Cursos de qualificação ajudam alunas com deficiência a superarem limites em Ribeirão Preto, SP

Guia Modelo Escrito em 05/09/2026


Alunas com deficiência usam cursos de qualificação para superar limites em Ribeirão Preto, Desde pequena, a dona de casa Valdirene Faria Queiroz acreditava que não seria capaz de aprender a fazer crochê por causa da deficiência visual. "Eu já tinha vontade, sim. Sempre tive curiosidade de aprender. Mas, devido à deficiência visual, eu achava que era impossível". Valdirene foi uma das primeiras alunas com deficiência do Centro de Qualificação Social e Profissional de Ribeirão Preto (SP) e conta que a oportunidade de aprender crochê surgiu depois que uma amiga, que já conhecia o projeto, comentou sobre o curso. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Ela nunca tinha pegado em uma agulha e hoje, quatro meses depois, já produz tapetes de diferentes formatos. Algumas peças, inclusive, já foram vendida. A atividade, que inicialmente tinha como objetivo ser uma terapia e uma forma de ocupar o tempo, passou a representar também uma possibilidade de renda. "Foi satisfatório saber que é possível. Eu gostei tanto que hoje já consigo me imaginar fazendo isso como uma fonte de renda. Foi terapêutico também, porque esse era o principal motivo, ter alguma coisa para fazer como terapia, para ajudar no emocional, para passar o tempo, nas horas de lazer". Valdirene tricotando somente com o tato Reprodução/EPTV 'Eu não gosto de ficar parada' A história da aluna Jaqueline Ferreira de Oliveira também é marcada pela superação. Dona de casa e mãe de uma menina de 3 anos, ela nasceu com paralisia cerebral diparética espástica, condição que provoca rigidez, principalmente, nas pernas. Por conta da deficiência, Jaqueline sente cansaço e precisa andar com o auxilio. Mesmo assim, diz que não aceita ficar parada e isso a motivou a fazer o curso. "Apesar da minha deficiência, eu não gosto de ficar parada. A minha filha tem 3 aninhos e não para quieta. Eu falei ‘Meu Deus, como que eu vou atrás dessa menina? Não posso ficar parada. Eu tenho que fazer alguma coisa da vida'. Aí eu fui e fiz". Jaqueline começou pelo artesanato e depois passou para a culinária. Nas aulas, aprendeu a utilizar diferentes utensílios e ingredientes e, em casa, passou a colocar em prática o que aprendia. "Tudo o que tem dentro da geladeira 'vamos usar, vamos inventar'. Eu aprendi a fazer pão, aí fiz e minha filha amou. Toda vez ela pede e aí ela quer fazer também". Jaqueline aprendendo a fazer esfihas durante aula Reprodução/EPTV Orgulho e superação Jaqueline conta que, no início, ficou preocupada com a dificuldade para se movimentar durante as atividades na cozinha, mas se sente orgulhosa de ter aceito o desafio. "Minha vida é cheia de desafios e eu estou orgulhosa de mim, porque eu não parei. Depois de toda coisa que eu passei, eu não parei, continuei. É isso que me move." Para Valdirene, a principal mensagem para quem ainda tem receio de tentar é saber que é possível. "Basta ter força de vontade e disposição para aceitar o desafio. A sociedade em si tem dificuldade de impor limitações e a gente acaba criando essas limitações na nossa mente. Então, saber que é possível conseguir, é maravilhoso". Valdirene tricotando somente com o tato Reprodução/EPTV Cursos para pessoas com deficiência As duas fazem parte de um grupo que ainda é pequeno no Centro de Qualificação Social e Profissional. Segundo o gestor da instituição, Amarelo Júnior, a procura de pessoas com deficiência pelos cursos é baixa. "É muito resistente ainda a procura com relação aos nossos cursos e a gente não encontrou ainda um caminho do porquê isso acontece. A gente pode imaginar que é a resistência pessoal dessas pessoas. Mas o centro de qualificação está aberto para receber essas pessoas nos nossos cursos". O centro oferece diferentes atividades e busca adaptar as aulas de acordo com as necessidades de cada aluno. O professor acompanha o estudante durante as atividades e, em alguns casos, os próprios colegas também ajudam. Entre as atividades que podem receber alunos com diferentes necessidades estão culinária, crochê, maquiagem, manicure e sobrancelha. Mas o professor destaca que nem todos os cursos podem ser adaptados para todos os tipos de deficiência. "Tem cursos, por exemplo, como corte de cabelo, que é um curso que nós não conseguimos adaptar. Mas cursos como culinária e crochê nós tivemos aqui alunos PCDs que desenvolveram os seus trabalhos manuais de forma excepcional". De acordo com a coordenação, as inscrições são feitas exclusivamente pelo site oficial do Portal Ribeirão Digital. Lá é possível ver a relação de cursos disponíveis pode mudar de acordo com cada período de inscrições. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região