Viúva de homem morto por PMs diz depender de ajuda para criar os 3 filhos e relata medo após Justiça soltar acusados

Guia Modelo Escrito em 01/03/2026


Gabriel Júnior Oliveira Alves da Silva e filho, em 2020 Arquivo pessoal Com 20 anos e mãe de três crianças, a viúva de Gabriel Júnior Oliveira Alves da Silva diz que depende de ajuda da família para criar os filhos e vive com medo após a Justiça de São Paulo conceder liberdade provisória aos policiais militares acusados de matar o companheiro. O caso ocorreu em abril de 2025, no bairro Vila Sônia, em Piracicaba (SP), durante uma abordagem da Polícia Militar (PM). Gabriel, que tinha 22 anos, foi baleado na cabeça e a ação foi filmada e presenciada por vizinhos. No processo criminal, dois policiais militares foram indiciados e outros quatro respondem por coação e violação de prerrogativas de advogados. Justiça torna réus PMs acusados de matar jovem e torturar esposa dele grávida em Piracicaba Ao g1, a viúva disse que soube da soltura dos PMs durante a audiência de pronúncia, realizada em janeiro de 2026. Nessa etapa, a Justiça decide se os réus serão julgados pelo Tribunal do Júri. 🔍 O júri popular é o mecanismo usado na Justiça brasileira para julgar réus de crimes dolosos contra a vida. Ele é composto por sete cidadãos que fazem a função de jurado, além de um juiz. A sentença é definida por maioria dos votos entre os sete jurados. Siga o g1 Piracicaba no Instagram No entanto, um dos policiais acusados de coação apresentou um atestado médico e não compareceu à audiência, informou o advogado presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Gustavo Pires. Isso fez com que a audiência fosse cancelada. Além disso, Pires afirmou que as testemunhas de acusação não apareceram, pois estavam com medo de represálias. “Dá um medo, né? O advogado falou que eles não podem chegar perto enquanto o caso está rodando, mas dá medo porque eles podem passar em um carro diferente, um carro disfarçado, vai saber. No começo, depois do caso, a [polícia] militar estava [passando no local], mas aí saiu no jornal e eles deram uma parada. Mas eles passam, olham para a cara da gente, eles conhecem a gente. Tem policial que dá até uma risadinha de canto”, disse a viúva. Os policiais também são acusados de agredir a mulher durante a abordagem. Na época, ela estava grávida. O advogado João Carlos Campanini, que defende os dois policiais militares acusados de matar Gabriel, afirmou que "a verdade já está aparecendo" e que buscará comprovar em definitivo a inocência deles - leia mais abaixo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), com a liberdade provisória, os PMs voltaram a atuar na corporação, mas em funções internas na região de Piracicaba. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recorreu da decisão que concedeu liberdade provisória aos policiais, em dezembro de 2025. Até o momento, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) não analisou o recurso, informou o MP-SP. Filho pergunta pelo pai Jovem é morto com tiro na cabeça por policial em Piracicaba; OAB cita 'excesso' da PM, que fala em resistência Arquivo pessoal/Reprodução OAB Piracicaba Gabriel era autônomo, trabalhava como servente de pedreiro e era o responsável pelo sustento da família. Já a mulher, que estava grávida de sete meses, ficava com o trabalho de cuidar dos outros dois filhos pequenos do casal. Após a morte de Gabriel, a mulher passou a contar com a ajuda de familiares e de programas assistenciais, como o Bolsa Família, para criar os três filhos: um menino de seis anos, uma menina de um ano e oito meses e a caçula, de oito meses, que não conheceu o pai. “Está difícil, estou pagando aluguel e cuidando das três crianças sozinha ”, disse. Segundo a viúva, o filho de seis anos é quem mais sente a falta do pai, porque conviveu mais tempo com ele. “Eu falei para ele que o pai dele está lá no céu. Mas é difícil. A gente tentar explicar, mas ele não entende, até para a gente é difícil entender. Ele fica bem triste. Às vezes, pega o celular, fica olhando as fotos e vídeos do pai dele”, contou. Segundo Gustavo Pires, além do processo criminal contra os PMs, há uma ação contra o estado para garantir indenização aos filhos de Gabriel. “É muito difícil. É triste para a gente, eu tenho que seguir pelos meus filhos. É uma coisa que nem gosto muito de pensar”, lamentou a viúva. O que dizem os PMs? O advogado João Carlos Campanini, que defende os dois policiais militares acusados de matar Gabriel, afirmou que eles foram colocados em liberdade porque “a verdade já está aparecendo”. “A defesa buscará comprovar em definitivo a inocência deles”, escreveu. O g1 não conseguiu contato com a defesa dos quatro PMs acusados de coação. O caso Vídeos mostram desespero de amigos e esposa de homem morto pela PM em Piracicaba O caso aconteceu por volta das 19h30, durante patrulhamento na Rua Raul Ataíde, no bairro Vila Sônia, em 1° de abril de 2025. Há duas versões, a da PM e a da esposa de Gabriel. Segundo a PM, uma equipe policial viu um rapaz com um "volume suspeito" e abordou duas pessoas. De acordo com a PM, um deles, Gabriel, resistiu, fugiu e retornou segurando uma pedra, ameaçando os policiais. Também conforme a corporação, apesar das ordens para soltá-la, ele pegou outra pedra com um pedaço de ferro preso e, ao arremessá-la, um policial efetuou um disparo, atingindo-o na cabeça; A PM acrescentou que a esposa do suspeito e o outro abordado partiram para cima dos policiais, agredindo-os fisicamente e causando arranhões em um dos agentes; Já a esposa de Gabriel afirma que ela e o marido estavam comprando milho quando foram abordados pelos policiais sem motivo aparente. Gabriel segurava um refrigerante enquanto ela esperava o milho ficar pronto. Segundo ela, um policial a puxou pelo cabelo enquanto outro agrediu o marido. Ainda segundo a esposa, o policial a colocou no camburão, a xingou e ameaçou. A mulher nega que o marido tenha pegado qualquer pedra para agredir os policiais. Gabriel Júnior Oliveira Alves da Silva, morto pela PM em Piracicaba (SP) Arquivo pessoal VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias sobre a região no g1 Piracicaba