Copom reduz selic para 14,75% ao ano Os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio: a escalada da crise elevou a incerteza mundial. Nesta quarta-feira (18), houve decisão sobre a taxa de juros nos Estados Unidos e no Brasil. O Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou a taxa básica de juros para 14,75% ao ano. No fim de janeiro, o Copom indicou que iria reduzir e cortar os juros na reunião desta quarta-feira (18). Economistas do mercado financeiro previam que esse corte poderia chegar a meio ponto percentual. Mas depois, com o início da guerra, o cenário mudou e a previsão foi recalculada com a possibilidade, inclusive, de não haver corte nos juros. Nesta quarta-feira (18), integrantes do Copom, por unanimidade, avaliaram que a redução em 0,25 ponto percentual era mais apropriada, mas pregaram cautela em função dos impactos que a guerra pode causar na variação de preços no Brasil. O comunicado diz que: “Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”. O comitê não indicou a tendência para a próxima reunião - se haverá novos cortes ou a manutenção da taxa - e disse que espera novas informações sobre a extensão do conflito no Oriente Médio para fazer essa avaliação. Este foi o primeiro corte da Selic em quase dois anos. De agosto de 2023 até julho de 2024, a Selic se manteve em trajetória de queda e estabilidade. Mas, em setembro, começou a subir de novo: o Banco Central aumentou os juros para tentar segurar a inflação. Em junho de 2025, a taxa chegou a 15% ao ano. Nesta quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. A ata da reunião de janeiro já tinha indicado que o corte viria. Só que, nos 45 dias de intervalo até a reunião desta quarta-feira (18), muita coisa aconteceu. Começando pela guerra no Oriente Médio. O preço do barril de petróleo disparou e como se trata de uma matéria-prima essencial no mundo inteiro, a pressão sobre a inflação também é global. Copom reduz taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual; Selic vai para 14,75% ao ano Jornal Nacional/ Reprodução Na tarde desta quarta-feira (18), o Banco Central dos Estados Unidos decidiu manter a taxa de juros por lá entre 3,5% e 3,75% ao ano, pela segunda vez. O comunicado do Fed diz que as implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas, e que o comitê está comprometido em apoiar o pleno emprego e a volta da inflação à meta de 2%. “Na inflação simples, que é aquela que o cidadão americano sente, ele já vai perceber um aumento de inflação nos próximos índices, porque a gasolina já subiu. Agora, a maior cautela ou o que eles podem fazer - e fizeram - é manter a taxa e verificar o que acontece nos próximos meses”, diz Alberto Ajzental, professor de Economia da FGV. A decisão do Banco Central americano deixou o mercado pessimista. O índice Dow Jones, da bolsa americana, fechou em queda. Antes da decisão do Copom, a bolsa de valores brasileira fechou em queda e o dólar comercial subiu para R$ 5,24. O petróleo do tipo Brent foi cotado na casa dos US$ 100. O temor de que a alta do petróleo se espalhe pela economia tem pressionado os juros futuros - que são um termômetro das expectativas do mercado em relação à inflação e risco fiscal. Na tentativa de baixar as taxas, o Tesouro Nacional fez nesta quarta-feira (18) leilões extraordinários de recompra de títulos do governo, que somaram R$ 5,4 bilhões. Em três dias, foram R$ 49 bilhões em operações desse tipo. O economista Sérgio Valle diz que a conjuntura atual faz com que o Banco Central seja cauteloso nas decisões, mesmo com uma taxa de juros ainda alta: “Se o governo tivesse ajudado o Banco Central, via uma política fiscal mais restritiva, talvez o Banco Central não precisasse subir juros com tanta intensidade. Então, o Banco Central está sozinho, está precisando correr atrás para trazer essa inflação para baixo e aí não tem muito por onde ir. Vai ter que diminuir essa taxa com muita lentidão mesmo”.
Copom reduz taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual; Selic vai para 14,75% ao ano
Guia Modelo Escrito em 19/03/2026
Copom reduz selic para 14,75% ao ano Os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio: a escalada da crise elevou a incerteza mundial. Nesta quarta-feira (18), houve decisão sobre a taxa de juros nos Estados Unidos e no Brasil. O Comitê de Política Monetária do Banco Central cortou a taxa básica de juros para 14,75% ao ano. No fim de janeiro, o Copom indicou que iria reduzir e cortar os juros na reunião desta quarta-feira (18). Economistas do mercado financeiro previam que esse corte poderia chegar a meio ponto percentual. Mas depois, com o início da guerra, o cenário mudou e a previsão foi recalculada com a possibilidade, inclusive, de não haver corte nos juros. Nesta quarta-feira (18), integrantes do Copom, por unanimidade, avaliaram que a redução em 0,25 ponto percentual era mais apropriada, mas pregaram cautela em função dos impactos que a guerra pode causar na variação de preços no Brasil. O comunicado diz que: “Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”. O comitê não indicou a tendência para a próxima reunião - se haverá novos cortes ou a manutenção da taxa - e disse que espera novas informações sobre a extensão do conflito no Oriente Médio para fazer essa avaliação. Este foi o primeiro corte da Selic em quase dois anos. De agosto de 2023 até julho de 2024, a Selic se manteve em trajetória de queda e estabilidade. Mas, em setembro, começou a subir de novo: o Banco Central aumentou os juros para tentar segurar a inflação. Em junho de 2025, a taxa chegou a 15% ao ano. Nesta quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual. A ata da reunião de janeiro já tinha indicado que o corte viria. Só que, nos 45 dias de intervalo até a reunião desta quarta-feira (18), muita coisa aconteceu. Começando pela guerra no Oriente Médio. O preço do barril de petróleo disparou e como se trata de uma matéria-prima essencial no mundo inteiro, a pressão sobre a inflação também é global. Copom reduz taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual; Selic vai para 14,75% ao ano Jornal Nacional/ Reprodução Na tarde desta quarta-feira (18), o Banco Central dos Estados Unidos decidiu manter a taxa de juros por lá entre 3,5% e 3,75% ao ano, pela segunda vez. O comunicado do Fed diz que as implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas, e que o comitê está comprometido em apoiar o pleno emprego e a volta da inflação à meta de 2%. “Na inflação simples, que é aquela que o cidadão americano sente, ele já vai perceber um aumento de inflação nos próximos índices, porque a gasolina já subiu. Agora, a maior cautela ou o que eles podem fazer - e fizeram - é manter a taxa e verificar o que acontece nos próximos meses”, diz Alberto Ajzental, professor de Economia da FGV. A decisão do Banco Central americano deixou o mercado pessimista. O índice Dow Jones, da bolsa americana, fechou em queda. Antes da decisão do Copom, a bolsa de valores brasileira fechou em queda e o dólar comercial subiu para R$ 5,24. O petróleo do tipo Brent foi cotado na casa dos US$ 100. O temor de que a alta do petróleo se espalhe pela economia tem pressionado os juros futuros - que são um termômetro das expectativas do mercado em relação à inflação e risco fiscal. Na tentativa de baixar as taxas, o Tesouro Nacional fez nesta quarta-feira (18) leilões extraordinários de recompra de títulos do governo, que somaram R$ 5,4 bilhões. Em três dias, foram R$ 49 bilhões em operações desse tipo. O economista Sérgio Valle diz que a conjuntura atual faz com que o Banco Central seja cauteloso nas decisões, mesmo com uma taxa de juros ainda alta: “Se o governo tivesse ajudado o Banco Central, via uma política fiscal mais restritiva, talvez o Banco Central não precisasse subir juros com tanta intensidade. Então, o Banco Central está sozinho, está precisando correr atrás para trazer essa inflação para baixo e aí não tem muito por onde ir. Vai ter que diminuir essa taxa com muita lentidão mesmo”.