Justiça manda soltar PM que dirigia viatura em caso de morte de jovem durante abordagem em Manaus

Guia Modelo Escrito em 01/05/2026


Vídeos mostram disparos feitos por policial em caso de morte de jovem em Manaus A Justiça do Amazonas decidiu, nesta quinta-feira (30), revogar a prisão do policial militar Hudson Marcelo Vilela de Campos, que dirigia a viatura envolvida na morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, durante uma abordagem, em Manaus. O pedido foi feito pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), que apresentou vídeos anexados ao processo indicando que os disparos foram feitos pelo outro policial que estava na viatura. Assista acima. Carlos André de Almeida Cardoso foi atingido com um tiro no peito na rua 6, bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste da capital, no dia 19 de abril. Uma câmera de segurança registrou a abordagem. Nas imagens, é possível ver o momento em que o jovem é cercado e agredido pelos policiais. No documento, obtido com exclusividade pela Rede Amazônica, o Ministério Público detalhou a dinâmica da ocorrência e apontou que não há, até o momento, elementos que indiquem participação direta de Hudson nos disparos, que foram registrados em vídeos e anexados ao processo. Segundo o documento, a perseguição começou após os policiais avistarem o jovem em uma motocicleta sem placa. Hudson dirigia a viatura, enquanto o sargento Belmiro Wellington Costa Xavier, que estava no banco do carona estava com uma arma de fogo. O g1 tenta localizar a defesa de Hudson. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Ainda de acordo com o MP, durante a perseguição, o sargento fez um primeiro disparo para o alto, como forma de advertência. Em nenhum momento, segundo a petição, Hudson teria manuseado arma ou adotado qualquer conduta relacionada ao uso de força letal. Na sequência, ao chegarem a um cruzamento, o sargento teria feito um segundo disparo, que atingiu o jovem na região do peito e causou a morte. Após esses dois tiros, não houve outros disparos, conforme o pedido. O Ministério Público afirmou ainda que todos os atos ligados aos tiros foram praticados pelo sargento e que não há indícios de que Hudson tenha contribuído para o crime. O órgão também destacou que o fato de o policial dirigir a viatura faz parte da função e, por si só, não caracteriza participação na ação que resultou na morte. Com base nisso, o MP entendeu que não há necessidade de manter a prisão do motorista da viatura neste momento, já que as principais etapas da investigação já foram realizadas. Com a decisão, Hudson terá que cumprir medidas como comparecer à Justiça a cada 30 dias, não mudar de endereço sem avisar e atender a todas as convocações judiciais. Ele também está proibido de ter contato com vítimas, familiares e testemunhas, devendo manter distância mínima de 300 metros. Caso descumpra qualquer uma dessas determinações, pode voltar a ser preso. Belmiro Wellington Costa Xavier e de Hudson Marcelo Vilela de Campos Reprodução/Redes Sociais O advogado do sargento Belmiro Wellington, Samarone Gomes, afirmou que a decisão recente, que soltou o aluno soldado Hudson, já demonstra que houve "justiça", ao reconhecer, segundo ele, a ausência dos requisitos legais para a manutenção da prisão. O advogado também acredita que o mesmo entendimento deve ser aplicado a Belmiro. Ainda de acordo com a defesa, o policial teria agido, naquele momento, no estrito cumprimento do dever legal, com a intenção de cessar uma suposta injusta agressão. A defesa informou também que, com acesso completo às imagens anexadas ao processo, pretende apresentar uma análise técnica para sustentar essa versão dos fatos. PERFIL: Quem era o jovem morto após abordagem da Polícia Militar em Manaus Relembre o caso De acordo com familiares da vítima, o rapaz estava em uma motocicleta quando foi abordado por policiais militares por volta das 2h45. A mãe dele relatou que, ao chegar ao local, encontrou o filho caído no chão, com a moto ao lado. Segundo ela, os policiais inicialmente afirmaram que o jovem havia sofrido um acidente. "Quando eu cheguei lá, eu fui desesperada pra cima do corpo. Falaram que eu não podia chegar perto, que ele tinha sofrido um acidente, colidido com a calçada e quebrado o pescoço. Até então, eu me conformei, fiquei lá esperando a perícia. Nisso que a perícia chegou, a primeira coisa que eles fizeram foi virar o corpo e apontar o tiro que ele tomou no peito", disse a mãe. Uma câmera de segurança registrou a abordagem. Nas imagens, é possível ver o momento em que o jovem é cercado e agredido pelos policiais. Segundo a mãe da vítima, testemunhas relataram que os agentes impediram pessoas de se aproximarem do local após os disparos. Carlos André, de 19 anos, morto durante abordagem da PM em Manaus. Reprodução/Redes Sociais "O que eles fizeram foi totalmente desumano. Eles não foram fazer uma abordagem, eles vieram para matar", afirmou a mãe. O irmão da vítima, que é tenente da Polícia Militar, também compareceu ao local. A ele, os policiais teriam contado outra versão: de que efetuaram disparos para o alto, mas a família questiona como o tiro teria atingido o peito do jovem. Segundo o laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML), a morte foi causada por ferimentos por projétil de arma de fogo. Também foi constatada lesão no pulmão. Morte durante abordagem policial: familiares e amigos cobram justiça em Manaus - part.2