Crime em família: como mãe e filhos suspeitos usaram gráfica para fraudar R$ 27 milhões em livros em MS

Guia Modelo Escrito em 10/07/2026


MPMS apura impactos na saúde causados por investigados na Operação Gutenberg Uma investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) aponta que cinco integrantes da família Paroschi Jafar, ligada à Gráfica Alvorada e outras empresas do setor gráfico, são suspeitos de fazer parte da organização criminosa que pode ter fraudado mais de R$ 27 milhões em compras de livros didáticos. Segundo a investigação da Operação Gutenberg, prefeituras de Mato Grosso do Sul eram pressionadas a comprar livros produzidos pelo grupo para conseguir vagas na Central Estadual de Regulação para exames, consultas e cirurgias. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Entre os investigados estão a empresária Rossana Paroschi Jafar, apontada pelo Ministério Público como um dos elos do grupo, os filhos Olívia, Felipe e Giovanni Paroschi Jafar e a ex-nora Rhayane Souza Fanaia. Família Paroschi Jafar, suspeita de esquema em Campo Grande. Redes sociais/Reprodução Os cinco foram alvos da Operação Gutenberg, deflagrada na última terça-feira (7). Rossana, Olívia e Felipe estão presos em Campo Grande. Rhayane foi presa em Goiás. Já Giovanni teve a prisão preventiva decretada, mas ainda não foi localizado e é considerado foragido, conforme apuração do g1. Segundo as investigações, servidores da Saúde estadual condicionavam a liberação de vagas para hospitais, exames e cirurgias à compra dos livros didáticos vendidos pelo grupo familiar. O g1 não conseguiu localizar as defesas de Rossana, Olívia, Felipe, Giovanni e Rhayane. LEIA TAMBÉM: Ex-prefeito, médica e advogados: os presos suspeitos de fraude de R$ 27 milhões com compra de livros em MS Liberação de exames e cirurgias em hospitais públicos dependia da compra de livros em fraude de R$ 27 milhões em MS Justiça mantém presos 9 suspeitos investigados por fraude de R$27 milhões em compra de livros em MS O que se sabe sobre a fraude de R$ 27 milhões na compra de livros que envolve médica, ex-prefeito, advogados e servidores em MS A investigação que apura fraudes envolvendo compra de livros e servidores da Saúde estadual em Mato Grosso do Sul, aponta que entre os suspeitos estão a mãe, filhos e uma ex-nora. Rossana é viúva do empresário Mirched Jafar Júnior, que era dono da Gráfica Alvorada. Entenda quem são os integrantes da família investigada: Rossana Paroschi Jafar Cirurgiã-dentista e empresária ligada à Gráfica Alvorada e outras empresas do ramo gráfico. Ela foi presa na Operação Gutenberg por suspeita de participação no esquema de compra de livros e, também, por possuir munições em casa. Nessa quinta-feira (9), Rossana teve liberdade provisória aprovada pela Justiça no processo da prisão pelas munições. Contudo, a empresária continua presa em decorrência do processo que apura a fraude. Olívia Paroschi Jafar Filha de Rossana, médica e empresária, Olívia é proprietária da Clínica Ross, que também foi alvo de buscas na operação. Olívia também segue presa preventivamente. Felipe Paroschi Jafar Filho de Rossana, é engenheiro ex-servidor comissionado da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). Ele foi exonerado do cargo de assessor especial do órgão após ser preso na operação. Giovanni Paroschi Jafar Filho de Rossana Paroschi Jafar e irmão de Olívia e Felipe. Empresário e sócio-administrador da Bold Tech Ltda., empresa ligada ao ramo de impressão/publicações. Teve mandado de prisão preventiva expedido, mas é considerado foragido. Giovanni era casado com Rhayane Souza Fanaia. Rhayane Souza Fanaia Ex-nora de Rossana por ter sido casada com Giovanni, o nome de Rhayane Souza Fanaia aparece ligado à empresa Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços (Editora Avante), citada nas investigações sobre contratos de venda de livros para prefeituras de Mato Grosso do Sul. Conforme apurado pelo g1, Rhayane foi presa em Goiás. Esquema movimentou mais de R$ 27 milhões Conforme a investigação, o grupo contava com a participação de servidores públicos para fraudar e direcionar compras públicas por meio da contratação direta, sem licitação, para a aquisição de livros paradidáticos. Os 16 suspeitos de participação no esquema que tiveram mandados de prisão decretados são: Rossana Paroschi Jafar, empresária; Olívia Paroschi Jafar, médica e filha de Rossana; Felipe Paroschi Jafar, ex-comissionado na Agesul e filho de Rossana; Giovanni Paroschi Jafar; Rhayane Souza Fanaia, ex-nora de Rossana; Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, ex-prefeito de Fátima do Sul e assessor parlamentar; Ed Carlo Britto Burgatt, coordenador de regulação de MS; Jéssyca Burgatt, empresária e filha de Ed Carlo; Francisco Anizio dos Santos; Matheus Oliveira Peixoto; Joatan Gomes Peixoto; Paulo Rogério de Melo, empresário; Douglas Henrique de Melo, empresário e filho de Paulo; Geancarlo Leal de Freitas; Gabriel Taquino de Paula, está foragido, segundo o MPMS; Heyder Bartz, está foragido, segundo o MPMS; Ainda segundo o MPMS, os contratos investigados somam mais de R$ 27 milhões em recursos públicos. O dinheiro, conforme a apuração, era distribuído entre integrantes da organização, servidores envolvidos e pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos valores. As investigações também apontam que servidores da área da saúde teriam condicionado a autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais da rede estadual à compra de livros comercializados pelo grupo. Segundo o Ministério Público, a organização continuava em atividade e mantinha contratos ativos em vários municípios. A operação foi realizada em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO). A operação contou com apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope). O nome da operação, "Gutenberg", faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros. Conforme o MPMS, a escolha faz alusão ao uso dos livros como instrumento para dar aparência de legalidade ao esquema investigado. O que dizem as defesas? A defesa de Francisco Anizio dos Santos, Ed Carlo Britto Burgatt, Gabriel Taquino de Paula, Matheus Oliveira Peixoto e Joatan Gomes Peixoto disse que ainda não teve acesso aos autos. O g1 não localizou as defesas de Rossana Paroschi Jafar, Felipe Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar, Giovanni Paroschi Jafar, Jéssyca Duarte Burgatt. A defesa de Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior disse que ainda não teve acesso à íntegra do processo e "tampouco aos fundamentos da decisão, motivo pelo qual qualquer manifestação seria prematura. Tão logo tenha conhecimento dos autos, a defesa se pronunciará pelas vias adequadas". A reportagem ainda não teve retorno da defesa de Paulo Rogério de Melo e Douglas Henrique de Melo. A defesa Heyder Bartz esclarece que, até o presente momento, não teve acesso formal à decisão que supostamente determinou a expedição do mandado de prisão, razão pela qual não foi possível tomar ciência de seus exatos fundamentos. Contudo, ressalta-se que a defesa já estabeleceu contato voluntário com os agentes e autoridades responsáveis pela condução do caso, colocando o cliente integralmente à disposição da Justica para cooperar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos necessários, sendo informados que eventual intimação chegaria posteriormente em outro momento. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: