Vetados na Copa: torcedores de duas seleções estão proibidos de entrar nos EUA

Guia Modelo Escrito em 14/06/2026


Por que torcedores do Irã e Haiti estão proibidos de entrar nos EUA na Copa? Cidadãos de Irã e Haiti estão proibidos de entrar nos Estados Unidos por decisão do governo de Donald Trump. Os dois países se classificaram para a Copa do Mundo, mas os torcedores que vivem nesses territórios dificilmente conseguirão acompanhar os jogos presencialmente. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em junho de 2025, Trump assinou a ordem determinando que cidadãos de Irã e Haiti, além de outros 17 países, ficariam impedidos de entrar nos EUA por razões de segurança nacional. O presidente afirmou que a medida tinha como objetivo evitar ataques terroristas e outras ameaças. A Casa Branca informou que atletas, treinadores e parentes próximos que viajarem para a Copa do Mundo, Olimpíadas ou outros grandes eventos esportivos estão isentos da restrição. As exceções incluem ainda residentes permanentes e cidadãos com dupla nacionalidade que tenham passaporte de países não afetados pela medida. No caso do Irã, a polêmica ganhou novos contornos neste ano após o país ser alvo de uma ofensiva dos Estados Unidos. A própria participação da seleção iraniana chegou a ser colocada em dúvida, já que os três jogos da equipe na fase de grupos serão disputados nos Estados Unidos. Embora o governo americano tenha concedido vistos aos atletas, cerca de 15 integrantes da comissão técnica tiveram a entrada barrada. Diante desse cenário, a equipe optou por estabelecer sua base em Tijuana, no México. As dificuldades, porém, não se limitaram à logística: a poucos dias do início da Copa, a Federação de Futebol do Irã teve revogada sua cota de ingressos. Pelo regulamento da FIFA, 8% das entradas de cada partida são reservadas às federações das seleções envolvidas. Para outros cinco países que também estarão na Copa — Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia — os EUA suspenderam a exigência de uma caução de até US$ 15 mil (R$ 75 mil) para entrada no país. A medida, porém, vale apenas para torcedores que têm ingressos para o Mundial. Imigrantes com medo Haitianos comemoram classificação da seleção em novembro de 2025 REUTERS/Egeder Pq Fildor Para muitos imigrantes que já vivem nos EUA, o desafio é diferente. Mesmo com ingressos, alguns torcedores relatam medo de comparecer aos jogos da Copa do Mundo e acabar sendo detidos por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês). O temor é especialmente forte entre comunidades latino-americanas, incluindo milhares de haitianos que vivem no país. "Cantar o hino nacional do meu país em um estádio, diante de todo mundo, é um momento histórico que ninguém gostaria de perder", declarou Emile, um haitiano que vive nos Estados Unidos e preferiu não revelar o sobrenome, em entrevista à AFP. "Mas, ao mesmo tempo, penso duas vezes. Não quero que o ICE me prenda", acrescentou. "Meu advogado me aconselhou a não viajar para evitar ser interceptado no aeroporto." Os temores aumentaram após um imigrante que havia solicitado asilo nos Estados Unidos ser detido e deportado depois de assistir a uma partida do Mundial de Clubes, em Nova Jersey, no ano passado. As informações são da organização Human Rights Watch. Grupos de defesa dos direitos humanos também temem que agentes de imigração ampliem a fiscalização em áreas próximas aos estádios e nas Fan Zones, espaços destinados aos torcedores que costumam reunir milhares de pessoas durante grandes competições. Há riscos? Manifestantes carregam cartazes condenando o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) REUTERS/Tim Evans Mais de 120 organizações de direitos civis dos Estados Unidos divulgaram, em abril, um alerta de viagem no qual advertiram sobre o "risco de graves violações de direitos" contra torcedores, jogadores, jornalistas e outros visitantes. Segundo o alerta, pessoas que viajarem aos EUA poderão enfrentar riscos como ter a entrada negada, ser detidas, encarceradas ou deportadas, além de sofrer discriminação racial ou tratamento "cruel, desumano ou degradante" enquanto estiverem sob custódia das autoridades migratórias. Por outro lado, o governo Trump negou a existência de qualquer risco para pessoas que estejam legalmente nos Estados Unidos e afirmou que não há motivo para preocupação nesses casos. "O que torna uma pessoa alvo das autoridades migratórias é o fato de ela estar ou não em situação irregular nos Estados Unidos", acrescentou. À AFP, a Fifa afirmou que "está comprometida com o respeito de todos os direitos humanos reconhecidos internacionalmente e se esforça para promover a proteção desses direitos". VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1