Fachin faz nova rodada de consultas internas e alas do STF discutem cenários para relatório sobre Moraes

Guia Modelo Escrito em 11/09/2026


Veja comentário de Miriam Leitão sobre crise no STF Após cancelar pelo segundo dia consecutivo a sessão plenária, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, passou a tarde desta quinta-feira (10) em consultas internas. Fachin recebeu seis ministros no gabinete da Presidência e, entre análise de cenários para estancar a crise sem precedentes, também ouviu impressões sobre o rito para a sessão de terça-feira (15) que vai discutir se abre ou não uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Situação inédita O caso é inédito no STF. A decisão de Fachin de levar para análise do plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que apontou mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para Moraes intensificou articulações de bastidores e apostas sobre apoio ou não para abrir uma investigação contra o ministro. Até agora, seis votos são considerados mais consolidados. Os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, e Cristiano Zanin são apontados como pontos alinhados com Moraes. André Mendonça contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Mendonça, Moraes e Fachin Reprodução Nos bastidores, há incerteza sobre os votos de Fachin e Cármen Lúcia, que têm recebido acenos dos dois lados. O ministro Dias Toffoli teria indicado a colegas que a tendência é não participar, já que o caso é desdobramento do Master e ele tem se declarado suspeito de votar em desdobramentos desde que deixou a relatoria das investigações. Há quem defenda que o ministro pode votar, no entanto, sendo que a discussão envolve questões processuais, como o modelo para investigação de um integrante da Corte. Rito da sessão As regras para a sessão de terça ainda não foram confirmadas, mas a indicação é de que Moraes não votaria. A ala que apoia Moraes também tem indicado nos bastidores que, após os questionamentos sobre a condução dos inquéritos por André Mendonça, ele também não deveria julgar a questão. Ele é relator do caso Master e determinou que a PF elaborasse o relatório que indicou 52 mensagens de Vorcaro para Moraes. De acordo com interlocutores, Fachin teria preferência por uma sessão aberta, com algum tipo de restrição por questões de segurança – modelo semelhante ao que já foi adotado para o julgamento da chamada trama golpista –, mas também há discussões sobre a possibilidade de uma sessão fechada. Na rodada de conversas da tarde desta quinta, Fachin esteve com Moraes, Mendonça, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Nunes Marques e Luiz Fux – os dois últimos conversaram juntos com o presidente. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também esteve na Presidência. Segundo um ministro, Fachin tem "escutado muito e falado pouco". Fachin também disponibilizou hoje para os ministros cópia de todo material elaborado pela PF sobre a suposta relação de Moraes com Vorcaro. 🔎O ex-banqueiro está preso preventivamente na Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeira do Banco Master e uma suposta "rede de monitoramento e influência, com potencial infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições da república". Moraes ainda avalia quando fará um pronunciamento sobre a crise. O ministro chegou a informar que se manifestaria nesta quinta-feira, mas recuou. Há expectativa de que a fala possa ocorrer na segunda (14), véspera da sessão que vai definir seu futuro. O ministro, a PGR, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e Mendonça tem até lá para prestar informações sobre o relatório