'Predador sexual' se passava por criança no chat do Roblox para atrair vítimas de 10 anos; entenda como agia

Guia Modelo Escrito em 05/07/2026


Usuário fazia postagens de cunho sexual Cedidas pela Polícia Civil O homem de 21 anos preso por crimes sexuais no Roblox e nas redes sociais se passava por criança para atrair vítimas em chats de jogos on-line. Após criar uma relação de confiança, ele induzia as vítimas a enviar imagens íntimas por meio de outras plataformas, já que o chat do Roblox não permite o envio de fotos ou vídeos. ✅ Siga o g1 Ponta Grossa no WhatsApp Pelo menos cinco vítimas foram identificadas pela Polícia Civil do Paraná (PC-PR), que localizou o homem em Teolândia (BA), onde ele mora. Ele está preso desde terça-feira (30). O nome dele não foi divulgado e o o processo tramita sob sigilo. 🔍 O Roblox é uma plataforma global on-line e um sistema de criação de jogos. Ele permite que os usuários joguem títulos criados por outros desenvolvedores, além de programar e publicar seus próprios jogos. Roblox começa liberar novos tipos de conta para menores de 16 anos Mais sobre o caso: 'Predador sexual' que agia no Roblox tinha mesmo comportamento no Free Fire Conforme o delegado Thiago Pinheiro, a investigação iniciou em Arapoti, nos Campos Gerais do Paraná, após uma mãe descobrir que a filha de 10 anos conversava com o homem e trocava fotos e vídeos com ele. Ela descobriu a situação após ver a menina com a lanterna do celular ligada à noite e estranhar o comportamento. Ao g1, o delegado explicou que, diferentemente de outros casos, o suspeito não ameaçava as vítimas, mas, sim, mentia que também era criança, as conquistava e fazia chantagem emocional. "Após estabelecer um falso vínculo de confiança, o investigado passava a exigir o envio de fotos íntimas da criança de roupa íntima, enviava imagens de sua própria genitália e dava ordens expressas para que as vítimas apagassem as mensagens, visando ocultar os abusos dos pais", explica Thiago Pinheiro. No inquérito que apura o caso, há prints de publicações com cunho sexual que o homem fazia também no Instagram por meio de uma conta falsa. As imagens mostram que ele tentava provocar interações de crianças e jovens em que eles expusessem intimidades incompatíveis com as idades deles. "O suspeito agia como um predador virtual em série, aproveitando-se do anonimato e da ausência de barreiras geográficas da internet. Ele praticava o 'grooming', mentindo ter 13 ou 15 anos de idade para ganhar a confiança de meninas em torno de 12 anos", disse o delegado. 🔍 Grooming é uma prática de manipulação em que um adulto conquista gradualmente a confiança de uma criança ou adolescente para explorar, abusar ou obter vantagens, muitas vezes de natureza sexual. É algo que pode ocorrer presencialmente ou pela internet e costuma incluir aproximação, criação de um vínculo emocional, isolamento da vítima e ocultação do abuso. O g1 entrou em contato com a assessoria de imprensa do Roblox, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Durante a prisão, foram apreendidos um aparelho celular, um console de videogame e dois pendrives. A corporação analisa os equipamentos eletrônicos para verificar a possibilidade de existirem mais vítimas. Ele deve responder por aliciamento de criança para a prática de ato libidinoso, satisfação de lascívia mediante presença de criança, produção de cena de sexo explícito envolvendo vulnerável e armazenamento de conteúdo sexual infantil. Leia também: Em depoimentos: Cachorro é 'contratado' por Fórum para apoiar vítimas de violência Durante treino: Policial de 28 anos morre após sofrer infarto enquanto corria Mudanças climáticas: Paraná foi atingido por 8 tornados em menos de 9 meses Diálogo entre pais e crianças é fundamental para identificar abusos Cecília Landarin, analista de projetos do Centro Marista de Defesa da Infância, aponta que o caso é um exemplo de como o combate à violência sexual contra crianças e adolescentes depende de uma ampla rede de cuidado e proteção. "A violência sexual acontece também nesse ambiente, né? E ela precisa ser enfrentada com prevenção, com diálogo, com educação, com responsabilidade das plataformas, das famílias e da sociedade", destaca Landarin. Para a especialista, a relação entre pais e filhos é fundamental para identificar sinais de abusos. Como aconteceu no caso descoberto pela mãe em Arapoti, ela destaca que os pais precisam estar atentos a mudanças de comportamento. "A gente evita trabalhar com um 'checklist' de sinais, porque cada criança vai manifestar isso de uma forma. [...] As mudanças bruscas de comportamento precisam ser observadas. Quando uma criança começa a esconder o celular, a gente tem uma responsabilidade como famílias." Polêmica do Roblox O Roblox foi alvo de crescentes denúncias e investigações no Brasil após casos de aliciamento e conteúdos impróprios virem à tona. Em janeiro de 2026, o jogo restringiu o uso do chat para crianças: jogadores só podem conversar com usuários de faixas etárias parecidas. A medida não agradou parte do público, que começou uma série de protestos virtuais na plataforma. Depois, a plataforma começou a liberar dois novos tipos de conta para menores de 16 anos. Jogadores de 9 a 15 anos serão direcionados para a versão Roblox Select, e menores de 9 anos usarão a Roblox Kids. Maiores de 16 anos continuarão na versão padrão. Com a mudança, será preciso provar a idade por selfie para abrir jogos voltados a adultos. Relembre: A revolta do Roblox: Jogadores fazem protesto virtual após restrição do chat No Brasil: Roblox exige que menores de 16 anos usem versões adequadas Vídeos mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Paraná.