PF investigado por intimidar estudantes na UFMT após lista de 'estupráveis' apresenta atestado e adia depoimento

Guia Modelo Escrito em 01/06/2026


UFMT suspende aulas presenciais após denúncias de incitação à violência contra mulheres no campus O agente da Polícia Federal, pai de um dos estudantes apontados na investigação sobre a lista com nomes de mulheres classificadas como "estupráveis" na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), está afastado por licença médica e ainda não prestou depoimento à corporação. Segundo a Polícia Federal, ele também é alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) após ter ido à universidade e, supostamente, intimidado estudantes envolvidos nas denúncias. De acordo com a universidade, o policial registrou um boletim de ocorrência alegando que o filho estaria sendo ameaçado por outros estudantes. Conforme o relato, essa teria sido a motivação para a ida ao campus. Imagens das câmeras de segurança da universidade mostram o suspeito caminhando pelos corredores com uma mochila, um boné preto e um objeto na cintura semelhante a uma pasta (veja vídeo abaixo). Segundo a Policia Federal, durante as investigações, a arma do servidor também foi recolhida. O depoimento à Corregedoria deverá ocorrer após o fim do afastamento médico, que ainda não tem data prevista. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Em nota, a Polícia Federal informou que o caso é investigado pela Corregedoria Regional da Superintendência Regional da instituição em Mato Grosso. A corporação afirmou ainda que adotou as medidas administrativas cabíveis e reforçou o compromisso com a legalidade, a ética e a conduta funcional de seus servidores. A UFMT também informou que realizou, em 22 de maio, uma reunião com o corregedor da Superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso, delegado Cláudio Trapp, para discutir as medidas de segurança adotadas após a circulação da lista. Câmeras da universidade mostram o suspeito caminhando pelos corredores da UFMT UFMT mantém aulas remotas por tempo indeterminado em curso após alunos serem intimidados por denunciarem 'lista de estupráveis' Entenda o caso Manifestantes levaram cartazes repudiando o caso João Lucas Rodrigues Tessaro No inicio de maio, um aluno do curso de Direito da universidade foi afastado das aulas após ser apontado como envolvido na criação da lista. Em mensagens divulgadas nas redes sociais, estudantes comentavam sobre um “ranking de alunas mais estupráveis” dos cursos da universidade. O caso provocou protestos de estudantes e gerou repercussão dentro da universidade. Áudios que circulam em grupos de mensagens também reforçariam a conduta investigada. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) deu um prazo de cinco dias para a UFMT informar quais medidas internas estão sendo adotadas em relação ao caso. A medida foi adotada após o MPMT instaurar um procedimento administrativo para apurar possíveis crimes após o vazamento de uma troca de mensagem entre os alunos citando, de forma clara, a intenção de abusar sexualmente de colegas da turma. Segundo a universidade, o diretor da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet), Roberto Barbosa Silva, acompanhou os estudantes até a delegacia após as ameaças. A situação deixou estudantes e familiares preocupados com a segurança dentro do campus. O suspeito já foi identificado pela Polícia Civil e deverá prestar depoimento. O Ministério Público determinou o envio de ofício à Reitoria da UFMT para que a instituição informe quais providências internas estão sendo adotadas em relação à denúncia. Além disso, o Centro Acadêmico de Direito (CADI) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) deverão encaminhar ao MP, no mesmo prazo, todas as provas e documentos que possuam sobre o caso.