Campanha de Lula pede ao TSE retirada de 255 perfis e compensação por alcance perdido na Meta

Guia Modelo Escrito em 15/10/2026


A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, pediu ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que determine à Meta a retirada de uma rede de 255 perfis apontados como automatizados ou inautênticos. A coligação pediu ainda a recomposição do alcance de conteúdos da campanha que teriam sido prejudicados pela plataforma. A campanha já havia acionado a Justiça Eleitoral nesta quarta-feira (14) questionando, entre outros pontos, o alcance de publicações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o funcionamento da ferramenta Meta AI. Agora, a coligação pede providências diretamente à Presidência do tribunal. Segundo a campanha, a Meta descumpre o plano de conformidade apresentado à Justiça Eleitoral. Campanha de Lula aciona TSE e acusa Meta de favorecer Flávio Bolsonaro Entre as medidas solicitadas, a coligação quer que a Meta seja notificada para, em até seis horas, cessar as irregularidades apontadas e comprovar o cumprimento das determinações. Também pede a retirada da rede de perfis considerados inautênticos, a recomposição do alcance de conteúdos e multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento, inicialmente limitada a R$ 5 milhões (entenda mais abaixo). Flávio Bolsonaro e Lula REUTERS/Diego Vara e REUTERS/Adriano Machado Campanha pede recomposição em dobro No caso da perda de alcance, a campanha pede a “recomposição do alcance dos conteúdos dos perfis oficiais da Coligação e de seu candidato, mediante entrega corretiva integralmente custeada pela plataforma, em volume equivalente ao dobro da perda apurada”. Segundo a petição, a perda seria calculada pela diferença entre a distribuição que os conteúdos teriam na ausência dos incidentes apontados e as impressões efetivamente entregues. Caso o pedido de recomposição em dobro não seja aceito, a coligação solicita, alternativamente, a recomposição simples, equivalente à perda apurada. Para conteúdos de terceiros apoiadores do candidato que teriam sido atingidos por redução, bloqueio ou indisponibilização não amparados por norma eleitoral, a coligação também pede a redistribuição nas superfícies de recomendação do Instagram e do Facebook. Reunião com a Meta A discussão ocorre no momento em que Nunes Marques também ouve as campanhas sobre a atuação das plataformas digitais. Nesta quarta, advogados das campanhas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversários no segundo turno, se reuniram para discutir regras relacionadas aos canais de apoiadores no WhatsApp. Nunes Marques participou da parte final da reunião. Durante o encontro, o presidente do TSE também ouviu queixas dos advogados sobre a atuação da Meta e deve se reunir com representantes da plataforma ainda nesta manhã. A reunião está prevista para 9h. Segundo interlocutores, entre as demandas estão a igualdade de tratamento entre os candidatos em relação a algoritmos e ferramentas de inteligência artificial e o combate ao impulsionamento irregular de conteúdos. Rede de 255 perfis Um dos pedidos apresentados pela coligação de Lula envolve uma rede de 255 perfis no Instagram que, segundo relatório do Instituto Democracia em Xeque citado pela campanha, seria gerida com inteligência artificial. De acordo com a petição, o levantamento atribuiu à rede 58,6 milhões de visualizações no mês monitorado e afirma que ela foi utilizada para publicar conteúdos contra Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a primeira-dama. A coligação pede a remoção ou indisponibilização imediata das contas que classifica como automatizadas ou inautênticas. Também solicita informações sobre os meios técnicos utilizados pela plataforma para identificar redes coordenadas e sobre as providências adotadas. O que a campanha já questionou A campanha de Lula acusou a Meta de restringir o alcance de publicações ligadas ao presidente e a seus apoiadores enquanto conteúdos associados à candidatura adversária teriam distribuição ampliada. A coligação também questionou o alcance de publicações de Nikolas Ferreira e pediu esclarecimentos sobre os critérios de recomendação de conteúdo da plataforma. A petição apresentada à Presidência do TSE também aponta que a conta de anúncios da campanha de Lula chegou a ser desabilitada. Segundo o documento, a Meta reconheceu anteriormente que duas restrições haviam sido “erroneamente tratadas como graves”. Outro ponto é o funcionamento da Meta AI. Segundo a campanha, testes realizados na ferramenta indicaram tratamento diferente para pedidos relacionados às duas candidaturas. A coligação pede que a Meta aplique os mesmos critérios de segurança e de conformidade eleitoral a todos os candidatos. A petição também cita levantamentos sobre conteúdos políticos produzidos com inteligência artificial durante período em que a circulação desse tipo de material era vedada pelas regras eleitorais, além de anúncios que, segundo a coligação, teriam sido contratados do exterior ou por pessoas não autorizadas. Além da retirada de conteúdos e da recomposição de alcance, a campanha pede que a Meta preserve registros relacionados à entrega, moderação e anúncios e apresente relatório diário sobre as providências adotadas até 25 de outubro. - Esta reportagem está em atualização