Uma grande sala com projeções do chão ao teto que ocupam paredes de mais de 20 metros de altura, toda aromatizada pelo café brasileiro, dá as boas-vindas às milhares - ou possivelmente milhões - de pessoas que devem passar nos próximos quatro meses pela exposição "O Brasil de Portinari", no Museu Nacional da China. Uma experiência multissensorial foi preparada para o público naquela que será a primeira grande mostra com obras de um dos maiores artistas plásticos brasileiros na Ásia e que, há 70 anos, tinha esse sonho, não concretizado em vida. "É uma coisa absolutamente sem precedentes, não só no caso dele, mas no caso de qualquer outro artista também. E nós estamos preparados para isso", afirma João Candido, filho único de Portinari e diretor do Projeto Portinari, responsável pela preservação e democratização da obra do pintor brasileiro. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Mais do que 60 painéis originais de Candido Portinari, a exposição que poderá ser conferida entre junho e outubro em Pequim leva um arranjo de elementos que ajudam a explicar um pouco o Brasil rural e em processo de modernização ilustrado pelo pintor nascido em Brodowski (SP) em 1903 e falecido em 1962. 'Café' (1935), tela de Candido Portinari Reprodução/EPTV Para o diretor artístico responsável, Marcello Dantas, a síntese, de levar algo muito diferente para um público desconhecido, tem algo que se assemelha ao "disco de ouro" da Voyager, cápsula do tempo enviada ao espaço nos anos 1970 com imagens, obras de arte e outros elementos para resumir o Planeta Terra para civilizações extraterrestres. "Esse trabalho de fazer o Portinari para a China me parece um pouco com essa capacidade de síntese, respeitando que não é a humanidade, é o Brasil, mas ao mesmo tempo é a humanidade, porque tem valores ali que são da humanidade, que não têm a ver com a nacionalidade, com a fronteira, têm a ver com uma coisa que funciona e é aquilo que a gente levaria para um extraterrestre", disse, em entrevista especial à EPTV, afiliada da TV Globo. Museu Nacional da China Reprodução/EPTV Portinari é conhecido mundialmente pelos enormes murais 'Guerra' e 'Paz', instalados na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, mas também por retratar as mazelas sociais, o lúdico, a cultura e a beleza do Brasil por meio de uma estética própria, como o azul que faz parte de suas telas. Além de mostrar esse Brasil que Portinari pintou, o objetivo, segundo o diretor artístico, é ressaltar questões universais para se conectar com os asiáticos, muitos deles possivelmente vendo pela primeira vez uma tela do pintor paulista. Foto de arquivo do pintor Candido Portinari Reprodução/EPTV "A partir do que a gente está fazendo de recorte, eu consegui, entre as equipes curatoriais chinesas, causar muita emoção nas pessoas. Eles tiveram retornos muito enfáticos e muito fortes, emocionais, daquilo que eles estavam vendo, porque eles reconhecem ali vários valores. (...) Reconhecem também a visão que têm para o trabalhador, a visão para o campo, a visão para a representação da infância, que é uma coisa universal", explicou. Café, música e linhas de Niemeyer O Museu Nacional da China é considerado o maior do mundo em área construída e o segundo mais visitado do planeta, atrás apenas do Louvre, na França. Não é à toa que a expectativa dos organizadores é de que quatro milhões de pessoas visitem a exposição com 60 obras originais de Portinari em quatro meses. A mostra faz parte da programação do "Ano da Cultura e do Turismo Brasil-China 2026", uma iniciativa para celebrar as relações diplomáticas entre os dois países e que tem como principal articulador o Projeto Portinari. Marcello Dantas, diretor artístico da exposição 'O Brasil de Portinari'. Cacá Trovó/EPTV "No ano que vem ele [o museu] vai passar o Louvre. Em termos de visitação, são 30 mil pessoas por dia. Imagine você. Nós temos quatro meses de exposição, então vamos ter 4 milhões de visitantes. Um valor assim absolutamente inédito em toda a nossa história. Então é uma grande empolgação do nosso ano e também do lado deles. Eles estão ansiosos por conhecer o Brasil", afirma João Candido. O visitante passará por diferentes núcleos temáticos e verá obras representativas na trajetória do artista plástico, entre elas "O Mestiço", "Os Meninos Soltando Pipas", "Os Retirantes", "A Roda Infantil" e "O Café". "Conseguimos que os maiores museus brasileiros emprestassem suas obras. O MASP está emprestando duas telas da série 'Retirantes', que certamente serão as estrelas da exposição. A Pinacoteca de São Paulo está emprestando 'O Mestiço', que é também uma obra icônica. (...) O Museu Nacional de Belas Artes emprestou 'O Café'", afirma Candido. Museu Nacional da China Reprodução/EPTV O aroma do café, aliás, como o que a família do menino Portinari moía para tomar na cozinha de casa no interior de São Paulo, será um dos elementos-chave dessa experiência multissensorial, que também será o tempo todo preenchida por canções brasileiras. "A música brasileira realmente abre portas. Então, essa exposição é banhada de música. Ela é inteira, repleta de grandes autores e de grandes momentos musicais que emocionam as pessoas, tanto na música popular quanto na música lírica. (...) O meu papel muito na exposição, além de dar a cara dela, foi de estabelecer esse pulso, o pulso, que é a música que estabelece o ritmo, a diversidade, a cor, o movimento, e o sensorial, o olfato", define Dantas. Além disso, o público poderá ver, como um elemento participante desse cenário de telas, as linhas curvilíneas consagradas por Oscar Niemeyer, parceiro de obras de Portinari em projetos como o da Igrejinha da Pampulha, em Minas Gerais, referência da arquitetura brasileira e protagonista desse momento de modernização do país de meados do século 20. 'O Mestiço' (1934), obra de Cândido Portinari em exposição na Pinacoteca de SP Renata Bitar/g1 "A gente utiliza formas que você vai identificar na arquitetura do Niemeyer. Curvas que fazem assim, coisas que se fecham, nada é quadrado. Isso faz parte da estética que estava sendo fundada. O Brasil sai do quadrado e vai para o curvo. Esse é o desenho de país que a gente quis. Foi isso que a gente plantou lá atrás." O visitante ainda terá a oportunidade de ver, em uma única instalação, uma projeção ininterrupta das cerca de cinco mil obras de Portinari, inviável de ser conferida na íntegra, mas importante para mostrar o tamanho do legado artístico ali presente. "Você vai para um corredor que passa pela cronologia. De um lado, da vida do Portinari, uma cronologia sintética, mas ilustrada audiovisualmente, e o Carrossel Résumé, do outro lado, que é uma instalação que comecei há 20 anos, que é a totalidade da obra do Portinari desfilando numa coisa que demora nove horas para você íntegro, então ninguém vê. Mas é legal porque você vê a evolução do desenho, porque a qualquer momento que você chega vai acompanhando como esse artista vai se transformando." 'O Brasil de Portinari' Onde: Museu Nacional da China (Pequim) Quando: de 9 de junho a 10 de outubro de 2026 Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
Obras de Candido Portinari terão exposição inédita no maior museu da China; veja detalhes
Guia Modelo Escrito em 02/06/2026
Uma grande sala com projeções do chão ao teto que ocupam paredes de mais de 20 metros de altura, toda aromatizada pelo café brasileiro, dá as boas-vindas às milhares - ou possivelmente milhões - de pessoas que devem passar nos próximos quatro meses pela exposição "O Brasil de Portinari", no Museu Nacional da China. Uma experiência multissensorial foi preparada para o público naquela que será a primeira grande mostra com obras de um dos maiores artistas plásticos brasileiros na Ásia e que, há 70 anos, tinha esse sonho, não concretizado em vida. "É uma coisa absolutamente sem precedentes, não só no caso dele, mas no caso de qualquer outro artista também. E nós estamos preparados para isso", afirma João Candido, filho único de Portinari e diretor do Projeto Portinari, responsável pela preservação e democratização da obra do pintor brasileiro. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Mais do que 60 painéis originais de Candido Portinari, a exposição que poderá ser conferida entre junho e outubro em Pequim leva um arranjo de elementos que ajudam a explicar um pouco o Brasil rural e em processo de modernização ilustrado pelo pintor nascido em Brodowski (SP) em 1903 e falecido em 1962. 'Café' (1935), tela de Candido Portinari Reprodução/EPTV Para o diretor artístico responsável, Marcello Dantas, a síntese, de levar algo muito diferente para um público desconhecido, tem algo que se assemelha ao "disco de ouro" da Voyager, cápsula do tempo enviada ao espaço nos anos 1970 com imagens, obras de arte e outros elementos para resumir o Planeta Terra para civilizações extraterrestres. "Esse trabalho de fazer o Portinari para a China me parece um pouco com essa capacidade de síntese, respeitando que não é a humanidade, é o Brasil, mas ao mesmo tempo é a humanidade, porque tem valores ali que são da humanidade, que não têm a ver com a nacionalidade, com a fronteira, têm a ver com uma coisa que funciona e é aquilo que a gente levaria para um extraterrestre", disse, em entrevista especial à EPTV, afiliada da TV Globo. Museu Nacional da China Reprodução/EPTV Portinari é conhecido mundialmente pelos enormes murais 'Guerra' e 'Paz', instalados na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, mas também por retratar as mazelas sociais, o lúdico, a cultura e a beleza do Brasil por meio de uma estética própria, como o azul que faz parte de suas telas. Além de mostrar esse Brasil que Portinari pintou, o objetivo, segundo o diretor artístico, é ressaltar questões universais para se conectar com os asiáticos, muitos deles possivelmente vendo pela primeira vez uma tela do pintor paulista. Foto de arquivo do pintor Candido Portinari Reprodução/EPTV "A partir do que a gente está fazendo de recorte, eu consegui, entre as equipes curatoriais chinesas, causar muita emoção nas pessoas. Eles tiveram retornos muito enfáticos e muito fortes, emocionais, daquilo que eles estavam vendo, porque eles reconhecem ali vários valores. (...) Reconhecem também a visão que têm para o trabalhador, a visão para o campo, a visão para a representação da infância, que é uma coisa universal", explicou. Café, música e linhas de Niemeyer O Museu Nacional da China é considerado o maior do mundo em área construída e o segundo mais visitado do planeta, atrás apenas do Louvre, na França. Não é à toa que a expectativa dos organizadores é de que quatro milhões de pessoas visitem a exposição com 60 obras originais de Portinari em quatro meses. A mostra faz parte da programação do "Ano da Cultura e do Turismo Brasil-China 2026", uma iniciativa para celebrar as relações diplomáticas entre os dois países e que tem como principal articulador o Projeto Portinari. Marcello Dantas, diretor artístico da exposição 'O Brasil de Portinari'. Cacá Trovó/EPTV "No ano que vem ele [o museu] vai passar o Louvre. Em termos de visitação, são 30 mil pessoas por dia. Imagine você. Nós temos quatro meses de exposição, então vamos ter 4 milhões de visitantes. Um valor assim absolutamente inédito em toda a nossa história. Então é uma grande empolgação do nosso ano e também do lado deles. Eles estão ansiosos por conhecer o Brasil", afirma João Candido. O visitante passará por diferentes núcleos temáticos e verá obras representativas na trajetória do artista plástico, entre elas "O Mestiço", "Os Meninos Soltando Pipas", "Os Retirantes", "A Roda Infantil" e "O Café". "Conseguimos que os maiores museus brasileiros emprestassem suas obras. O MASP está emprestando duas telas da série 'Retirantes', que certamente serão as estrelas da exposição. A Pinacoteca de São Paulo está emprestando 'O Mestiço', que é também uma obra icônica. (...) O Museu Nacional de Belas Artes emprestou 'O Café'", afirma Candido. Museu Nacional da China Reprodução/EPTV O aroma do café, aliás, como o que a família do menino Portinari moía para tomar na cozinha de casa no interior de São Paulo, será um dos elementos-chave dessa experiência multissensorial, que também será o tempo todo preenchida por canções brasileiras. "A música brasileira realmente abre portas. Então, essa exposição é banhada de música. Ela é inteira, repleta de grandes autores e de grandes momentos musicais que emocionam as pessoas, tanto na música popular quanto na música lírica. (...) O meu papel muito na exposição, além de dar a cara dela, foi de estabelecer esse pulso, o pulso, que é a música que estabelece o ritmo, a diversidade, a cor, o movimento, e o sensorial, o olfato", define Dantas. Além disso, o público poderá ver, como um elemento participante desse cenário de telas, as linhas curvilíneas consagradas por Oscar Niemeyer, parceiro de obras de Portinari em projetos como o da Igrejinha da Pampulha, em Minas Gerais, referência da arquitetura brasileira e protagonista desse momento de modernização do país de meados do século 20. 'O Mestiço' (1934), obra de Cândido Portinari em exposição na Pinacoteca de SP Renata Bitar/g1 "A gente utiliza formas que você vai identificar na arquitetura do Niemeyer. Curvas que fazem assim, coisas que se fecham, nada é quadrado. Isso faz parte da estética que estava sendo fundada. O Brasil sai do quadrado e vai para o curvo. Esse é o desenho de país que a gente quis. Foi isso que a gente plantou lá atrás." O visitante ainda terá a oportunidade de ver, em uma única instalação, uma projeção ininterrupta das cerca de cinco mil obras de Portinari, inviável de ser conferida na íntegra, mas importante para mostrar o tamanho do legado artístico ali presente. "Você vai para um corredor que passa pela cronologia. De um lado, da vida do Portinari, uma cronologia sintética, mas ilustrada audiovisualmente, e o Carrossel Résumé, do outro lado, que é uma instalação que comecei há 20 anos, que é a totalidade da obra do Portinari desfilando numa coisa que demora nove horas para você íntegro, então ninguém vê. Mas é legal porque você vê a evolução do desenho, porque a qualquer momento que você chega vai acompanhando como esse artista vai se transformando." 'O Brasil de Portinari' Onde: Museu Nacional da China (Pequim) Quando: de 9 de junho a 10 de outubro de 2026 Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região