Foi assassinado a tiros dentro de casa na zona Oeste de Boa Vista A Polícia Militar de Roraima instaurou Conselhos de Disciplina para apurar a participação de três sargentos da corporação no assassinato de José Roberto Souza da Silva. O crime ocorreu em maio de 2024 e expôs uma rede criminosa de agentes públicos ligados ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Eles foram afastados das funções em julho de 2026. A investigação aponta a participação direta do 1º sargento Anemésio Silva da Cunha, que negociou valores e ofereceu apoio logístico na execução do homicídio; do 2º sargento Starley Vieira da Silva, que coordenou logística, armas e o pagamento pelo crime; e do 3º sargento Everson Brasil da Silva, que vigiou a vítima e seria o principal suspeito de atirar em José Roberto. Entenda 🔎: conselhos de disciplina são processos administrativos internos da PM. Eles julgam a conduta, investigam outras infrações ou investigações que envolvem militares específicos e podem resultar na expulsão dos agentes da corporação. A Rede Amazônica solicitou um posicionamento à Polícia Militar de Roraima sobre o assunto, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. O g1 tenta localizar a defesa de todos os citados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp José Roberto Souza da Silva foi morto a tiros no dia 10 de maio de 2024, em frente à própria casa, no bairro Jardim Primavera, em Boa Vista. Segundo as investigações, a vítima fazia parte do grupo criminoso formado pelos próprios assassinos e liderado pelo empresário e garimpeiro Lidivan Santos dos Reis, também investigado por tráfico de drogas. Porém, um desentendimento com a quadrilha motivou José Roberto a mudar de lado e ele passou a atuar como informante da polícia contra o grupo. A constatação ocorreu após peritos localizaram um relatório de inteligência militar no carro de José Roberto logo após o crime. O documento detalhava a atuação de criminosos na Terra Indígena Yanomami e a estrutura de seguranças e armamentos. O arquivo apontava Lidivan como o principal líder da extração ilegal e da logística na área conhecida como "Garimpo do Pupunha". Oficiais da PM determinaram o afastamento de Anemésio, Starley e Everson das funções. A polícia também solicitou uma junta médica para avaliar a condição física e psicológica de cada um. Anemésio já cumpre pena no controle prisional da instituição por outras razões. Infográfico mostra ligação entre mandante do crime e PMs investigados por assassinato; grupo ainda contava com informantes. Reprodução Investigação por homicídio A polícia desvendou o crime três dias após o assassinato, no dia 13 de maio de 2024. Uma equipe da da própria PM localizou um veículo com as mesmas características do carro usado no homicídio. O motorista abordado era o sargento Starley. Ele foi levado à Delegacia Geral de Homicídios (DGH), que apreendeu o veículo, a arma da corporação e o celular do policial. Foi a extração de dados deste aparelho que expôs a rede criminosa e as conversas sobre o homicídio. Segundo a investigação, o aparelho continha conversas sobre o planejamento do assassinato. O sargento Starley buscou armas não rastreáveis e combinou os ataques com Everson Brasil. Em um dos diálogos interceptados, Starley alerta Everson sobre a necessidade de agir à noite. "A gente vai ter que localizar ele a noite, ver onde é que ele tá... a gente tem que estar com as peças já no jeito", disse. Para atrair a vítima, Starley conversou com a viúva de um antigo membro do grupo, e planejou uma emboscada: "Temos que armar aquela situação pra ele ir só". O sargento Anemésio também aparece nas conversas. Ele exige pagamentos e se oferece para a ação. "Arrumou o 3º homem? Não me cabe aí na missão? Quanto pra cada?", questionou. Starley responde de forma direta: "É 50 mil o serviço". Mandante e histórico de crimes O garimpeiro Lidivan Santos dos Reis é o suspeito de encomendar a morte de José Roberto. Lidivan comandava a extração ilegal no "Garimpo do Pupunha" e decidiu eliminar a vítima após descobrir a delação à polícia. O mandante tem histórico de prisões com armas pesadas. Para concretizar o crime, Lidivan contou com o ex-policial militar Gilson Viana Gomes, conhecido como Mutum, morto em dezembro de 2024 em uma região de garimpo ilegal na Terra Yanomami. Mutum repassou informações sobre a rotina de José Roberto e repassou o dinheiro para os policiais. Mutum era apontado como suspeito de ser pistoleiro em regiões de garimpo ilegal em Roraima e tem acusações de envolvimento em pelo menos 12 assassinatos ocorridos entre os anos de 2015 e 2020. Viana foi preso em 2021 e tinha três mandados de prisão em aberto mas fugiu em outubro de 2023. A rede de apoio inclui também uma viúva de Jaime Miguel de Morais, o Magrão, morto a tiros no município de Mucajaí, em setembro de 2023. A viúva confessou medo da vítima, monitorou os passos de José Roberto e forneceu informações aos atiradores. Magrão era um antigo parceiro de Mutum e cometeu crimes violentos, como o sequestro de um homem em Caracaraí. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
PMs ligados ao garimpo ilegal na Terra Yanomami são alvos de processo após execução de garimpeiro em Roraima
Guia Modelo Escrito em 23/07/2026
Foi assassinado a tiros dentro de casa na zona Oeste de Boa Vista A Polícia Militar de Roraima instaurou Conselhos de Disciplina para apurar a participação de três sargentos da corporação no assassinato de José Roberto Souza da Silva. O crime ocorreu em maio de 2024 e expôs uma rede criminosa de agentes públicos ligados ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Eles foram afastados das funções em julho de 2026. A investigação aponta a participação direta do 1º sargento Anemésio Silva da Cunha, que negociou valores e ofereceu apoio logístico na execução do homicídio; do 2º sargento Starley Vieira da Silva, que coordenou logística, armas e o pagamento pelo crime; e do 3º sargento Everson Brasil da Silva, que vigiou a vítima e seria o principal suspeito de atirar em José Roberto. Entenda 🔎: conselhos de disciplina são processos administrativos internos da PM. Eles julgam a conduta, investigam outras infrações ou investigações que envolvem militares específicos e podem resultar na expulsão dos agentes da corporação. A Rede Amazônica solicitou um posicionamento à Polícia Militar de Roraima sobre o assunto, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. O g1 tenta localizar a defesa de todos os citados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp José Roberto Souza da Silva foi morto a tiros no dia 10 de maio de 2024, em frente à própria casa, no bairro Jardim Primavera, em Boa Vista. Segundo as investigações, a vítima fazia parte do grupo criminoso formado pelos próprios assassinos e liderado pelo empresário e garimpeiro Lidivan Santos dos Reis, também investigado por tráfico de drogas. Porém, um desentendimento com a quadrilha motivou José Roberto a mudar de lado e ele passou a atuar como informante da polícia contra o grupo. A constatação ocorreu após peritos localizaram um relatório de inteligência militar no carro de José Roberto logo após o crime. O documento detalhava a atuação de criminosos na Terra Indígena Yanomami e a estrutura de seguranças e armamentos. O arquivo apontava Lidivan como o principal líder da extração ilegal e da logística na área conhecida como "Garimpo do Pupunha". Oficiais da PM determinaram o afastamento de Anemésio, Starley e Everson das funções. A polícia também solicitou uma junta médica para avaliar a condição física e psicológica de cada um. Anemésio já cumpre pena no controle prisional da instituição por outras razões. Infográfico mostra ligação entre mandante do crime e PMs investigados por assassinato; grupo ainda contava com informantes. Reprodução Investigação por homicídio A polícia desvendou o crime três dias após o assassinato, no dia 13 de maio de 2024. Uma equipe da da própria PM localizou um veículo com as mesmas características do carro usado no homicídio. O motorista abordado era o sargento Starley. Ele foi levado à Delegacia Geral de Homicídios (DGH), que apreendeu o veículo, a arma da corporação e o celular do policial. Foi a extração de dados deste aparelho que expôs a rede criminosa e as conversas sobre o homicídio. Segundo a investigação, o aparelho continha conversas sobre o planejamento do assassinato. O sargento Starley buscou armas não rastreáveis e combinou os ataques com Everson Brasil. Em um dos diálogos interceptados, Starley alerta Everson sobre a necessidade de agir à noite. "A gente vai ter que localizar ele a noite, ver onde é que ele tá... a gente tem que estar com as peças já no jeito", disse. Para atrair a vítima, Starley conversou com a viúva de um antigo membro do grupo, e planejou uma emboscada: "Temos que armar aquela situação pra ele ir só". O sargento Anemésio também aparece nas conversas. Ele exige pagamentos e se oferece para a ação. "Arrumou o 3º homem? Não me cabe aí na missão? Quanto pra cada?", questionou. Starley responde de forma direta: "É 50 mil o serviço". Mandante e histórico de crimes O garimpeiro Lidivan Santos dos Reis é o suspeito de encomendar a morte de José Roberto. Lidivan comandava a extração ilegal no "Garimpo do Pupunha" e decidiu eliminar a vítima após descobrir a delação à polícia. O mandante tem histórico de prisões com armas pesadas. Para concretizar o crime, Lidivan contou com o ex-policial militar Gilson Viana Gomes, conhecido como Mutum, morto em dezembro de 2024 em uma região de garimpo ilegal na Terra Yanomami. Mutum repassou informações sobre a rotina de José Roberto e repassou o dinheiro para os policiais. Mutum era apontado como suspeito de ser pistoleiro em regiões de garimpo ilegal em Roraima e tem acusações de envolvimento em pelo menos 12 assassinatos ocorridos entre os anos de 2015 e 2020. Viana foi preso em 2021 e tinha três mandados de prisão em aberto mas fugiu em outubro de 2023. A rede de apoio inclui também uma viúva de Jaime Miguel de Morais, o Magrão, morto a tiros no município de Mucajaí, em setembro de 2023. A viúva confessou medo da vítima, monitorou os passos de José Roberto e forneceu informações aos atiradores. Magrão era um antigo parceiro de Mutum e cometeu crimes violentos, como o sequestro de um homem em Caracaraí. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.