Montagem com fotos de Alice Martins Alves e Christina Maciel Oliveira, mortas em Belo Horizonte em 2025 Redes sociais Minas Gerais registrou oito assassinatos de pessoas trans e travestis em 2025. O estado divide com o Ceará a primeira posição no ranking de homicídios dessa população no Brasil, segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) divulgados nesta semana (veja os números por estado ao final da reportagem). Nesta quinta-feira (29), é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans, data que será marcada por ações em defesa desta população em todo o Brasil No país inteiro, foram 80 assassinatos de pessoas trans em 2025, o que representa uma queda de 34% em relação ao ano anterior, quando houve 122 registros. Em MG, o número caiu 33%. No entanto, segundo o relatório da Antra, a redução dos indicadores não reflete a realidade e tem relação com outros fatores, como o enfraquecimento das políticas de identificação e checagem das mortes violentas de pessoas trans e as subnotificações. "Se a vítima sente que não haverá punição ou que será maltratada ao denunciar, ela deixa de registrar a ocorrência. E em um cenário sem proteção estatal, denunciar um agressor pode expor a pessoa a riscos ainda maiores, levando ao 'silêncio estratégico' para sobrevivência", diz um trecho do dossiê. Ainda de acordo com o documento, muitos crimes de ódio passaram a ser registrados como ocorrências comuns, como latrocínio, homicídio e lesão corporal, sem reconhecimento da motivação por LGBTIfobia. Para a Antra, os dados de Minas Gerais e Ceará, embora trágicos, indicam "ao menos um sistema minimamente capaz de identificar e dar visibilidade à violência que vitima essa população". Perfil das vítimas Conforme o dossiê da Antra, em 54% dos assassinatos com dados de faixa etária disponível, as vítimas tinham 18 a 29 anos. Em 77% dos casos, elas tinham menos de 35 anos. "O Brasil é um território onde a longevidade é um privilégio negado à maioria da população trans", diz um trecho do relatório. A grande maioria das vítimas (77) eram travestis/ mulheres trans. Três eram homens trans. Mortes em espaços públicos Ainda segundo o documento, a maioria dos homicídios (62,5%) ocorreu em espaços públicos. Este foi o caso de Alice Martins Alves, de 33 anos, mulher trans que morreu em Belo Horizonte, em novembro de 2025, dias depois de ser espancada em uma rua da Savassi, na Região Centro-Sul da capital. Os suspeitos são dois garçons de um bar do bairro, que teriam perseguido a vítima por ela ter deixado de pagar uma conta de R$ 22. Christina Maciel Oliveira, de 45 anos, também foi morta no meio da rua, à luz do dia, em Belo Horizonte. O crime ocorreu no dia 20 de outubro, na Região de Venda Nova. O suspeito era namorado da mulher. Polícia identifica homens que agrediram e provocaram a morte de Alice Martins O que diz o poder público A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) afirmou, em nota, que o governo de MG tem compromisso "com a promoção e a defesa dos direitos da população LGBTQIA+". Na área da segurança pública, a pasta destacou a realização de capacitações de agentes sobre esses direitos, além da inclusão dos campos "nome social", "orientação sexual" e "identidade de gênero" no Registro de Eventos de Defesa Social (Reds), que permitem "a visibilidade e o registro adequado de ocorrências relacionadas a essa população". "Outras iniciativas relevantes incluem a criação do Painel LGBTQIA+ na Base Integrada de Segurança Pública (BISP), que disponibiliza dados científicos para subsidiar campanhas de conscientização e combate à violência", disse a Sedese. A Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que "atua de forma contínua no enfrentamento à LGBTfobia e na desconstrução da naturalização dessas violências no município". O município possui equipamentos como o Centro de Referência LGBT, que oferece acompanhamento psicossocial, orientação jurídica e encaminhamentos para essas pessoas e suas famílias, e a Casa de Acolhimento LGBT, que acolhe vítimas de violência motivada por LGBTfobia. "A Prefeitura de Belo Horizonte compreende que a redução efetiva dos crimes de LGBTfobia exige um compromisso coletivo e permanente da sociedade com a promoção da igualdade e do respeito", declarou o município, em nota. Mutirão no Dia da Visibilidade Trans Nesta quinta-feira (29), Dia Nacional da Visibilidade Trans, a Prefeitura de BH realiza, das 9h às 17h, um mutirão que busca fortalecer o acesso de pessoas trans, travestis e não binárias a políticas públicas. A programação inclui atendimento para apoio à retificação de nome e gênero (exclusivamente para moradores da capital), orientação jurídica, ação itinerante do Sistema Nacional de Emprego (Sine), feira de economia solidária, além de serviços de cuidados em saúde. O mutirão será realizado no Centro de Referência LGBT (Rua Curitiba, 481 - Centro). Assassinatos de pessoas trans e travestis por estado em 2025 Minas Gerais – 8 Ceará – 8 Bahia – 7 Pernambuco – 7 Goiás – 5 Maranhão – 5 Pará – 5 Pernambuco – 4 Paraná – 4 Rio Grande do Norte – 4 São Paulo – 4 Mato Grosso – 3 Rio de Janeiro – 3 Alagoas – 2 Distrito Federal – 2 Espírito Santo – 2 Mato Grosso do Sul – 2 Amazonas – 1 Amapá – 1 Rio Grande do Sul – 1 Santa Catarina – 1 Sergipe – 1 Acre – 0 Piauí – 0 Rondônia – 0 Roraima – 0 Tocantins – 0 Vídeos mais vistos no g1 Minas:
MG foi o estado com mais assassinatos de pessoas trans e travestis em 2025
Guia Modelo Escrito em 29/01/2026
Montagem com fotos de Alice Martins Alves e Christina Maciel Oliveira, mortas em Belo Horizonte em 2025 Redes sociais Minas Gerais registrou oito assassinatos de pessoas trans e travestis em 2025. O estado divide com o Ceará a primeira posição no ranking de homicídios dessa população no Brasil, segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) divulgados nesta semana (veja os números por estado ao final da reportagem). Nesta quinta-feira (29), é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans, data que será marcada por ações em defesa desta população em todo o Brasil No país inteiro, foram 80 assassinatos de pessoas trans em 2025, o que representa uma queda de 34% em relação ao ano anterior, quando houve 122 registros. Em MG, o número caiu 33%. No entanto, segundo o relatório da Antra, a redução dos indicadores não reflete a realidade e tem relação com outros fatores, como o enfraquecimento das políticas de identificação e checagem das mortes violentas de pessoas trans e as subnotificações. "Se a vítima sente que não haverá punição ou que será maltratada ao denunciar, ela deixa de registrar a ocorrência. E em um cenário sem proteção estatal, denunciar um agressor pode expor a pessoa a riscos ainda maiores, levando ao 'silêncio estratégico' para sobrevivência", diz um trecho do dossiê. Ainda de acordo com o documento, muitos crimes de ódio passaram a ser registrados como ocorrências comuns, como latrocínio, homicídio e lesão corporal, sem reconhecimento da motivação por LGBTIfobia. Para a Antra, os dados de Minas Gerais e Ceará, embora trágicos, indicam "ao menos um sistema minimamente capaz de identificar e dar visibilidade à violência que vitima essa população". Perfil das vítimas Conforme o dossiê da Antra, em 54% dos assassinatos com dados de faixa etária disponível, as vítimas tinham 18 a 29 anos. Em 77% dos casos, elas tinham menos de 35 anos. "O Brasil é um território onde a longevidade é um privilégio negado à maioria da população trans", diz um trecho do relatório. A grande maioria das vítimas (77) eram travestis/ mulheres trans. Três eram homens trans. Mortes em espaços públicos Ainda segundo o documento, a maioria dos homicídios (62,5%) ocorreu em espaços públicos. Este foi o caso de Alice Martins Alves, de 33 anos, mulher trans que morreu em Belo Horizonte, em novembro de 2025, dias depois de ser espancada em uma rua da Savassi, na Região Centro-Sul da capital. Os suspeitos são dois garçons de um bar do bairro, que teriam perseguido a vítima por ela ter deixado de pagar uma conta de R$ 22. Christina Maciel Oliveira, de 45 anos, também foi morta no meio da rua, à luz do dia, em Belo Horizonte. O crime ocorreu no dia 20 de outubro, na Região de Venda Nova. O suspeito era namorado da mulher. Polícia identifica homens que agrediram e provocaram a morte de Alice Martins O que diz o poder público A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) afirmou, em nota, que o governo de MG tem compromisso "com a promoção e a defesa dos direitos da população LGBTQIA+". Na área da segurança pública, a pasta destacou a realização de capacitações de agentes sobre esses direitos, além da inclusão dos campos "nome social", "orientação sexual" e "identidade de gênero" no Registro de Eventos de Defesa Social (Reds), que permitem "a visibilidade e o registro adequado de ocorrências relacionadas a essa população". "Outras iniciativas relevantes incluem a criação do Painel LGBTQIA+ na Base Integrada de Segurança Pública (BISP), que disponibiliza dados científicos para subsidiar campanhas de conscientização e combate à violência", disse a Sedese. A Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que "atua de forma contínua no enfrentamento à LGBTfobia e na desconstrução da naturalização dessas violências no município". O município possui equipamentos como o Centro de Referência LGBT, que oferece acompanhamento psicossocial, orientação jurídica e encaminhamentos para essas pessoas e suas famílias, e a Casa de Acolhimento LGBT, que acolhe vítimas de violência motivada por LGBTfobia. "A Prefeitura de Belo Horizonte compreende que a redução efetiva dos crimes de LGBTfobia exige um compromisso coletivo e permanente da sociedade com a promoção da igualdade e do respeito", declarou o município, em nota. Mutirão no Dia da Visibilidade Trans Nesta quinta-feira (29), Dia Nacional da Visibilidade Trans, a Prefeitura de BH realiza, das 9h às 17h, um mutirão que busca fortalecer o acesso de pessoas trans, travestis e não binárias a políticas públicas. A programação inclui atendimento para apoio à retificação de nome e gênero (exclusivamente para moradores da capital), orientação jurídica, ação itinerante do Sistema Nacional de Emprego (Sine), feira de economia solidária, além de serviços de cuidados em saúde. O mutirão será realizado no Centro de Referência LGBT (Rua Curitiba, 481 - Centro). Assassinatos de pessoas trans e travestis por estado em 2025 Minas Gerais – 8 Ceará – 8 Bahia – 7 Pernambuco – 7 Goiás – 5 Maranhão – 5 Pará – 5 Pernambuco – 4 Paraná – 4 Rio Grande do Norte – 4 São Paulo – 4 Mato Grosso – 3 Rio de Janeiro – 3 Alagoas – 2 Distrito Federal – 2 Espírito Santo – 2 Mato Grosso do Sul – 2 Amazonas – 1 Amapá – 1 Rio Grande do Sul – 1 Santa Catarina – 1 Sergipe – 1 Acre – 0 Piauí – 0 Rondônia – 0 Roraima – 0 Tocantins – 0 Vídeos mais vistos no g1 Minas: