Santarém lidera ranking nacional de vulnerabilidade na pesca artesanal

Guia Modelo Escrito em 14/09/2026


Mapeamento Socioterritorial revela forte presença feminina e de populações negras e indígenas entre os municípios mais expostos a riscos climáticos e conflitos territoriais Divulgação: Chico Barros Santarém, no oeste do Pará, é o município com o maior índice de vulnerabilidade para as comunidades da pesca artesanal no Brasil. O dado é do Índice de Vulnerabilidade Territorial Tradicional (IVTT), elaborado pela Fiocruz e apresentado na sede do Ministério da Pesca e Aquicultura. O estudo aponta a combinação de riscos climáticos, histórico de desastres e a forte presença de populações tradicionais como os principais fatores para a liderança no ranking nacional. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp Atualmente, Santarém tem 7.807 pescadores artesanais registrados, dos quais 2.804 são mulheres, o que representa mais de 34% do total de profissionais. O levantamento revela que 97,8% desses trabalhadores se identificam como pretos ou pardos, e cerca de 0,9% como indígenas. O município abriga duas terras indígenas e seis territórios quilombolas, evidenciando a relação direta entre a atividade pesqueira e a sobrevivência de povos tradicionais. O índice integra o projeto "Mulheres Pescadoras – Autonomia, Igualdade e Sustentabilidade Ambiental", uma parceria entre a Fiocruz, o Ministério das Mulheres e o Ministério da Pesca. O indicador funciona como uma ferramenta para mapear áreas prioritárias e direcionar políticas públicas de apoio e proteção a essas comunidades, que sofrem com a sobreposição de dificuldades sociais e ambientais. A pesquisa analisou 52 municípios prioritários nas cinco regiões do país. O estado do Pará também aparece em destaque com o município de Bragança, que ocupa a quinta posição nacional de vulnerabilidade. No Amazonas, a cidade de São Paulo de Olivença é outra que figura entre as dez primeiras colocadas. Para o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, o resultado reforça a necessidade urgente de ações voltadas a quem tira o sustento das águas. Ele destacou que esses trabalhadores enfrentam desafios diários e históricos para colocar alimento na mesa dos brasileiros. Pesca do mapará em Alenquer: atividade artesanal sustenta famílias e mantém tradição "A história de quem trabalha com a pesca artesanal é marcada por lutas e resiliência. Quem ajuda a colocar alimento na mesa de milhões de brasileiros e brasileiras, geralmente, tem as águas como a única fonte de sustento. São homens e mulheres que têm a pesca como missão de vida", destacou o ministro. Em Santarém, o diagnóstico serve como um alerta para que o poder público fortaleça a segurança alimentar, a saúde e a economia de quem depende diretamente dos rios e lagos para viver.