Fóssil prova que pré-mamíferos botavam ovos Um grupo de pesquisadores descobriu restos fossilizados de um embrião de Lystrosaurus, um pré-mamífero que habitou a Terra há cerca de 250 milhões de anos. A descoberta fornece a primeira evidência direta de que nossos ancestrais mamíferos punham ovos, de acordo com um estudo publicado na revista científica PLOS One. A ideia de que os ancestrais dos mamíferos – conhecidos como terapsídeos – punham ovos circula na ciência há mais de 180 anos. Nos dias de hoje, o ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus) e a equidna (Tachyglossidae) são raridades que fascinam muitos pesquisadores, por serem os únicos mamíferos vivos que botam ovos. No entanto, nenhum fóssil havia sido encontrado que pudesse confirmar isso. A nova descoberta "finalmente prova que os terapsídeos eram, de fato, animais que colocavam ovos. Essa descoberta lança nova luz sobre as estratégias reprodutivas e de sobrevivência desse grupo de animais", escreveram os autores em uma publicação para o portal científico The Conversation. O Lystrosaurus viveu há cerca de 250 milhões de anos, durante a chamada Grande Extinção, o evento em massa mais devastador da história do planeta, que dizimou até 90% de todos os seres vivos. A Terra era então uma paisagem de cinzas e lava, com chuva ácida e mares envenenados. Pesquisadores sugerem que esse herbívoro pré-histórico pode ter sobrevivido a esse ambiente hostil graças à sua capacidade de colocar ovos. LEIA TAMBÉM: El Niño pode voltar em meados de 2026 e ser forte, aponta organização meteorológica da ONU Salmão exposto à cocaína nada mais longe, mostra estudo VÍDEO: Chimpanzés em uma 'guerra civil'? Ilustração de filhote de Lystrosaurus que morreu dentro do ovo, baseada em fóssil encontrado na África do Sul Sophie Vrard Ajuda da tecnologia para desvendar o segredo Os restos mortais deste e de outros animais pré-históricos foram descobertos em 2008 pelo paleontólogo John Nyaphuli na região semiárida do Karoo, na África do Sul. O novo estudo revisita este espécime, que parece ter morrido dentro do ovo, e outros dois fósseis de filhotes de Lystrosaurus. Quando os paleontólogos encontraram o espécime, não possuíam a tecnologia necessária para analisar os restos mortais do animal em detalhes. No novo estudo, os autores explicam que utilizaram uma "poderosa fonte de raios-X para obter imagens do interior dos ossos do embrião". Graças a esse procedimento, "o fóssil revelou todos os segredos que guardava há tanto tempo; e, mais importante, seu estágio de desenvolvimento", afirmam. A coautora Jennifer Botha, paleontóloga da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, reconheceu que sabia desde o início que "era um filhote de Lystrosaurus perfeitamente encolhido. Eu até suspeitei, naquela época, que ele tivesse morrido dentro do ovo, mas não tínhamos a tecnologia para confirmar". A posição e o formato oval do animal sugerem que ele morreu dentro do ovo. Além disso, sua mandíbula inferior não estava fundida, semelhante ao que ocorre com aves e tartarugas modernas antes da eclosão, e seus ossos e cartilagens parecem ter sido muito frágeis para suportar seu próprio peso. Filhotes independentes desde o primeiro dia Ao contrário dos ovos de dinossauro – duros e abundantes no registro fóssil – a casca do ovo de Lystrosaurus seria feita de um material macio e coriáceo, o que explica seu desaparecimento. Em sua fase adulta, este herbívoro pré-histórico "parecia um porco, com pele nua, um bico semelhante ao de uma tartaruga e duas presas protuberantes apontando para baixo", descrevem os autores. Ao ser observado com raios X, embrião fossilizado de Lystrosaurus revelou detalhes sem precedentes Julien Benoit O Lystrosaurus botava ovos grandes para o seu tamanho, indicando que seus filhotes eram bastante grandes. Ao eclodirem, eles eram capazes de se alimentar, escapar de predadores e sobreviver por conta própria. "Crescimento rápido, reprodução em tenra idade e proliferação foram os segredos da sobrevivência do Lystrosaurus", sugerem os autores. Função e origem do leite materno Esses animais não recebiam leite materno. Os nutrientes que os alimentavam vinham diretamente do interior do ovo, um fato que também abre uma hipótese sobre a origem da lactação. De acordo com os pesquisadores, é possível que o leite materno não tenha surgido para alimentar os filhotes, "mas como secreções da pele usadas para umedecer os ovos, fornecer nutrientes, protegê-los contra infecções fúngicas e bacterianas ou para a sinalização hormonal através da membrana do ovo", pontuam os pesquisadores. A descoberta "nos ajuda a entender melhor a origem da biologia reprodutiva e da lactação em mamíferos, bem como a estratégia de sobrevivência do Lystrosaurus durante a crise biológica mais devastadora", concluem. LEIA TAMBÉM: Polvos gigantes de até 19 metros caçavam répteis marinhos há 100 milhões de anos Menina encontra anfíbio mexicano ameaçado de extinção debaixo de ponte no País de Gales Cientistas descobrem como os 'Doze Apóstolos da Austrália' foram formados Chimpanzés em uma "guerra civil"?
Fóssil revela que ancestrais de mamíferos botavam ovos
Guia Modelo Escrito em 26/04/2026
Fóssil prova que pré-mamíferos botavam ovos Um grupo de pesquisadores descobriu restos fossilizados de um embrião de Lystrosaurus, um pré-mamífero que habitou a Terra há cerca de 250 milhões de anos. A descoberta fornece a primeira evidência direta de que nossos ancestrais mamíferos punham ovos, de acordo com um estudo publicado na revista científica PLOS One. A ideia de que os ancestrais dos mamíferos – conhecidos como terapsídeos – punham ovos circula na ciência há mais de 180 anos. Nos dias de hoje, o ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus) e a equidna (Tachyglossidae) são raridades que fascinam muitos pesquisadores, por serem os únicos mamíferos vivos que botam ovos. No entanto, nenhum fóssil havia sido encontrado que pudesse confirmar isso. A nova descoberta "finalmente prova que os terapsídeos eram, de fato, animais que colocavam ovos. Essa descoberta lança nova luz sobre as estratégias reprodutivas e de sobrevivência desse grupo de animais", escreveram os autores em uma publicação para o portal científico The Conversation. O Lystrosaurus viveu há cerca de 250 milhões de anos, durante a chamada Grande Extinção, o evento em massa mais devastador da história do planeta, que dizimou até 90% de todos os seres vivos. A Terra era então uma paisagem de cinzas e lava, com chuva ácida e mares envenenados. Pesquisadores sugerem que esse herbívoro pré-histórico pode ter sobrevivido a esse ambiente hostil graças à sua capacidade de colocar ovos. LEIA TAMBÉM: El Niño pode voltar em meados de 2026 e ser forte, aponta organização meteorológica da ONU Salmão exposto à cocaína nada mais longe, mostra estudo VÍDEO: Chimpanzés em uma 'guerra civil'? Ilustração de filhote de Lystrosaurus que morreu dentro do ovo, baseada em fóssil encontrado na África do Sul Sophie Vrard Ajuda da tecnologia para desvendar o segredo Os restos mortais deste e de outros animais pré-históricos foram descobertos em 2008 pelo paleontólogo John Nyaphuli na região semiárida do Karoo, na África do Sul. O novo estudo revisita este espécime, que parece ter morrido dentro do ovo, e outros dois fósseis de filhotes de Lystrosaurus. Quando os paleontólogos encontraram o espécime, não possuíam a tecnologia necessária para analisar os restos mortais do animal em detalhes. No novo estudo, os autores explicam que utilizaram uma "poderosa fonte de raios-X para obter imagens do interior dos ossos do embrião". Graças a esse procedimento, "o fóssil revelou todos os segredos que guardava há tanto tempo; e, mais importante, seu estágio de desenvolvimento", afirmam. A coautora Jennifer Botha, paleontóloga da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, reconheceu que sabia desde o início que "era um filhote de Lystrosaurus perfeitamente encolhido. Eu até suspeitei, naquela época, que ele tivesse morrido dentro do ovo, mas não tínhamos a tecnologia para confirmar". A posição e o formato oval do animal sugerem que ele morreu dentro do ovo. Além disso, sua mandíbula inferior não estava fundida, semelhante ao que ocorre com aves e tartarugas modernas antes da eclosão, e seus ossos e cartilagens parecem ter sido muito frágeis para suportar seu próprio peso. Filhotes independentes desde o primeiro dia Ao contrário dos ovos de dinossauro – duros e abundantes no registro fóssil – a casca do ovo de Lystrosaurus seria feita de um material macio e coriáceo, o que explica seu desaparecimento. Em sua fase adulta, este herbívoro pré-histórico "parecia um porco, com pele nua, um bico semelhante ao de uma tartaruga e duas presas protuberantes apontando para baixo", descrevem os autores. Ao ser observado com raios X, embrião fossilizado de Lystrosaurus revelou detalhes sem precedentes Julien Benoit O Lystrosaurus botava ovos grandes para o seu tamanho, indicando que seus filhotes eram bastante grandes. Ao eclodirem, eles eram capazes de se alimentar, escapar de predadores e sobreviver por conta própria. "Crescimento rápido, reprodução em tenra idade e proliferação foram os segredos da sobrevivência do Lystrosaurus", sugerem os autores. Função e origem do leite materno Esses animais não recebiam leite materno. Os nutrientes que os alimentavam vinham diretamente do interior do ovo, um fato que também abre uma hipótese sobre a origem da lactação. De acordo com os pesquisadores, é possível que o leite materno não tenha surgido para alimentar os filhotes, "mas como secreções da pele usadas para umedecer os ovos, fornecer nutrientes, protegê-los contra infecções fúngicas e bacterianas ou para a sinalização hormonal através da membrana do ovo", pontuam os pesquisadores. A descoberta "nos ajuda a entender melhor a origem da biologia reprodutiva e da lactação em mamíferos, bem como a estratégia de sobrevivência do Lystrosaurus durante a crise biológica mais devastadora", concluem. LEIA TAMBÉM: Polvos gigantes de até 19 metros caçavam répteis marinhos há 100 milhões de anos Menina encontra anfíbio mexicano ameaçado de extinção debaixo de ponte no País de Gales Cientistas descobrem como os 'Doze Apóstolos da Austrália' foram formados Chimpanzés em uma "guerra civil"?