Empresa do pai de Raquel Lyra funciona com vistorias vencidas e sem certificados A empresa de ônibus do ex-governador João Lyra Neto (PSD), pai da governadora Raquel Lyra (PSD), está funcionando sem vistorias nos coletivos há cerca de três anos. A Logo Caruaruense opera viagens intermunicipais e tem 50 veículos. Todos eles não passaram pelas averiguações necessárias nos últimos anos, e alguns deles estão com as licenças vencidas desde 2021. Além disso, a empresa tem funcionado sem Certificado de Registro Cadastral (CRC), que não é pago pelo menos desde 2020. Após a repercussão do caso, a governadora informou, nesta sexta-feira (16), que a Caruaruense vai encerrar as operações e entregar as linhas à EPTI (entenda mais abaixo). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp A informação consta num relatório de débitos feito pela Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI), vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento e Habitação (Seduh). O documento foi produzido em meio ao processo de renovação do CRC da Logo Caruaruense. O certificado é necessário para a atuação da empresa no setor e deve ser renovado anualmente. O processo foi iniciado em 6 de fevereiro de 2025, mas foi paralisado sete dias depois, no dia 13 de fevereiro, ao chegar ao gabinete do diretor de operações Eduardo Henrique de Senna Costa, coronel da Polícia Militar que assumiu o cargo em janeiro de 2025. Fundada em 1959, a Logo Caruaruense opera, além do Recife, nas cidades de Bezerros, Caruaru, Gravatá, Santa Cruz do Capibaribe, São Caetano, Toritama e Vitória de Santo Antão. A empresa foi comprada pelo avô de Raquel Lyra e, posteriormente, passada ao seu filho, que assumiu o governo de Pernambuco no ano de 2014, quando o então governador Eduardo Campos (PSB) renunciou ao cargo para concorrer à Presidência da República — ele morreu durante a campanha. A própria governadora já foi sócia da empresa e detinha o equivalente a R$ 22,5 mil dos R$ 3 milhões que a Caruaruense vale. Entretanto, em 2018, quando era prefeita de Caruaru, renunciou sua parte em favor do pai. Atualmente, constam como sócios da Logo Caruaruense João Lyra Neto, que também é administrador da empresa, e as duas irmãs de Raquel Lyra, Nara Lyra Mahon e Paula Teixeira Lyra. A mãe da governadora, Mércia Maria Teixeira Lyra, também consta como administradora. Vistorias atrasadas Ônibus da empresa Logo Caruaruense Reprodução/Instagram No dia 6 de fevereiro de 2025, a Logo Transportes LTDA, razão social da Logo Caruaruense, solicitou a renovação do CRC à EPTI. O processo público foi gerado no dia 10, pelo diretor de operações Henrique Senna, coronel da Polícia Militar que assumiu o cargo em janeiro de 2025. Dois dias depois, o Departamento Financeiro da EPTI produziu o relatório em que consta a falta de vistorias e de pagamento do Certificado de Registro Cadastral. No documento, consta a relação das placas dos ônibus com os quais a Caruaruense opera, além do histórico de pagamentos da empresa. No relatório, o departamento conclui que todos os coletivos estão com vistorias vencidas, e que, nos pagamentos, não costa a quitação das taxas de CRC anuais no período de 2020 até 2022. Além disso, os ônibus da Caruaruense tinham categoria de uso "regular", mas, conforme o documento, três placas também constavam como veículos utilizados para fretamento. E, para essa atividade, seria necessário o pagamento da Taxa de Fiscalização e Utilização de Serviços Públicos (Fusp-F), que também não tinha sido quitada pela empresa. Após a elaboração do relatório, o documento foi remetido a outras diretorias da EPTI e, em 13 de fevereiro de 2015, o processo voltou ao coronel Henrique Senna, onde se encontra desde então. Na descrição do status, consta como "Sobrestamento (interrupção do andamento). Aguardando novos documentos". Mesmo assim, com ônibus sem vistorias e sem Certificado de Registro Cadastral, a empresa segue atuando. Fiscalizações Sede da empresa Logo Caruaruense Reprodução/Instagram Sob sigilo de fonte, o g1 conversou com funcionários da EPTI, que contaram que 2022 foi o último ano em que foram feitas vistorias nos ônibus da Caruaruense. Eles disseram, ainda, que os coletivos da empresa não são parados nas fiscalizações realizadas nas rodovias e terminais. "Existe uma ordem não dita que não se pode fiscalizar a Logo Caruaruense. Não é nada por escrito, mas sabemos que vem lá de cima. Essas fiscalizações são feitas para proteger a população, e veem itens como pneus, cinto de segurança e ano do veículo", afirmou uma das fontes. Outro funcionário contou que as vistorias costumam ser feitas na sede da EPTI ou nas sedes das empresas, em outras cidades, como o caso da Caruaruense. "Na vistoria, os ônibus recebem um cartão amarelo que identifica todos eles, mas esse cartão é válido por um determinado tempo. Se ele for parado numa fiscalização e não tiver o cartão, paga uma multa de R$ 2,9 mil. Todos os carros da Caruaruense estão com esse cartão vencido, mas eles não são pegos, porque ninguém pode fiscalizar", disse. Encerramento das operações Nesta sexta-feira (16), a governadora Raquel Lyra participou da entrega da obra de restauração da Igreja Matriz de Santo Antônio, no Centro do Recife. Na ocasião, ela foi perguntada sobre a recente polêmica envolvendo a Logo Caruaruense e disse que a empresa está encerrando suas atividades. "Tomei conhecimento hoje pela manhã que a empresa entregou as suas linhas à EPTI, está encerrando as suas atividades. A EPTI vai trabalhar para que a gente não tenha prejuízo à população, para que o sistema continue funcionando e a gente permita a população ter o direito de ir e vir, reunindo os operadores do sistema e garantindo toda a segurança jurídica necessária para que o serviço prestado possa ser garantido à nossa população", disse. Respostas O g1 procurou a EPTI para questionar sobre as vistorias e fiscalizações à Caruaruense e perguntou o porquê de o processo de renovação do CRC da empresa estar paralisado há quase um ano. A empresa não respondeu às perguntas e disse apenas que realiza, de forma contínua e permanente, fiscalização em terminais rodoviários, pontos de embarque e desembarque e outros locais estratégicos como entradas e saídas de cidades. A EPTI afirmou que a Caruaruense funciona há 66 anos e venceu uma licitação para operar no sistema em 2014, num consórcio formado com outras empresas de transporte intermunicipal. Entretanto, em 2015, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Judiciário proibiram a assinatura dos contratos, e, por isso, as empresas continuaram operando no formato anterior ao consórcio. "Em 2022, o Tribunal de Justiça considerou a licitação regular e, desde então, a EPTI vem atuando junto ao setor e aos órgãos de controle para realizar necessárias adequações, num processo de transição, em função da passagem do tempo", afirmou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
Empresa de ônibus do pai de Raquel Lyra funciona com vistorias vencidas e sem certificados; após repercussão, governadora anuncia fim das atividades
Guia Modelo Escrito em 16/01/2026
Empresa do pai de Raquel Lyra funciona com vistorias vencidas e sem certificados A empresa de ônibus do ex-governador João Lyra Neto (PSD), pai da governadora Raquel Lyra (PSD), está funcionando sem vistorias nos coletivos há cerca de três anos. A Logo Caruaruense opera viagens intermunicipais e tem 50 veículos. Todos eles não passaram pelas averiguações necessárias nos últimos anos, e alguns deles estão com as licenças vencidas desde 2021. Além disso, a empresa tem funcionado sem Certificado de Registro Cadastral (CRC), que não é pago pelo menos desde 2020. Após a repercussão do caso, a governadora informou, nesta sexta-feira (16), que a Caruaruense vai encerrar as operações e entregar as linhas à EPTI (entenda mais abaixo). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp A informação consta num relatório de débitos feito pela Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI), vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento e Habitação (Seduh). O documento foi produzido em meio ao processo de renovação do CRC da Logo Caruaruense. O certificado é necessário para a atuação da empresa no setor e deve ser renovado anualmente. O processo foi iniciado em 6 de fevereiro de 2025, mas foi paralisado sete dias depois, no dia 13 de fevereiro, ao chegar ao gabinete do diretor de operações Eduardo Henrique de Senna Costa, coronel da Polícia Militar que assumiu o cargo em janeiro de 2025. Fundada em 1959, a Logo Caruaruense opera, além do Recife, nas cidades de Bezerros, Caruaru, Gravatá, Santa Cruz do Capibaribe, São Caetano, Toritama e Vitória de Santo Antão. A empresa foi comprada pelo avô de Raquel Lyra e, posteriormente, passada ao seu filho, que assumiu o governo de Pernambuco no ano de 2014, quando o então governador Eduardo Campos (PSB) renunciou ao cargo para concorrer à Presidência da República — ele morreu durante a campanha. A própria governadora já foi sócia da empresa e detinha o equivalente a R$ 22,5 mil dos R$ 3 milhões que a Caruaruense vale. Entretanto, em 2018, quando era prefeita de Caruaru, renunciou sua parte em favor do pai. Atualmente, constam como sócios da Logo Caruaruense João Lyra Neto, que também é administrador da empresa, e as duas irmãs de Raquel Lyra, Nara Lyra Mahon e Paula Teixeira Lyra. A mãe da governadora, Mércia Maria Teixeira Lyra, também consta como administradora. Vistorias atrasadas Ônibus da empresa Logo Caruaruense Reprodução/Instagram No dia 6 de fevereiro de 2025, a Logo Transportes LTDA, razão social da Logo Caruaruense, solicitou a renovação do CRC à EPTI. O processo público foi gerado no dia 10, pelo diretor de operações Henrique Senna, coronel da Polícia Militar que assumiu o cargo em janeiro de 2025. Dois dias depois, o Departamento Financeiro da EPTI produziu o relatório em que consta a falta de vistorias e de pagamento do Certificado de Registro Cadastral. No documento, consta a relação das placas dos ônibus com os quais a Caruaruense opera, além do histórico de pagamentos da empresa. No relatório, o departamento conclui que todos os coletivos estão com vistorias vencidas, e que, nos pagamentos, não costa a quitação das taxas de CRC anuais no período de 2020 até 2022. Além disso, os ônibus da Caruaruense tinham categoria de uso "regular", mas, conforme o documento, três placas também constavam como veículos utilizados para fretamento. E, para essa atividade, seria necessário o pagamento da Taxa de Fiscalização e Utilização de Serviços Públicos (Fusp-F), que também não tinha sido quitada pela empresa. Após a elaboração do relatório, o documento foi remetido a outras diretorias da EPTI e, em 13 de fevereiro de 2015, o processo voltou ao coronel Henrique Senna, onde se encontra desde então. Na descrição do status, consta como "Sobrestamento (interrupção do andamento). Aguardando novos documentos". Mesmo assim, com ônibus sem vistorias e sem Certificado de Registro Cadastral, a empresa segue atuando. Fiscalizações Sede da empresa Logo Caruaruense Reprodução/Instagram Sob sigilo de fonte, o g1 conversou com funcionários da EPTI, que contaram que 2022 foi o último ano em que foram feitas vistorias nos ônibus da Caruaruense. Eles disseram, ainda, que os coletivos da empresa não são parados nas fiscalizações realizadas nas rodovias e terminais. "Existe uma ordem não dita que não se pode fiscalizar a Logo Caruaruense. Não é nada por escrito, mas sabemos que vem lá de cima. Essas fiscalizações são feitas para proteger a população, e veem itens como pneus, cinto de segurança e ano do veículo", afirmou uma das fontes. Outro funcionário contou que as vistorias costumam ser feitas na sede da EPTI ou nas sedes das empresas, em outras cidades, como o caso da Caruaruense. "Na vistoria, os ônibus recebem um cartão amarelo que identifica todos eles, mas esse cartão é válido por um determinado tempo. Se ele for parado numa fiscalização e não tiver o cartão, paga uma multa de R$ 2,9 mil. Todos os carros da Caruaruense estão com esse cartão vencido, mas eles não são pegos, porque ninguém pode fiscalizar", disse. Encerramento das operações Nesta sexta-feira (16), a governadora Raquel Lyra participou da entrega da obra de restauração da Igreja Matriz de Santo Antônio, no Centro do Recife. Na ocasião, ela foi perguntada sobre a recente polêmica envolvendo a Logo Caruaruense e disse que a empresa está encerrando suas atividades. "Tomei conhecimento hoje pela manhã que a empresa entregou as suas linhas à EPTI, está encerrando as suas atividades. A EPTI vai trabalhar para que a gente não tenha prejuízo à população, para que o sistema continue funcionando e a gente permita a população ter o direito de ir e vir, reunindo os operadores do sistema e garantindo toda a segurança jurídica necessária para que o serviço prestado possa ser garantido à nossa população", disse. Respostas O g1 procurou a EPTI para questionar sobre as vistorias e fiscalizações à Caruaruense e perguntou o porquê de o processo de renovação do CRC da empresa estar paralisado há quase um ano. A empresa não respondeu às perguntas e disse apenas que realiza, de forma contínua e permanente, fiscalização em terminais rodoviários, pontos de embarque e desembarque e outros locais estratégicos como entradas e saídas de cidades. A EPTI afirmou que a Caruaruense funciona há 66 anos e venceu uma licitação para operar no sistema em 2014, num consórcio formado com outras empresas de transporte intermunicipal. Entretanto, em 2015, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Judiciário proibiram a assinatura dos contratos, e, por isso, as empresas continuaram operando no formato anterior ao consórcio. "Em 2022, o Tribunal de Justiça considerou a licitação regular e, desde então, a EPTI vem atuando junto ao setor e aos órgãos de controle para realizar necessárias adequações, num processo de transição, em função da passagem do tempo", afirmou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias