Mortes em Gaza desde retomada de ataques passam de 1 mil, diz Hamas; Israel diz estar 'fragmentando' território

Guia Modelo Escrito em 03/04/2025


Exército israelense voltou a bombardear Faixa de Gaza há duas semanas, rompendo trégua entre os dois lados. No total, mais de 50 mil pessoas morreram no território por conta de bombardeios desde o início da guerra, em 2023, segundo governo local, controlado pelo Hamas. Mulher chora durante funeral do marido na Faixa de Gaza, em 3 de abril de 2025. Abdel Kareem Hana/ AP Desde que Israel retomou os bombardeios na Faixa de Gaza, há duas semanas, mais de 1.000 pessoas já morreram por conta dos bombardeios, disse nesta quinta-feira (3) o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. sO primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou, nesta quarta-feira (2), que as forças armadas estão "fragmentando" Gaza e ocupando áreas para pressionar o Hamas a libertar os reféns mantidos em cativeiro no território palestino. Após quase dois meses de trégua e com as negociações para estendê-la estagnadas, Israel retomou, em 18 de março, sua ofensiva aérea e, dias depois, a terrestre, contra o Hamas. Nesta quarta, ataques israelenses mataram pelo menos 34 pessoas em Gaza, informou a Defesa Civil do território palestino. O Exército está "fragmentando a Faixa de Gaza e aumentando a pressão pouco a pouco para que nos devolvam os reféns", declarou Netanyahu, ao acrescentar que Israel "toma territórios, atinge terroristas e destrói infraestruturas". O líder israelense também informou que as forças armadas estão "tomando o controle do 'Eixo Morag'", uma faixa destinada a separar as cidades de Khan Yunis e Rafah, no sul do território. O nome do eixo faz referência à antiga colônia judaica de Morag, desmantelada em 2005, quando o Exército israelense se retirou unilateralmente de Gaza. Segundo a Defesa Civil da Faixa, um dos bombardeios israelenses desta quarta-feira matou 19 pessoas, entre elas nove crianças, em uma clínica da Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) em Jabalia, no norte do território. O Exército declarou que tinha atacado milicianos do Hamas "dentro de um centro de comando e controle" em Jabalia e confirmou em separado à AFP que o edifício abrigava uma clínica das Nações Unidas. O Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina, com sede na Cisjordânia ocupada, condenou o "massacre" e pediu que haja "pressão internacional séria" para deter a ofensiva israelense. Outras 13 pessoas morreram em ações israelenses contra residências na cidade de Khan Yunis e outras duas no campo de refugiados de Nuseirat (centro), segundo a Defesa Civil. Ao menos 1.066 pessoas morreram em Gaza desde que a ofensiva israelense foi retomada, segundo o Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas. - 'Libertar os reféns' -O Fórum das Famílias, a maior associação de familiares dos reféns sob poder do Hamas, se declarou "horrorizado" com o anúncio do governo israelense. "Ao invés de libertar os reféns com um acordo e pôr fim à guerra, o governo israelense envia mais soldados para Gaza para combater nas mesmas áreas onde lutaram mais de uma vez", assinalou. Os países mediadores de ambas as partes - Catar, Egito e Estados Unidos - trabalham em um novo acordo de cessar-fogo que permita o retorno do restante dos reféns do Hamas. Um alto dirigente do movimento islamista disse no sábado que o grupo havia aprovado uma nova proposta de trégua apresentada pelos mediadores e instou Israel a fazer o mesmo. O gabinete de Netanyahu confirmou ter recebido a proposta dos mediadores e informou ter apresentado uma contraproposta. Os detalhes destas últimas manobras de mediação não foram revelados. Mas o Hamas anunciou nesta quarta que "decidiu não responder à última proposta israelense apresentada por meio de mediadores", declarou um dos responsáveis do grupo à AFP sob anonimato, acusando Israel de "obstruir uma proposta do Egito e do Catar e de tentar fazer o acordo descarrilar". Nesse contexto de forte tensão, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, de extrema direita, provocou nova polêmica nesta quarta-feira ao visitar a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, o terceiro lugar mais sagrado do islã. A visita suscitou a condenação não apenas do Hamas, mas também da vizinha Jordânia, que atua como guardiã do local sagrado, além do Catar e de outros governos. Padarias fechadas No domingo, Netanyahu ofereceu aos líderes do Hamas a possibilidade de deixar Gaza, sob a condição de que o grupo entregue as armas. O movimento islamista declarou que poderia abrir mão de administrar Gaza após o conflito, mas se nega a depor as armas. A guerra foi provocada pelos ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023, contra Israel, que deixaram 1.218 mortos, segundo um balanço baseado em dados israelenses. A campanha de represália de Israel matou pelo menos 50.423 pessoas em Gaza, civis em sua maioria, de acordo com o Ministério da Saúde do território. Para aumentar a pressão sobre o movimento islamista, Israel também bloqueia, desde 2 de março, a entrada de ajuda humanitária na já sitiada Gaza. Algumas padarias fecharam pela falta de açúcar e farinha. "Passei toda a manhã indo de padaria em padaria, mas estão todas fechadas", disse à AFP Amina al Sayed na Cidade de Gaza.