'Achei que ia morrer', diz mulher que rompeu com ciclo de violência doméstica

Guia Modelo Escrito em 15/08/2026


'Achei que ia morrer', diz mulher que rompeu com ciclo de violência doméstica “Em 2010, eu achei que eu ia morrer.” A frase de Valéria Lopes, resume o abismo entre a vida que ela tinha e a que conseguiu reconstruir. Valéria sofreu agressões físicas, violência sexual, ameaças e perseguição. Depois de conseguir romper o ciclo de violência, deixou sua cidade, encontrou uma rede de apoio, se mudou para Araraquara (SP), se formou como técnica de enfermagem, se casou e hoje ajuda outras mulheres. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Antes de se formar como técnica de enfermagem e ser aplaudida de pé na própria formatura, ela precisou fingir que estava desmaiada para escapar de uma agressão, conviver com ameaças, perseguição e violência sexual e encontrar forças para deixar para trás uma relação que quase tirou sua vida. Ela faz parte das histórias contadas pela série especial “Dona Penha”, da EPTV, que marca os 20 anos da Lei Maria da Penha. Valéria Lopes reconstruiu a vida após mudar de cidade, se casou e se formou em técnica de enfermagem em Araraquara Arquivo pessoal Leia também: AJUDA: Violência contra mulher: veja DDMs e outros locais para buscar ajuda em cidades do interior de SP LEI: 'Dona Penha': entenda tipos de violência contra a mulher e como a Lei Maria da Penha se fortaleceu em 20 anos LUTO: 'Ele não destruiu só a vida dela, destruiu a nossa': a dor de famílias após feminicídios Recomeço em Araraquara Para conseguir romper com o ciclo de violência, Valéria precisou deixar para trás a cidade, a família e a vida que conhecia. “Eu cheguei na Araraquara quando eu coloquei o pé. Será que eu vou ser feliz aqui? Numa terra que eu não conheço ninguém", recordou. Ela encontrou acolhimento na casa de uma mulher que decidiu ajudá-la. A mulher que a acolheu também tinha vivido uma história de violência e compartilhou com Valéria uma frase que ficou marcada.“Faça por alguém o que eu tô fazendo hoje por você.” A partir daquele momento, Valéria começou a reconstruir a própria vida. Após anos de relacionamento abusivo, hoje Valéria tem outra vida em Araraquara Reprodução/EPTV Nova profissão e transformação O recomeço também passou pelos estudos. Valéria voltou a estudar e conseguiu se formar como técnica de enfermagem.A formatura foi um dos momentos mais marcantes dessa nova fase. “A minha formatura foi algo lindo. Gente, eu fui aplaudida de pé quando eu fui a paraninfa da turma. Eu falei, cara, eu tô vivendo", contou. Para ela, a borboleta simboliza justamente essa transformação em sua vida. “A borboleta, para mim, é o animal que me representa, porque eu tive que sair do meu casulo, o casulo do medo, o casulo da angústia, o casulo do que o outro ia pensar, para poder sobreviver" disse. Hoje, Valéria usa a própria experiência para ajudar outras mulheres que passam por situações semelhantes. Para ela, o acolhimento recebido foi fundamental para que pudesse reconstruir a vida. Valéria se formou em técnica de enfermagem em Araraquara e recomeçou a vida Arquivo pessoal Medo constante Segundo Valéria, o ex-companheiro era usuário de drogas e frequentemente chegava agressivo em casa sob efeito de álcool e entorpecentes. Em uma das agressões, a violência foi tão intensa que ela precisou fingir um desmaio para conseguir escapar. “Se eu tivesse estrutura, eu teria dito não ali. Foi uma agressão muito violenta e eu tive que fingir um desmaio para poder se salvar dele", contou. O controle não terminava dentro de casa. Valéria também passou a ser perseguida. Recebia ligações e mensagens com informações que mostravam que o agressor sabia onde ela estava. Segundo ela, o agressor também fazia ameaças contra pessoas da família. Medo e agressões fizeram parte de um período da vida de Valéria. Ela conseguiu romper o ciclo de violência. Reprodução/EPTV Busca por ajuda Valéria relata que sofreu diferentes formas de violência ao longo da vida. Em uma das situações, foi vítima de violência sexual e precisou enfrentar o trauma sozinha. Mesmo diante da violência, romper não foi imediato.“Eu tinha medo de fraquejar, depois de toda aquela violência, eu voltar para trás", contou. Valéria também enfrentou dificuldades emocionais e financeiras. Em determinado momento, precisou procurar atendimento médico e psicológico. “Eu fui atendida por uma equipe de psicólogo, eu tive um problema no meu couro cabeludo, uma queda de cabelo terrível, emocional", disse. No Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), conseguiu acessar programas de apoio e receber cesta básica. Depois, uma oportunidade de trabalho ajudou a dar os primeiros passos para a independência financeira. “No atendimento e através dali eu conheci uma moça que tinha uma padaria e eu fui trabalhar com ela.” Depois da porta aberta, ela se libertou do medo. Hoje é casada, constituiu família e vive longe do passado violento. REVEJA VÍDEOS DA EPTV CENTRAL: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara