Nova mancha escura foi registrada na baía de Vitória, no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta A Prefeitura de Vitória foi multada em R$ 42.309.562,28 pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) por derramamento de esgoto irregular na Praia da Guarderia. O Auto de Infração Ambiental foi assinado na última terça-feira (1º). A penalização saiu quase uma semana depois de a própria prefeitura ter aplicado multa contra a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) em R$ 37,8 milhões. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Segundo o Iema, uma fiscalização realizada em 29 de agosto revelou que a poluição no local teria sido provocada por uma sequência de falhas em obras públicas e negligência na fiscalização de esgotos pela prefeitura. A Prefeitura de Vitória foi procurada pelo g1, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. Ainda de acordo com o Iema, uma das irregularidades identificadas durante a atuação do órgão se refere ao direcionamento do rebaixamento do lençol freático, durante as obras da nova Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebap) Praia do Canto, para a rede de drenagem pluvial, com alcance na região da Praia da Guarderia, sem a demonstração de avaliação prévia da qualidade do efluente. A fiscalização do Iema também apontou o não atendimento, dentro do prazo, à solicitação do próprio órgão relacionada a possíveis lançamentos de esgoto pela rede de drenagem pluvial e a demora na adoção de medidas fiscalizatórias para identificar e interromper ligações irregulares. LEIA TAMBÉM: CASO DAVID CORRÊA, DO VASCO: ex-agente que era chefe do tráfico foi preso dentro do apartamento de luxo do jogador em Vila Velha ACIDENTE: Motociclista morre após ser arremessado da Terceira Ponte e cair em ciclovia entre Vitória e Vila Velha VÍDEO: galo comunitário de condomínio é 'sequestrado' por entregador em calçada de Vitória Segundo a análise do instituto, a permanência das fontes de contaminação contribuiu para a alteração da qualidade das águas e atingiu uma área ambientalmente protegida. Em março deste ano, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Cível de Vitória, deliberou a adoção de medidas para apurar a ocorrência de uma mancha escura identificada nas imediações da Ilha do Frade e da Guarderia e o funcionamento do sistema de drenagem de águas pluviais. Segundo informações que embasam o Auto de Infração Ambiental, a análise do Iema levou em conta informações encaminhadas pelo MPES, dados e conclusões do Tribunal de Contas do Estado (TCES) e resultados do monitoramento realizado pelo grupo de trabalho interinstitucional criado para investigar os episódios na região. Por fim, o órgão assevera que a aplicação da multa não encerra o processo administrativo: o município de Vitória tem assegurado o direito à ampla defesa e ao contraditório e poderá apresentar defesa no prazo de 21 dias úteis após a comunicação da autuação. Multa de R$ 37,8 milhões contra a Cesan Há quase uma semana, a Prefeitura de Vitória havia aplicado uma multa de R$ 37,8 milhões contra a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) devido a irregularidades identificadas na rede de esgotamento sanitário da capital capixaba. Prefeitura de Vitória multa a Cesan em R$ 38 milhões por mancha na Curva da Jurema A punição, aplicada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), teve como base inspeções técnicas realizadas em junho nos bairros Praia do Canto, Santa Helena e Enseada do Suá. De acordo com o relatório da prefeitura, as equipes de fiscalização utilizaram testes com fumaça, aplicação de corantes e rastreamento de redes subterrâneas para mapear os fluxos. A vistoria constatou falhas no sistema operado pela concessionária: 17 pontos de conexão irregular (extravasadores): ligações físicas que interconectavam a rede de esgoto da Cesan diretamente à rede de drenagem pluvial do município. Em situações de sobrecarga do sistema de esgoto, esses dispositivos desviavam a água suja para a tubulação de chuva, que deságua nas praias. 38 imóveis irregulares: estabelecimentos comerciais e residências flagrados lançando esgoto doméstico diretamente na rede de drenagem pluvial. 7 pontos sob investigação: locais com indícios de irregularidades que não puderam ser confirmados tecnicamente devido a obstruções, transbordamentos ou acúmulo excessivo de gordura na rede operada pela Cesan. A fiscalização municipal apontou que a quantidade de falhas em uma área restrita indica a possibilidade de um problema estrutural de manutenção preventiva e integridade do sistema coletor. Atualmente, o trecho na Praia da Guarderia exibe placas indicando que a área está imprópria para o banho. Ministério Público cobra explicações sobre nova mancha escura Paralelamente à multa municipal, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) instaurou uma nova cobrança na sexta-feira (28) devido ao reaparecimento de uma mancha escura nas proximidades da Ilha do Frade e da Guarderia. A Promotoria de Justiça Cível de Vitória enviou ofícios com prazo de 10 dias úteis para que a prefeitura, a Cesan, a Agência de Regulação de Serviços Públicos (ARSP), a concessionária GS Inima e o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) prestem esclarecimentos e adotem providências. LEIA TAMBÉM: Mancha escura e com odor forte na Praia da Guarderia é causada por esgoto irregular e microalgas A investigação do MPES ocorre no âmbito de um Inquérito Civil instaurado em março deste ano, que conta com um Grupo de Trabalho interdisciplinar dedicado a apurar os episódios de poluição. Em abril, uma nota técnica preliminar do órgão apontou que a mancha escura e o odor forte observados no início do ano resultaram de uma combinação de fatores ambientais e falhas operacionais: Paralisação de bomba: entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, a bomba de "tempo seco" da Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (EBAP) ficou inativa, o que comprometeu o bloqueio do esgoto irregular na rede de chuva. Microalgas: condições ambientais naturais propiciaram o crescimento acelerado de microalgas na baía, alterando a coloração da água. Esgoto regional: chegada de efluentes de outros municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória. O Grupo de Trabalho do MPES está na fase final de discussão de Termos de Compromisso Ambiental (TCAs) para estabelecer as obrigações específicas de cada instituição envolvida a curto, médio e longo prazo. Mancha no mar de Vitória chamou a atenção de moradores Reprodução/TV Gazeta Proposta de conversão da multa em obras de saneamento A Prefeitura de Vitória encaminhou ao Ministério Público uma proposta para converter os R$ 37,8 milhões da multa em ações práticas de saneamento básico. A proposta exige que a Cesan execute medidas estruturais como: Inspeção completa da rede de esgoto existente na capital; Eliminação definitiva de todas as conexões irregulares entre os dois sistemas; Recuperação física de tubulações comprometidas e mapeamento georreferenciado; Monitoramento contínuo de áreas ambientalmente sensíveis; Contratação de auditoria técnica independente para fiscalizar o cumprimento das metas. O que dizem os órgãos envolvidos Cesan Em nota oficial, a concessionária informou que recebeu a autuação e que apresentará recurso administrativo. A companhia nega qualquer relação entre a mancha escura e a rede de esgotamento sanitário. A empresa afirmou que a tubulação na Praia da Guarderia integra o sistema de drenagem da prefeitura e que, após chuvas, é natural que a rede pluvial arraste lixo, sedimentos e matéria orgânica das ruas, alterando temporariamente a cor da água do mar. Prefeitura de Vitória sobre a multa na Cesan O secretário de Meio Ambiente de Vitória, André Có, afirmou que o processo garante à Cesan o direito de ampla defesa e que o município prioriza o diálogo integrado para alcançar uma solução definitiva. “A intenção da Prefeitura de Vitória não é limitar sua atuação ao caráter coercitivo da autuação, mas construir, com os órgãos e instituições envolvidos, uma solução efetiva, segura e duradoura para os problemas estruturais identificados. Entre as medidas propostas estão a inspeção completa da rede de esgoto, a correção de ligações irregulares, a recuperação de estruturas comprometidas, o monitoramento dos pontos mais sensíveis e a realização de auditoria técnica independente”, disse o secretário. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
Prefeitura de Vitória é multada em R$ 42 milhões por derramar esgoto na Praia da Guarderia
Guia Modelo Escrito em 05/09/2026
Nova mancha escura foi registrada na baía de Vitória, no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta A Prefeitura de Vitória foi multada em R$ 42.309.562,28 pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) por derramamento de esgoto irregular na Praia da Guarderia. O Auto de Infração Ambiental foi assinado na última terça-feira (1º). A penalização saiu quase uma semana depois de a própria prefeitura ter aplicado multa contra a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) em R$ 37,8 milhões. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Segundo o Iema, uma fiscalização realizada em 29 de agosto revelou que a poluição no local teria sido provocada por uma sequência de falhas em obras públicas e negligência na fiscalização de esgotos pela prefeitura. A Prefeitura de Vitória foi procurada pelo g1, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. Ainda de acordo com o Iema, uma das irregularidades identificadas durante a atuação do órgão se refere ao direcionamento do rebaixamento do lençol freático, durante as obras da nova Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebap) Praia do Canto, para a rede de drenagem pluvial, com alcance na região da Praia da Guarderia, sem a demonstração de avaliação prévia da qualidade do efluente. A fiscalização do Iema também apontou o não atendimento, dentro do prazo, à solicitação do próprio órgão relacionada a possíveis lançamentos de esgoto pela rede de drenagem pluvial e a demora na adoção de medidas fiscalizatórias para identificar e interromper ligações irregulares. LEIA TAMBÉM: CASO DAVID CORRÊA, DO VASCO: ex-agente que era chefe do tráfico foi preso dentro do apartamento de luxo do jogador em Vila Velha ACIDENTE: Motociclista morre após ser arremessado da Terceira Ponte e cair em ciclovia entre Vitória e Vila Velha VÍDEO: galo comunitário de condomínio é 'sequestrado' por entregador em calçada de Vitória Segundo a análise do instituto, a permanência das fontes de contaminação contribuiu para a alteração da qualidade das águas e atingiu uma área ambientalmente protegida. Em março deste ano, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Cível de Vitória, deliberou a adoção de medidas para apurar a ocorrência de uma mancha escura identificada nas imediações da Ilha do Frade e da Guarderia e o funcionamento do sistema de drenagem de águas pluviais. Segundo informações que embasam o Auto de Infração Ambiental, a análise do Iema levou em conta informações encaminhadas pelo MPES, dados e conclusões do Tribunal de Contas do Estado (TCES) e resultados do monitoramento realizado pelo grupo de trabalho interinstitucional criado para investigar os episódios na região. Por fim, o órgão assevera que a aplicação da multa não encerra o processo administrativo: o município de Vitória tem assegurado o direito à ampla defesa e ao contraditório e poderá apresentar defesa no prazo de 21 dias úteis após a comunicação da autuação. Multa de R$ 37,8 milhões contra a Cesan Há quase uma semana, a Prefeitura de Vitória havia aplicado uma multa de R$ 37,8 milhões contra a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) devido a irregularidades identificadas na rede de esgotamento sanitário da capital capixaba. Prefeitura de Vitória multa a Cesan em R$ 38 milhões por mancha na Curva da Jurema A punição, aplicada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), teve como base inspeções técnicas realizadas em junho nos bairros Praia do Canto, Santa Helena e Enseada do Suá. De acordo com o relatório da prefeitura, as equipes de fiscalização utilizaram testes com fumaça, aplicação de corantes e rastreamento de redes subterrâneas para mapear os fluxos. A vistoria constatou falhas no sistema operado pela concessionária: 17 pontos de conexão irregular (extravasadores): ligações físicas que interconectavam a rede de esgoto da Cesan diretamente à rede de drenagem pluvial do município. Em situações de sobrecarga do sistema de esgoto, esses dispositivos desviavam a água suja para a tubulação de chuva, que deságua nas praias. 38 imóveis irregulares: estabelecimentos comerciais e residências flagrados lançando esgoto doméstico diretamente na rede de drenagem pluvial. 7 pontos sob investigação: locais com indícios de irregularidades que não puderam ser confirmados tecnicamente devido a obstruções, transbordamentos ou acúmulo excessivo de gordura na rede operada pela Cesan. A fiscalização municipal apontou que a quantidade de falhas em uma área restrita indica a possibilidade de um problema estrutural de manutenção preventiva e integridade do sistema coletor. Atualmente, o trecho na Praia da Guarderia exibe placas indicando que a área está imprópria para o banho. Ministério Público cobra explicações sobre nova mancha escura Paralelamente à multa municipal, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) instaurou uma nova cobrança na sexta-feira (28) devido ao reaparecimento de uma mancha escura nas proximidades da Ilha do Frade e da Guarderia. A Promotoria de Justiça Cível de Vitória enviou ofícios com prazo de 10 dias úteis para que a prefeitura, a Cesan, a Agência de Regulação de Serviços Públicos (ARSP), a concessionária GS Inima e o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) prestem esclarecimentos e adotem providências. LEIA TAMBÉM: Mancha escura e com odor forte na Praia da Guarderia é causada por esgoto irregular e microalgas A investigação do MPES ocorre no âmbito de um Inquérito Civil instaurado em março deste ano, que conta com um Grupo de Trabalho interdisciplinar dedicado a apurar os episódios de poluição. Em abril, uma nota técnica preliminar do órgão apontou que a mancha escura e o odor forte observados no início do ano resultaram de uma combinação de fatores ambientais e falhas operacionais: Paralisação de bomba: entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, a bomba de "tempo seco" da Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (EBAP) ficou inativa, o que comprometeu o bloqueio do esgoto irregular na rede de chuva. Microalgas: condições ambientais naturais propiciaram o crescimento acelerado de microalgas na baía, alterando a coloração da água. Esgoto regional: chegada de efluentes de outros municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória. O Grupo de Trabalho do MPES está na fase final de discussão de Termos de Compromisso Ambiental (TCAs) para estabelecer as obrigações específicas de cada instituição envolvida a curto, médio e longo prazo. Mancha no mar de Vitória chamou a atenção de moradores Reprodução/TV Gazeta Proposta de conversão da multa em obras de saneamento A Prefeitura de Vitória encaminhou ao Ministério Público uma proposta para converter os R$ 37,8 milhões da multa em ações práticas de saneamento básico. A proposta exige que a Cesan execute medidas estruturais como: Inspeção completa da rede de esgoto existente na capital; Eliminação definitiva de todas as conexões irregulares entre os dois sistemas; Recuperação física de tubulações comprometidas e mapeamento georreferenciado; Monitoramento contínuo de áreas ambientalmente sensíveis; Contratação de auditoria técnica independente para fiscalizar o cumprimento das metas. O que dizem os órgãos envolvidos Cesan Em nota oficial, a concessionária informou que recebeu a autuação e que apresentará recurso administrativo. A companhia nega qualquer relação entre a mancha escura e a rede de esgotamento sanitário. A empresa afirmou que a tubulação na Praia da Guarderia integra o sistema de drenagem da prefeitura e que, após chuvas, é natural que a rede pluvial arraste lixo, sedimentos e matéria orgânica das ruas, alterando temporariamente a cor da água do mar. Prefeitura de Vitória sobre a multa na Cesan O secretário de Meio Ambiente de Vitória, André Có, afirmou que o processo garante à Cesan o direito de ampla defesa e que o município prioriza o diálogo integrado para alcançar uma solução definitiva. “A intenção da Prefeitura de Vitória não é limitar sua atuação ao caráter coercitivo da autuação, mas construir, com os órgãos e instituições envolvidos, uma solução efetiva, segura e duradoura para os problemas estruturais identificados. Entre as medidas propostas estão a inspeção completa da rede de esgoto, a correção de ligações irregulares, a recuperação de estruturas comprometidas, o monitoramento dos pontos mais sensíveis e a realização de auditoria técnica independente”, disse o secretário. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo