Áudio com IA: vítimas desaparecidas no RS foram atraídas por áudio falso O Ministério Público denunciou, nesta segunda-feira (4), três pessoas pelo desaparecimento e morte de três membros da família Aguiar, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O policial militar Cristiano Domingues Francisco, sua atual esposa, Milena Ruppenthal Domingues, e seu irmão, Wagner Domingues Francisco, foram acusados. 🔎 Silvana de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde 24 e 25 de janeiro. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A denúncia, apresentada pelo promotor de Justiça Caio Isola de Aro, aponta que a motivação dos crimes está ligada a conflitos pela guarda do filho de Cristiano com Silvana e ao inconformismo do PM com os limites impostos por ela. Segundo a Promotoria, Silvana foi assassinada em uma emboscada em sua casa na noite de 24 de janeiro. No dia seguinte, seus pais foram atraídos por mensagens e ligações que simulavam ser da filha e mortos em locais diferentes. Os corpos das três vítimas ainda não foram localizados. O órgão afirma que os crimes teriam sido cometidos de forma coordenada para assegurar a impunidade, com ocultação dos cadáveres e manobras para dificultar a investigação. Veja os crimes atribuídos a cada um pelo MP: Cristiano Domingues Francisco (PM e ex-marido de Silvana) Feminicídio de Silvana de Aguiar e de Dalmira Germann de Aguiar; Homicídio qualificado de Isail de Aguiar; Ocultação de cadáver (três vezes); Fraude processual, por alterar provas; Associação criminosa; Falsidade ideológica, por ter utilizado o nome de outra pessoa para ativar chips de celular; Furto qualificado por invadir a casa e subtrair bens de Silvana após o desaparecimento; Abandono de incapaz, por deixar o filho em casa enquanto cometia os crimes. O MP também pediu a perda do cargo público e da capacidade de exercício do poder familiar. Milena Ruppenthal Domingues (atual esposa do PM) Feminicídio de Silvana de Aguiar e de Dalmira Germann de Aguiar; Homicídio qualificado de Isail de Aguiar; Ocultação de cadáver (três vezes); Fraude processual, por alterar provas; Associação criminosa; Furto qualificado por invadir a casa e subtrair bens de Silvana após o desaparecimento; Falso testemunho. Wagner Domingues Francisco (irmão do PM) Ocultação de cadáver (três vezes); Fraude processual, por alterar provas; Associação criminosa. O Ministério Público afirmou que recorreu da decisão da Justiça que negou o pedido de prisão de Milena e Wagner. O recurso está em tramitação no Tribunal de Justiça. Entenda os crimes da denúncia e as possíveis penas A denúncia do Ministério Público atribui uma série de crimes aos acusados. Veja a explicação de cada um e as penas previstas em lei, em caso de condenação: Feminicídio: é o homicídio praticado contra a mulher por razões da condição do gênero feminino, como no contexto de violência doméstica. A pena prevista é de reclusão de 12 a 40 anos. Homicídio qualificado: assassinato cometido sob circunstâncias que o tornam mais grave, como motivo torpe (desprezível) ou emboscada (ataque de surpresa). A pena é de reclusão de 12 a 30 anos. Ocultação de cadáver: crime que consiste em destruir, subtrair ou esconder um corpo ou parte dele para evitar que seja encontrado. A pena é de reclusão de 1 a 3 anos, e multa. Abandono de incapaz: deixar sem assistência uma pessoa que está sob seu cuidado e não pode se defender dos riscos resultantes do abandono. A pena é de reclusão de 2 a 5 anos, podendo aumentar em um terço caso a vítima seja parente do criminoso. Falsidade ideológica: inserir ou omitir informação falsa em documento, com o fim de prejudicar direito ou alterar a verdade sobre um fato relevante. A pena é de reclusão de 1 a 5 anos. Furto qualificado: subtrair bens de outra pessoa com o agravante de certas circunstâncias, como abuso de confiança ou praticado por duas ou mais pessoas. A pena é de reclusão de 2 a 8 anos, e multa. Fraude processual: modificar a cena do crime, provas ou o estado de pessoas para induzir a erro o juiz ou o perito. A pena é de detenção de 3 meses a 2 anos, e multa. Falso testemunho: fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade como testemunha em processo ou investigação. A pena é de reclusão de 2 a 4 anos, e multa. Associação criminosa: unir-se a três ou mais pessoas com o objetivo específico de cometer crimes. A pena é de reclusão de 1 a 3 anos. Situação dos outros indiciados Outras três pessoas, que haviam sido indiciadas pela Polícia Civil, não foram denunciadas pelo MPRS com o trio. O órgão adotou medidas diferentes para cada uma. As mães do PM e de sua atual companheira não foram denunciadas por associação criminosa. O promotor determinou a abertura de uma apuração em separado por fraude processual, na qual poderá ser avaliado um Acordo de Não Persecução Penal. 🔎 O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) é celebrado entre o Ministério Público e o investigado e permite encerrar investigações de crimes de menor gravidade sem a necessidade de um processo penal, desde que o investigado confesse o crime e cumpra condições ajustadas, como reparar o dano ou prestar serviços comunitários. Em relação a um amigo do casal, o MPRS arquivou os indiciamentos por fraude processual e associação criminosa por falta de provas. Contudo, ele será investigado em um processo à parte pelo crime de falso testemunho. As defesas de Cristiano e de Milena Ruppental Domingues afirmam que ainda não obtiveram acesso à integra do material e irão se manifestar no momento oportuno. Já a defesa de Wagner Domingues Francisco, irmão de Cristiano, afirma que "as acusações até então divulgadas, tanto pela Polícia Civil quanto pelo Ministério Público, consistem em versões unilaterais, não submetidas ao contraditório e à ampla defesa, o que impõe cautela na formação de qualquer juízo conclusivo" e que irá se manifestar durante o processo. Cristiano Domingues Francisco, suspeito no desaparecimento da família Aguiar Renan Mattos / Agencia RBS Ouça áudios gerados por IA que PM suspeito de matar ex-mulher usou para atrair e assassinar os pais dela Vítima chamou ex-marido PM de 'psicopata' em áudio antes de desaparecer Áudios, vídeos e geolocalização permitem reconstrução do final de semana do desaparecimento O que a polícia não conseguiu desvendar no desaparecimento da família Aguiar 'Crime planejado com montagem teatral': polícia conclui inquérito sobre família desaparecida O que disseram as defesas à época dos indiciamentos ➡️ Milena Ruppenthal Domingues (mulher de Cristiano), Paulo da Silva (amigo de Cristiano), Maria Rosane Domingues Francisco (mãe de Cristiano) e Ivone Ruppenthal (sogra de Cristiano): "A defesa de Milena, Paulo, Maria Rosane e Ivone informa que, ao longo do regular trâmite processual, será devidamente demonstrada — com a garantia do contraditório e da ampla defesa — a inocência dos envolvidos, bem como a fragilidade dos indícios apresentados no inquérito policial. Ressalta-se, ainda, que serão levadas ao conhecimento do Poder Judiciário as irregularidades ocorridas durante a investigação, somadas a eventuais abusos praticados, os quais serão oportunamente apurados pelos meios legais cabíveis. A defesa reitera sua confiança na Justiça e no devido processo legal, certos de que os fatos serão esclarecidos de forma técnica e fundamentada. Declaram-se absolutamente inocentes das acusações." Relembre o caso Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar Imagens cedidas/Polícia Civil O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira: Antes do sumiço 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar; 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal. O fim de semana dos desaparecimentos 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento. Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro: - 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois; - 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa; - 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora. 25 de janeiro (domingo): - Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada; - Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde; - Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos. Início das investigações 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos; 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações; 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal; 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos; 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate. Perícias e prisão 5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa. 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais; 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal); 10 de fevereiro: - Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação. - Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso; - O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos. Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação 13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos. 20 de fevereiro: - O policial militar prestou depoimento à polícia. De acordo com a defesa, Cristiano ficou em silêncio; - Polícia confirma que o mesmo carro entrou duas vezes na residência de Silvana no dia em que ela desapareceu. Contudo, não foi possível identificar a placa. Assim, não se sabe quem é o proprietário. 24 de fevereiro: A perícia do celular Silvana mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, diferente do que indicava a publicação feita em 24 de janeiro em suas redes sociais. 24 e 25 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa um mês. Buscas com cães 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026. 26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha. 9 de março: Prisão de PM suspeito do desaparecimento é prorrogada por 30 dias. 13 de março: Bombeiros realizam mais trabalhos de busca em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre. Os agentes usam cães farejadores. 24 e 25 de março: O desaparecimento da família Aguiar completa dois meses. 9 de abril: Justiça decreta a prisão preventiva do policial militar Cristiano Domingues Francisco. Infográfico mostra sequência de fatos sobre o desaparecimento de três membros da família Aguiar no RS Arte/g1 PM indiciado criou áudio falso com IA para enganar ex-sogros após sumiço da ex-mulher, diz polícia VÍDEOS: Tudo sobre o RS
Família Aguiar: veja o papel de cada denunciado e entenda os crimes apontados pelo MP
Guia Modelo Escrito em 05/05/2026
Áudio com IA: vítimas desaparecidas no RS foram atraídas por áudio falso O Ministério Público denunciou, nesta segunda-feira (4), três pessoas pelo desaparecimento e morte de três membros da família Aguiar, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O policial militar Cristiano Domingues Francisco, sua atual esposa, Milena Ruppenthal Domingues, e seu irmão, Wagner Domingues Francisco, foram acusados. 🔎 Silvana de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde 24 e 25 de janeiro. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A denúncia, apresentada pelo promotor de Justiça Caio Isola de Aro, aponta que a motivação dos crimes está ligada a conflitos pela guarda do filho de Cristiano com Silvana e ao inconformismo do PM com os limites impostos por ela. Segundo a Promotoria, Silvana foi assassinada em uma emboscada em sua casa na noite de 24 de janeiro. No dia seguinte, seus pais foram atraídos por mensagens e ligações que simulavam ser da filha e mortos em locais diferentes. Os corpos das três vítimas ainda não foram localizados. O órgão afirma que os crimes teriam sido cometidos de forma coordenada para assegurar a impunidade, com ocultação dos cadáveres e manobras para dificultar a investigação. Veja os crimes atribuídos a cada um pelo MP: Cristiano Domingues Francisco (PM e ex-marido de Silvana) Feminicídio de Silvana de Aguiar e de Dalmira Germann de Aguiar; Homicídio qualificado de Isail de Aguiar; Ocultação de cadáver (três vezes); Fraude processual, por alterar provas; Associação criminosa; Falsidade ideológica, por ter utilizado o nome de outra pessoa para ativar chips de celular; Furto qualificado por invadir a casa e subtrair bens de Silvana após o desaparecimento; Abandono de incapaz, por deixar o filho em casa enquanto cometia os crimes. O MP também pediu a perda do cargo público e da capacidade de exercício do poder familiar. Milena Ruppenthal Domingues (atual esposa do PM) Feminicídio de Silvana de Aguiar e de Dalmira Germann de Aguiar; Homicídio qualificado de Isail de Aguiar; Ocultação de cadáver (três vezes); Fraude processual, por alterar provas; Associação criminosa; Furto qualificado por invadir a casa e subtrair bens de Silvana após o desaparecimento; Falso testemunho. Wagner Domingues Francisco (irmão do PM) Ocultação de cadáver (três vezes); Fraude processual, por alterar provas; Associação criminosa. O Ministério Público afirmou que recorreu da decisão da Justiça que negou o pedido de prisão de Milena e Wagner. O recurso está em tramitação no Tribunal de Justiça. Entenda os crimes da denúncia e as possíveis penas A denúncia do Ministério Público atribui uma série de crimes aos acusados. Veja a explicação de cada um e as penas previstas em lei, em caso de condenação: Feminicídio: é o homicídio praticado contra a mulher por razões da condição do gênero feminino, como no contexto de violência doméstica. A pena prevista é de reclusão de 12 a 40 anos. Homicídio qualificado: assassinato cometido sob circunstâncias que o tornam mais grave, como motivo torpe (desprezível) ou emboscada (ataque de surpresa). A pena é de reclusão de 12 a 30 anos. Ocultação de cadáver: crime que consiste em destruir, subtrair ou esconder um corpo ou parte dele para evitar que seja encontrado. A pena é de reclusão de 1 a 3 anos, e multa. Abandono de incapaz: deixar sem assistência uma pessoa que está sob seu cuidado e não pode se defender dos riscos resultantes do abandono. A pena é de reclusão de 2 a 5 anos, podendo aumentar em um terço caso a vítima seja parente do criminoso. Falsidade ideológica: inserir ou omitir informação falsa em documento, com o fim de prejudicar direito ou alterar a verdade sobre um fato relevante. A pena é de reclusão de 1 a 5 anos. Furto qualificado: subtrair bens de outra pessoa com o agravante de certas circunstâncias, como abuso de confiança ou praticado por duas ou mais pessoas. A pena é de reclusão de 2 a 8 anos, e multa. Fraude processual: modificar a cena do crime, provas ou o estado de pessoas para induzir a erro o juiz ou o perito. A pena é de detenção de 3 meses a 2 anos, e multa. Falso testemunho: fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade como testemunha em processo ou investigação. A pena é de reclusão de 2 a 4 anos, e multa. Associação criminosa: unir-se a três ou mais pessoas com o objetivo específico de cometer crimes. A pena é de reclusão de 1 a 3 anos. Situação dos outros indiciados Outras três pessoas, que haviam sido indiciadas pela Polícia Civil, não foram denunciadas pelo MPRS com o trio. O órgão adotou medidas diferentes para cada uma. As mães do PM e de sua atual companheira não foram denunciadas por associação criminosa. O promotor determinou a abertura de uma apuração em separado por fraude processual, na qual poderá ser avaliado um Acordo de Não Persecução Penal. 🔎 O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) é celebrado entre o Ministério Público e o investigado e permite encerrar investigações de crimes de menor gravidade sem a necessidade de um processo penal, desde que o investigado confesse o crime e cumpra condições ajustadas, como reparar o dano ou prestar serviços comunitários. Em relação a um amigo do casal, o MPRS arquivou os indiciamentos por fraude processual e associação criminosa por falta de provas. Contudo, ele será investigado em um processo à parte pelo crime de falso testemunho. As defesas de Cristiano e de Milena Ruppental Domingues afirmam que ainda não obtiveram acesso à integra do material e irão se manifestar no momento oportuno. Já a defesa de Wagner Domingues Francisco, irmão de Cristiano, afirma que "as acusações até então divulgadas, tanto pela Polícia Civil quanto pelo Ministério Público, consistem em versões unilaterais, não submetidas ao contraditório e à ampla defesa, o que impõe cautela na formação de qualquer juízo conclusivo" e que irá se manifestar durante o processo. Cristiano Domingues Francisco, suspeito no desaparecimento da família Aguiar Renan Mattos / Agencia RBS Ouça áudios gerados por IA que PM suspeito de matar ex-mulher usou para atrair e assassinar os pais dela Vítima chamou ex-marido PM de 'psicopata' em áudio antes de desaparecer Áudios, vídeos e geolocalização permitem reconstrução do final de semana do desaparecimento O que a polícia não conseguiu desvendar no desaparecimento da família Aguiar 'Crime planejado com montagem teatral': polícia conclui inquérito sobre família desaparecida O que disseram as defesas à época dos indiciamentos ➡️ Milena Ruppenthal Domingues (mulher de Cristiano), Paulo da Silva (amigo de Cristiano), Maria Rosane Domingues Francisco (mãe de Cristiano) e Ivone Ruppenthal (sogra de Cristiano): "A defesa de Milena, Paulo, Maria Rosane e Ivone informa que, ao longo do regular trâmite processual, será devidamente demonstrada — com a garantia do contraditório e da ampla defesa — a inocência dos envolvidos, bem como a fragilidade dos indícios apresentados no inquérito policial. Ressalta-se, ainda, que serão levadas ao conhecimento do Poder Judiciário as irregularidades ocorridas durante a investigação, somadas a eventuais abusos praticados, os quais serão oportunamente apurados pelos meios legais cabíveis. A defesa reitera sua confiança na Justiça e no devido processo legal, certos de que os fatos serão esclarecidos de forma técnica e fundamentada. Declaram-se absolutamente inocentes das acusações." Relembre o caso Silvana Germann de Aguiar, Dalmira Germann de Aguiar e Isail Vieira de Aguiar Imagens cedidas/Polícia Civil O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira: Antes do sumiço 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar; 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal. O fim de semana dos desaparecimentos 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento. Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro: - 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois; - 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa; - 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora. 25 de janeiro (domingo): - Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada; - Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde; - Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos. Início das investigações 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos; 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações; 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal; 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos; 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate. Perícias e prisão 5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa. 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais; 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal); 10 de fevereiro: - Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação. - Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso; - O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos. Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação 13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos. 20 de fevereiro: - O policial militar prestou depoimento à polícia. De acordo com a defesa, Cristiano ficou em silêncio; - Polícia confirma que o mesmo carro entrou duas vezes na residência de Silvana no dia em que ela desapareceu. Contudo, não foi possível identificar a placa. Assim, não se sabe quem é o proprietário. 24 de fevereiro: A perícia do celular Silvana mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, diferente do que indicava a publicação feita em 24 de janeiro em suas redes sociais. 24 e 25 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa um mês. Buscas com cães 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026. 26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha. 9 de março: Prisão de PM suspeito do desaparecimento é prorrogada por 30 dias. 13 de março: Bombeiros realizam mais trabalhos de busca em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre. Os agentes usam cães farejadores. 24 e 25 de março: O desaparecimento da família Aguiar completa dois meses. 9 de abril: Justiça decreta a prisão preventiva do policial militar Cristiano Domingues Francisco. Infográfico mostra sequência de fatos sobre o desaparecimento de três membros da família Aguiar no RS Arte/g1 PM indiciado criou áudio falso com IA para enganar ex-sogros após sumiço da ex-mulher, diz polícia VÍDEOS: Tudo sobre o RS