Premiação do Globo de Ouro será realizada neste domingo Para pisar no tapete vermelho do Globo de Ouro, os participantes querem estar impecáveis. Na produção de um filme, também é assim. Em "O Agente Secreto", o desafio era recriar o Recife de 1977. O diretor Kleber Mendonça Filho pediu que a produção fosse naturalista, recriasse a realidade de forma crua e autêntica, sem exageros, para criar a ilusão de que o espectador está vendo a vida como ela é. 'O Agente Secreto' ganha o Critics Choice Awards 2026 A figurinista Rita Azevedo diz que há uma tendência de filmes ambientados nesse período retratarem a época de forma distante. A equipe teve dez semanas para definir o estilo do longa e produzir o figurino de 70 personagens. Segundo Rita Azevedo, a pesquisa começou em acervos públicos e depois avançou para álbuns de família. Ela visitou mais de 40 famílias. “Quando a gente vai vendo os álbuns de família, tem coisas nos detalhes que são muito enriquecedoras para os personagens. Isso é transformador, porque a gente consegue levar a textura para o filme”, afirma. 'O Agente Secreto' recria Recife de 1977 com pesquisa histórica e detalhes de época Reprodução/TV Globo Dos mais de mil figurinos, 30% eram peças originais da década de 1970. O restante foi confeccionado exclusivamente para o filme. Rita Azevedo afirma que, naquele período, era comum o trabalho de pequenos ateliês, artesãos e alfaiates, com roupas feitas de forma doméstica, o que ajudou a construir uma identidade fiel à época. Alguns dos estúdios mais famosos de Hollywood já reproduziram cidades e épocas diferentes. É a magia do cinema: criar uma máquina do tempo capaz de transportar o espectador para qualquer lugar. Em "O Agente Secreto", as ruas do Recife também foram pano de fundo para as cenas de época. Thales Junqueira, diretor de arte, explica que filmar em ruas é caro e complexo, porque elas foram profundamente transformadas ao longo de quase meio século. Segundo ele, foi preciso recuperar fachadas, abrir vitrines e lojas e reconstruir elementos gráficos para que o espectador pudesse mergulhar em 1977. Cento e oitenta carros da época aparecem no filme para dar vida às ruas. Ao todo, foram 350 cenas com veículos, quase todos pertencentes a colecionadores. O produtor João Lucas conta que os carros não podiam estar brilhando, porque representavam o cotidiano das pessoas da época, e que os próprios donos acompanharam as gravações e ajudaram na manutenção. Para a crítica de cinema Isabela Boscov, quanto mais específica é a narrativa, mais universal ela se torna. Segundo ela, ao falar da própria realidade com autenticidade, o filme consegue se comunicar com públicos diferentes, mesmo quando alguns elementos não são familiares a todos.
'O Agente Secreto' recria Recife de 1977 com pesquisa histórica e detalhes de época
Guia Modelo Escrito em 11/01/2026
Premiação do Globo de Ouro será realizada neste domingo Para pisar no tapete vermelho do Globo de Ouro, os participantes querem estar impecáveis. Na produção de um filme, também é assim. Em "O Agente Secreto", o desafio era recriar o Recife de 1977. O diretor Kleber Mendonça Filho pediu que a produção fosse naturalista, recriasse a realidade de forma crua e autêntica, sem exageros, para criar a ilusão de que o espectador está vendo a vida como ela é. 'O Agente Secreto' ganha o Critics Choice Awards 2026 A figurinista Rita Azevedo diz que há uma tendência de filmes ambientados nesse período retratarem a época de forma distante. A equipe teve dez semanas para definir o estilo do longa e produzir o figurino de 70 personagens. Segundo Rita Azevedo, a pesquisa começou em acervos públicos e depois avançou para álbuns de família. Ela visitou mais de 40 famílias. “Quando a gente vai vendo os álbuns de família, tem coisas nos detalhes que são muito enriquecedoras para os personagens. Isso é transformador, porque a gente consegue levar a textura para o filme”, afirma. 'O Agente Secreto' recria Recife de 1977 com pesquisa histórica e detalhes de época Reprodução/TV Globo Dos mais de mil figurinos, 30% eram peças originais da década de 1970. O restante foi confeccionado exclusivamente para o filme. Rita Azevedo afirma que, naquele período, era comum o trabalho de pequenos ateliês, artesãos e alfaiates, com roupas feitas de forma doméstica, o que ajudou a construir uma identidade fiel à época. Alguns dos estúdios mais famosos de Hollywood já reproduziram cidades e épocas diferentes. É a magia do cinema: criar uma máquina do tempo capaz de transportar o espectador para qualquer lugar. Em "O Agente Secreto", as ruas do Recife também foram pano de fundo para as cenas de época. Thales Junqueira, diretor de arte, explica que filmar em ruas é caro e complexo, porque elas foram profundamente transformadas ao longo de quase meio século. Segundo ele, foi preciso recuperar fachadas, abrir vitrines e lojas e reconstruir elementos gráficos para que o espectador pudesse mergulhar em 1977. Cento e oitenta carros da época aparecem no filme para dar vida às ruas. Ao todo, foram 350 cenas com veículos, quase todos pertencentes a colecionadores. O produtor João Lucas conta que os carros não podiam estar brilhando, porque representavam o cotidiano das pessoas da época, e que os próprios donos acompanharam as gravações e ajudaram na manutenção. Para a crítica de cinema Isabela Boscov, quanto mais específica é a narrativa, mais universal ela se torna. Segundo ela, ao falar da própria realidade com autenticidade, o filme consegue se comunicar com públicos diferentes, mesmo quando alguns elementos não são familiares a todos.