vezes acreditar que um governador deve ser independente e saber trabalhar com qualquer presidente. O cientista político Cleyton Monte acredita que a estratégia petista surtiu alguns efeitos, uma vez que nas últimas pesquisas Elmano alcançou empate técnico com Ciro, após um início de campanha em que o tucano aparecia com vantagem numérica. “Grande parte do eleitorado cearense apoia o presidente Lula. Então, a grande estratégia do Ciro Gomes foi buscar focar nas demandas do Estado e, como ele mesmo disse, deixar as articulações nacionais para os candidatos a presidente. Então, ele tentou o máximo possível se afastar dessa polêmica da nacionalização da campanha, mas eu acho que, sim, a nacionalização da campanha ficou forte aqui no Ceará”, diz o pesquisador. Clima de segundo turno e campanha ‘silenciosa’ As pesquisas Quaest e Datafolha para governador, divulgadas em 23 e 25 de setembro, mostram Elmano e Ciro empatados tecnicamente, os dois com mais de 40% das intenções de voto. Ao longo da campanha, nenhum outro candidato ultrapassou sequer 5% das intenções votos. O acirramento entre o petista e o tucano trouxe à disputa estadual ares de segundo turno antecipado, com a expectativa da eleição ser decidida ainda no primeiro turno. "O cenário mais provável, pelos dados disponíveis das pesquisas de intenção de voto divulgadas até aqui, é de disputa muito próxima do limite, e qualquer projeção exige cautela”, pondera Mariana Dionísio, cientista política. “Sempre há o fator do que pode ocorrer na véspera, e tudo pode acontecer. Além disso, o cálculo dos votos válidos exclui brancos e nulos, e como a decisão se dá nessa conta, o comportamento de indecisos e de abstenções, que não é contabilizado pelas pesquisas, pode deslocar o resultado por margens pequenas”, afirma. Cleyton Monte acredita que há grande possibilidade da eleição no Ceará ser decidida já no primeiro turno, uma vez que “nenhum outro candidato conseguiu crescer”, mas destacou que é difícil medir o humor dos eleitores devido ao que chamou de ‘campanha silenciosa’. “O que significa uma campanha silenciosa? Grande parte da população não embarcou na questão de adesivos para carro, de bandeiras, principalmente devido ao clima de polarização política. E as consequências até de atos de violência em decorrência disso. E, por isso, é muito difícil, até quando a gente tem campanhas mais silenciosas, é muito difícil até o trabalho dos institutos de pesquisa. Então, é um clima muito imprevisível, não tem como cravar”, conclui. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
Campanha para governo do Ceará foi centrada em dois candidatos e dominada por segurança pública
Guia Modelo Escrito em 03/10/2026
Ciro Gomes e Elmano de Freitas lideram a disputa pelo Governo do Ceará nas eleições 2026 Thiago Gadelha/SVM Neste domingo (4), 6.998.494 eleitores cearenses são chamados às urnas para escolher o próximo governador do Ceará. A eleição deste ano no estado tem um clima de segundo turno antecipado: as pesquisas eleitorais têm mostrado um cenário acirrado entre Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT), sem maior espaço para os outros concorrentes. Os dois realizaram uma campanha marcada por discussões sobre segurança pública, saúde e geração de empregos, na qual frequentemente os nomes de Lula e Bolsonaro foram invocados — seja para elogios, seja para críticas. ➡️ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp As temáticas se repetiram nos diversos debates realizados no Ceará: foram sete com os candidatos a governador, dos quais Ciro e Elmano compareceram a seis. O último foi realizado na terça-feira (29) pela TV Verdes Mares. Ciro e Elmano, inclusive, foram os únicos candidatos convidados em seis dos sete debates realizados no estado. Para o cientista político Clayton Monte, as duas candidaturas concentraram a atenção e devem concentrar também as intenções de voto porque se mostraram as mais competitivas. Agora no g1 “O nome do governo, tentando a reeleição, Elmano de Freitas, com um grande arco de alianças, com o apoio do governo federal, com o apoio de quase 180 prefeituras, com o apoio da maior parte dos deputados. E uma frente também poderosa de oposição, com a presença de partidos de destaque nacional e, claro, com o nome competitivo, que é do ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes”, avalia. Elmano concorre na eleição com uma ampla coligação — a maior entre os candidatos a governador no Brasil —, formada por treze partidos do centro à esquerda. Ele lançou uma campanha baseada no alinhamento com o governo federal e aliança com o presidente Lula (PT) e nos bons resultados em outras áreas, como educação. Elmano de Freitas e Ciro Gomes em atos de campanha pelas ruas. Fabiane de Paula/Thiago Gadelha/SVM Ciro, por sua vez, formou uma coligação que, ao todo, reúne sete partidos, que vão do centro à direita, incluindo o PL. Ao longo da campanha, ele focou as críticas na segurança pública - tema que mais preocupa os cearenses -, na gestão da saúde pública e no que chamou de “desindustrialização” do estado. Desde o início e até o fim, a campanha de Elmano usou a aliança de Ciro com o PL para associá-lo ao bolsonarismo, enquanto a campanha de Ciro evitou entrar em questões nacionais, redirecionando o debate para questões locais. Mariana Dionísio, doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), destaca que a campanha, de modo geral, girou em torno da manutenção ou não do grupo político no poder, iniciado em 2006 por Cid Gomes (PSB) e hoje representado por Elmano. A disputa aqui no Ceará acabou se estruturando em torno de uma polarização clara entre os discursos de continuidade e ruptura. Elmano se apoiou em indicadores, entregas do governo, obras e políticas já executadas, combinados com propostas para um segundo mandato, enquanto Ciro permaneceu fazendo duras críticas à gestão atual, com discurso de uma promessa de ruptura em segurança, que é o ponto mais vulnerável da campanha de Elmano A campanha também foi marcada pelo embate judicial em torno da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, cujo apoio era pleiteado pela coligação de Elmano, mas terminou na coligação de Ciro. Os líderes dos partidos que compõem a federação optaram pelo petista, enquanto a liderança da federação fechou apoio ao tucano – a briga chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com as últimas movimentações ocorrendo ainda a quatro dias da eleição. Segurança em primeiro A segurança pública foi o grande tema da campanha eleitoral no Ceará, conforme os dois cientistas políticos ouvidos pelo g1. Nas pesquisas Quaest contratadas pela TV Verdes Mares, 54% dos eleitores cearenses disseram ser esta sua maior preocupação. Ciro usou boa parte do tempo para destacar os altos índices de homicídio que o estado registrava até pouco e prometeu uma nova abordagem na segurança pública, com reforço no setor de inteligência policial e aumento na presença de delegados nos municípios. Em seu material de campanha, Elmano tentou destacar a recente redução nos índices de violência no Ceará e prometeu fortes investimentos na área, com contratação de novos policiais, construção de presídios e um novo modelo de enfrentamento às organizações criminosas nas comunidades. “A centralidade da segurança foi legítima porque a população realmente tem sentido os efeitos da insegurança e da dominação por um poder paralelo. O crescimento da violência é sentido diretamente, lidera as pesquisas de opinião, e é natural que os candidatos disputem essa pauta”, pondera Mariana Dionísio. A cientista política, no entanto, destacou que a centralidade na segurança ocorreu ao custo da discussão de outros temas, que ficaram em segundo plano, como saúde, educação, emprego e infraestrutura. "Esses assuntos apareceram, mas em geral como contraponto de gestão, não como debate de política pública”, avalia. Lula x Bolsonaro Lula visitou o Ceará quatro vezes de julho a setembro de 2026, incluindo eventos de campanha de Elmano de Freitas. Thiago Gadelha/SVM Ao longo de sua campanha, Elmano citou diversas as benesses de ter um governador do mesmo partido do presidente da República. A aliança com Lula foi um dos motes de campanha de Elmano. O presidente veio ao Ceará quatro vezes entre julho e setembro. Sua imagem é uma constante no material de campanha do governador candidato à reeleição. Em mais um esforço de nacionalização do pleito estadual, a campanha petista passou a veicular diversas peças em que associa Ciro a Bolsonaro. A situação foi levada à Justiça Eleitoral, que chegou a condenar a campanha petista à perda de tempo de propaganda. Apesar de ter o apoio do PL no Ceará, ao longo da campanha, Ciro não utilizou a imagem de qualquer Bolsonaro, seja Flávio ou Jair, e tampouco declarou apoio ao candidato do PL na disputa presidencial. Flávio esteve em Fortaleza uma vez na campanha, mas os dois não tiveram nenhum compromisso juntos. Ciro Gomes não utilizou imagens de Flávio ou Jair Bolsonaro durante campanha política. Fabiane de Paula/ SVM. Ciro, inclusive, citou Lula em algumas de suas propagandas oficiais, destacando o período em que foi ministro da Integração Nacional de Lula e presidente da Transnordestina, no governo Dilma. Em outra frente, ele declarou diversas vezes acreditar que um governador deve ser independente e saber trabalhar com qualquer presidente. O cientista político Cleyton Monte acredita que a estratégia petista surtiu alguns efeitos, uma vez que nas últimas pesquisas Elmano alcançou empate técnico com Ciro, após um início de campanha em que o tucano aparecia com vantagem numérica. “Grande parte do eleitorado cearense apoia o presidente Lula. Então, a grande estratégia do Ciro Gomes foi buscar focar nas demandas do Estado e, como ele mesmo disse, deixar as articulações nacionais para os candidatos a presidente. Então, ele tentou o máximo possível se afastar dessa polêmica da nacionalização da campanha, mas eu acho que, sim, a nacionalização da campanha ficou forte aqui no Ceará”, diz o pesquisador. Clima de segundo turno e campanha ‘silenciosa’ As pesquisas Quaest e Datafolha para governador, divulgadas em 23 e 25 de setembro, mostram Elmano e Ciro empatados tecnicamente, os dois com mais de 40% das intenções de voto. Ao longo da campanha, nenhum outro candidato ultrapassou sequer 5% das intenções votos. O acirramento entre o petista e o tucano trouxe à disputa estadual ares de segundo turno antecipado, com a expectativa da eleição ser decidida ainda no primeiro turno. "O cenário mais provável, pelos dados disponíveis das pesquisas de intenção de voto divulgadas até aqui, é de disputa muito próxima do limite, e qualquer projeção exige cautela”, pondera Mariana Dionísio, cientista política. “Sempre há o fator do que pode ocorrer na véspera, e tudo pode acontecer. Além disso, o cálculo dos votos válidos exclui brancos e nulos, e como a decisão se dá nessa conta, o comportamento de indecisos e de abstenções, que não é contabilizado pelas pesquisas, pode deslocar o resultado por margens pequenas”, afirma. Cleyton Monte acredita que há grande possibilidade da eleição no Ceará ser decidida já no primeiro turno, uma vez que “nenhum outro candidato conseguiu crescer”, mas destacou que é difícil medir o humor dos eleitores devido ao que chamou de ‘campanha silenciosa’. “O que significa uma campanha silenciosa? Grande parte da população não embarcou na questão de adesivos para carro, de bandeiras, principalmente devido ao clima de polarização política. E as consequências até de atos de violência em decorrência disso. E, por isso, é muito difícil, até quando a gente tem campanhas mais silenciosas, é muito difícil até o trabalho dos institutos de pesquisa. Então, é um clima muito imprevisível, não tem como cravar”, conclui. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: