Orbán admite derrota na Hungria: 'Resultado da eleição é claro e doloroso' O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, admitiu derrota nas eleições parlamentares deste domingo (12). Líder da extrema direita, ele encerra um ciclo de 16 anos no poder. “Os resultados ainda não são finais, mas a situação é compreensível e clara”, disse Orbán na sede de campanha do Fidesz, seu partido, após o avanço da apuração. “O resultado da eleição é doloroso para nós, mas claro.” 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A apuração dos votos alcançou 87,82% das urnas, com o partido de oposição Tisza projetado para conquistar 138 cadeiras no Parlamento de 199 assentos. Orbán, líder do partido Fidesz e um dos principais nomes da direita nacionalista na Europa, vê sua legenda ficar com 54 cadeiras, enquanto o Mi Hazánk teria 7 assentos, de acordo com o órgão eleitoral nacional (NVI). As urnas para as eleições na Hungria foram fechadas às 14h deste domingo (12) no horário de Brasília (19h no horário local). O pleito, considerado o mais importante da Europa neste ano, registrou uma participação recorde de 66% dos eleitores. O líder da oposição de centro-direita, Péter Magyar, afirmou que Orbán o parabenizou pela vitória nas eleições. VEJA QUEM É PÉTER MAGYAR: Quem é Péter Magyar, o opositor de Viktor Orbán na Hungria Orbán é um dos principais nomes da extrema direita global. Ele foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1998 e governou o país por quatro anos. Em 2010, retornou ao poder com uma vitória esmagadora e, desde então, permanece no cargo. Até este ano, o partido de Orbán, Fidesz, tem ampla maioria no Parlamento. A legenda atuou para reescrever a Constituição e aprovar leis com o objetivo de criar uma "democracia cristã iliberal". As políticas do premiê restringiram a liberdade de imprensa, enfraqueceram o Judiciário e limitaram direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+. Por outro lado, medidas antimigração e uma postura nacionalista e conservadora ajudaram a manter o apoio popular. A atuação de Orbán gerou atritos com a União Europeia, que chegou a suspender bilhões de euros em repasses à Hungria por violações de padrões democráticos. Orbán venceu as quatro últimas eleições parlamentares com ampla vantagem. A oposição fragmentada, somada ao controle político do premiê, ajudou a consolidar esses resultados. Neste ano, o cenário mudou. Com a economia estagnada há três anos e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo, Orbán perdeu força interna e viu o ex-aliado Péter Magyar ganhar espaço. Viktor Orbán e Péter Magyar REUTERS Magyar lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza. O opositor afirmou ter se inspirado em Orbán no início da carreira política, mas se afastou do premiê, passou a acusar o governo de corrupção e mudou de partido. Magyar ganhou espaço ao prometer reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais — postura combatida por Orbán nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele busca apoio conservador ao defender a manutenção das políticas de combate à imigração ilegal. O opositor também aposta em discursos voltados às redes sociais e em comícios com estética patriótica. Ao criticar o atual governo, passou a ser visto por apoiadores como alguém que "enfrenta o sistema". O resultado foi um salto nas pesquisas. Segundo a agência Reuters, levantamentos recentes de institutos independentes já indicavam o partido de Magyar muito à frente da legenda de Orbán. Vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, em discurso em Budapeste, na Hungria, em 8 de abril de 2026. REUTERS/Jonathan Ernst/Pool Interferência estrangeira Líder juvenil anticomunista na Guerra Fria, Orbán é o governante há mais tempo no poder na União Europeia. Para apoiadores, ele é um símbolo patriótico por ter liderado mobilizações pró-democracia no fim da década de 1980. Críticos, porém, afirmam que o premiê conduz o país para o autoritarismo. Nos últimos anos, Orbán usou como um dos pilares de governo a construção de alianças com líderes globais, como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump, inclusive, atuou diretamente na campanha atual. O presidente norte-americano recebeu Orbán na Casa Branca em fevereiro e publicou uma mensagem de apoio à reeleição do premiê nas redes sociais. "Espero continuar trabalhando em estreita colaboração com ele para que ambos os países possam avançar ainda mais nessa trajetória rumo ao sucesso e à cooperação", escreveu. "Viktor Orbán é um verdadeiro amigo, lutador e vencedor, e tem meu apoio total e irrestrito para a reeleição." Dias antes da eleição, Trump enviou o vice-presidente J.D. Vance à Hungria para participar de eventos ao lado do premiê. Em discurso, Vance acusou a União Europeia de tentar interferir no pleito e classificou a estratégia como "vergonhosa". "O que aconteceu em meio a esta campanha eleitoral é um dos piores exemplos de interferência estrangeira em eleições que eu já vi ou mesmo li a respeito", disse.
Orbán admite derrota na Hungria: 'Resultado da eleição é claro e doloroso'
Guia Modelo Escrito em 12/04/2026
Orbán admite derrota na Hungria: 'Resultado da eleição é claro e doloroso' O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, admitiu derrota nas eleições parlamentares deste domingo (12). Líder da extrema direita, ele encerra um ciclo de 16 anos no poder. “Os resultados ainda não são finais, mas a situação é compreensível e clara”, disse Orbán na sede de campanha do Fidesz, seu partido, após o avanço da apuração. “O resultado da eleição é doloroso para nós, mas claro.” 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A apuração dos votos alcançou 87,82% das urnas, com o partido de oposição Tisza projetado para conquistar 138 cadeiras no Parlamento de 199 assentos. Orbán, líder do partido Fidesz e um dos principais nomes da direita nacionalista na Europa, vê sua legenda ficar com 54 cadeiras, enquanto o Mi Hazánk teria 7 assentos, de acordo com o órgão eleitoral nacional (NVI). As urnas para as eleições na Hungria foram fechadas às 14h deste domingo (12) no horário de Brasília (19h no horário local). O pleito, considerado o mais importante da Europa neste ano, registrou uma participação recorde de 66% dos eleitores. O líder da oposição de centro-direita, Péter Magyar, afirmou que Orbán o parabenizou pela vitória nas eleições. VEJA QUEM É PÉTER MAGYAR: Quem é Péter Magyar, o opositor de Viktor Orbán na Hungria Orbán é um dos principais nomes da extrema direita global. Ele foi eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1998 e governou o país por quatro anos. Em 2010, retornou ao poder com uma vitória esmagadora e, desde então, permanece no cargo. Até este ano, o partido de Orbán, Fidesz, tem ampla maioria no Parlamento. A legenda atuou para reescrever a Constituição e aprovar leis com o objetivo de criar uma "democracia cristã iliberal". As políticas do premiê restringiram a liberdade de imprensa, enfraqueceram o Judiciário e limitaram direitos de minorias, como a comunidade LGBTQIA+. Por outro lado, medidas antimigração e uma postura nacionalista e conservadora ajudaram a manter o apoio popular. A atuação de Orbán gerou atritos com a União Europeia, que chegou a suspender bilhões de euros em repasses à Hungria por violações de padrões democráticos. Orbán venceu as quatro últimas eleições parlamentares com ampla vantagem. A oposição fragmentada, somada ao controle político do premiê, ajudou a consolidar esses resultados. Neste ano, o cenário mudou. Com a economia estagnada há três anos e o enriquecimento de uma elite ligada ao governo, Orbán perdeu força interna e viu o ex-aliado Péter Magyar ganhar espaço. Viktor Orbán e Péter Magyar REUTERS Magyar lidera o partido de centro-direita Respeito e Liberdade, conhecido como Tisza. O opositor afirmou ter se inspirado em Orbán no início da carreira política, mas se afastou do premiê, passou a acusar o governo de corrupção e mudou de partido. Magyar ganhou espaço ao prometer reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais — postura combatida por Orbán nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele busca apoio conservador ao defender a manutenção das políticas de combate à imigração ilegal. O opositor também aposta em discursos voltados às redes sociais e em comícios com estética patriótica. Ao criticar o atual governo, passou a ser visto por apoiadores como alguém que "enfrenta o sistema". O resultado foi um salto nas pesquisas. Segundo a agência Reuters, levantamentos recentes de institutos independentes já indicavam o partido de Magyar muito à frente da legenda de Orbán. Vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, em discurso em Budapeste, na Hungria, em 8 de abril de 2026. REUTERS/Jonathan Ernst/Pool Interferência estrangeira Líder juvenil anticomunista na Guerra Fria, Orbán é o governante há mais tempo no poder na União Europeia. Para apoiadores, ele é um símbolo patriótico por ter liderado mobilizações pró-democracia no fim da década de 1980. Críticos, porém, afirmam que o premiê conduz o país para o autoritarismo. Nos últimos anos, Orbán usou como um dos pilares de governo a construção de alianças com líderes globais, como o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump, inclusive, atuou diretamente na campanha atual. O presidente norte-americano recebeu Orbán na Casa Branca em fevereiro e publicou uma mensagem de apoio à reeleição do premiê nas redes sociais. "Espero continuar trabalhando em estreita colaboração com ele para que ambos os países possam avançar ainda mais nessa trajetória rumo ao sucesso e à cooperação", escreveu. "Viktor Orbán é um verdadeiro amigo, lutador e vencedor, e tem meu apoio total e irrestrito para a reeleição." Dias antes da eleição, Trump enviou o vice-presidente J.D. Vance à Hungria para participar de eventos ao lado do premiê. Em discurso, Vance acusou a União Europeia de tentar interferir no pleito e classificou a estratégia como "vergonhosa". "O que aconteceu em meio a esta campanha eleitoral é um dos piores exemplos de interferência estrangeira em eleições que eu já vi ou mesmo li a respeito", disse.