Ormuz reaberto, impasse sobre urânio: o que avançou e o que está travando as negociações entre EUA e Irã

Guia Modelo Escrito em 18/04/2026


Irã reabre Estreito de Ormuz à navegação O Irã anunciou nesta sexta-feira (17) a reabertura total do Estreito de Ormuz. A declaração foi seguida por falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou não haver mais "pontos conflitantes" para um acordo entre os dois países. A versão, no entanto, é contestada por Teerã. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias da guerra ▶️ Contexto: O Estreito de Ormuz se tornou um dos principais focos de tensão na guerra entre EUA, Israel e Irã. Boa parte do petróleo mundial, além de uma parcela relevante de fertilizantes, passa pela rota marítima. O fechamento pressionou a economia global. Ormuz fica entre o Irã e a Península Arábica e é, em grande parte, controlado por forças iranianas. No dia 7 de abril, Estados Unidos e Irã firmaram um cessar-fogo que previa a reabertura total da passagem. Mesmo assim, o estreito permaneceu fechado. Diante desse cenário, os EUA iniciaram um bloqueio naval contra navios em portos iranianos para pressionar a economia do país e forçar a abertura da rota. O Irã diz que a reabertura anunciada nesta sexta está ligada a um acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo libanês Hezbollah, em vigor desde quinta-feira (16), sem mencionar o bloqueio naval dos EUA. Ainda de acordo com o governo iraniano, todos os navios poderão circular livremente ao menos até 22 de abril, quando termina a trégua. Horas depois do anúncio, porém, declarações de Trump e do próprio governo iraniano levantaram dúvidas sobre a manutenção da abertura da rota marítima e sobre a proximidade de um acordo. 🔵🔴 Versão dos EUA: Trump usou redes sociais, entrevistas e um discurso a apoiadores para dizer que as negociações avançaram e estão perto do fim. Ao mesmo tempo, ele afirmou que as forças americanas continuarão pressionando o Irã. O presidente disse que manterá o bloqueio naval até que as negociações estejam "100% concluídas". Também afirmou que os EUA entrarão no Irã em um "ritmo tranquilo" para recuperar o urânio enriquecido e levá-lo ao território americano. Segundo Trump, o Irã já aceitou não desenvolver armas nucleares. Em entrevista à AFP, ele declarou que não restam mais "pontos conflitantes" e que um acordo está próximo. "Estamos muito perto. Parece que vai ser algo muito bom para todos. E estamos muito perto de fechar um acordo", disse. "As coisas vão muito bem." 🟢🔴 Versão do Irã: As declarações de Trump não foram bem recebidas em Teerã. Autoridades usaram a mídia estatal e redes sociais para rebater o presidente norte-americano e fazer novas ameaças. Pouco depois das primeiras falas de Trump, o Irã afirmou que pode voltar a fechar o Estreito de Ormuz caso os EUA mantenham o bloqueio naval. Sobre o urânio, o porta-voz da chancelaria iraniana disse que o material "não será transferido para lugar nenhum". O presidente do Parlamento iraniano e negociador sênior, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou Trump de mentir sobre as negociações. À Reuters, uma autoridade iraniana afirmou que ainda há "diferenças significativas" entre os dois países, principalmente na questão nuclear. Segundo essa fonte, um acordo preliminar pode ser fechado para estender o cessar-fogo e as negociações. A autoridade afirma que o Irã quer o alívio de sanções e compensações por danos da guerra. "Em troca, o Irã fornecerá garantias à comunidade internacional sobre a natureza pacífica de seu programa nuclear", disse. A autoridade acrescentou que qualquer outra narrativa sobre as negociações "é uma deturpação da situação". LEIA TAMBÉM Trump diz que análise sobre óvnis revelou documentos 'interessantes' Papa Leão critica uso de IA para espalhar 'conflitos, medos e violência' Mais de 38 mil mulheres e meninas morreram na guerra em Gaza, diz ONU Ormuz está mesmo aberto? O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante um evento do Turning Point USA na Dream City Church em Phoenix, Arizona, EUA, em 17 de abril de 2026 REUTERS/Evan Vucci A reabertura do Estreito de Ormuz animou a comunidade internacional e o mercado, com queda no preço do petróleo após o anúncio. Ainda assim, há sinais de que a rota não está totalmente liberada. Dados de tráfego marítimo obtidos pela Reuters mostram que cerca de 20 navios avançaram pelo Golfo Pérsico em direção ao estreito na noite desta sexta, mas a maioria recuou. O motivo não está claro. O próprio governo iraniano também deu sinais contraditórios. A agência estatal Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, classificou a reabertura como incompleta e criticou o próprio chanceler do país, Abbas Araghchi, que havia anunciado a liberação total. Segundo a agência, o comunicado de Araghchi foi "de extremo mau gosto", já que foi "publicado sem as explicações necessárias e suficientes" e "criou ambiguidades sobre as condições de passagem". "Diversas condições foram consideradas para esta questão, sendo uma das mais importantes a supervisão completa das Forças Armadas iranianas sobre a passagem e a navegação dos navios. Essa passagem será considerada cancelada caso o alegado bloqueio naval continue", afirmou. O Irã também passou a exigir que navios comerciais avisem e se coordenem com a Guarda Revolucionária antes de atravessar o Estreito de Ormuz, algo que não ocorria antes da guerra. Além disso, o Ministério da Defesa informou, em comunicado citado pela TV estatal, que navios militares e embarcações ligadas a "forças hostis" seguem sem permissão para atravessar. Bloqueio ao Estreito de Ormuz Editoria de Arte/g1 VÍDEOS: mais assistidos do g1