Jurado atento ao desfile em SP chama a atenção e viraliza na web Um homem de cabelos longos, corpo projetado para fora da cabine de jurados e olhar fixo na avenida. Bastaram poucos segundos de vídeo para que João Batista Cruz virasse personagem do carnaval 2026 de São Paulo. O jurado do quesito harmonia viralizou nas redes sociais após ser filmado durante os desfiles do Grupo Especial, na última sexta-feira (13), no Sambódromo do Anhembi, e ganhou o apelido de “Fiuk da Harmonia”, numa comparação bem-humorada com o cantor Fiuk devido à aparência física. Por trás do meme, no entanto, está um músico experiente, doutor em música pela Universidade de São Paulo (USP) e figura conhecida — ainda que discreta — do carnaval e da cena musical paulistana (leia mais abaixo). O vídeo, publicado inicialmente no Instagram e replicado por diversas páginas, mostra João com metade do corpo apoiada no parapeito da cabine enquanto observava atentamente o desfile da Mocidade Unida da Mooca, que estreou no Grupo Especial e abriu a noite de desfiles. Jurado que viralizou pela atenção com a qual se dedicou a avaliar a harmonia das escolas (à esquerda) foi comparado a Fiuk por causa da aparência com cantor Reprodução/Redes sociais/Arquivo/Celso Tavares/g1 A postura chamou a atenção de foliões e internautas, que passaram a brincar dizendo que o jurado “avaliava até a alma” dos componentes. Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, os jurados de harmonia têm justamente a função de verificar se o samba-enredo é cantado por todos os integrantes, se há falhas e se a letra é conhecida do começo ao fim — o que exige atenção constante à pista. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a atitude registrada no vídeo não é incomum e indica rigor técnico na avaliação. Quem é João Longe das cabines do carnaval, João Batista Cruz é músico profissional e filho do arquiteto José Armênio de Brito Cruz, responsável pela reforma da Biblioteca Mário de Andrade, um dos principais equipamentos culturais da capital. Na cena da música, ele toca saxofone no grupo Grand Bazaar, banda paulistana conhecida por misturar ritmos brasileiros com influências ciganas e mediterrâneas. O grupo se apresenta com frequência na Casa de Francisca, espaço cultural no Centro de São Paulo que se tornou referência na música instrumental e alternativa na cidade. Além da atuação nos palcos, João tem formação acadêmica sólida. Ele cursou pós-graduação na PUC-SP, onde desenvolveu uma pesquisa aprofundada sobre a fase experimental do compositor Gilberto Mendes. Também foi professor de música. Na cena da música, ele toca saxofone no grupo Grand Bazaar, banda paulistana conhecida por misturar ritmos brasileiros com influências ciganas e mediterrâneas. Reprodução/Instagram No doutorado, defendido em 2024, João analisou a programação de concertos como parte central da prática das orquestras no século XXI, mostrando como a escolha das obras carrega leituras políticas, históricas e geográficas da música. A pesquisa teve como foco a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, examinando seu processo de reestruturação nos anos 1990 e os programas apresentados entre 2000 e 2009, para entender a relação entre repertório e contexto social. No carnaval de rua em São Paulo, João também é figura conhecida. Ele tem forte envolvimento com o Cordão Cheiroso, bloco tradicional de fanfarra da capital paulista que desfilou na última segunda-feira (16). Fontes próximas a ele afirmaram ao g1 que ele participou da fundação do grupo. Nas redes sociais, há imagens dele tocando no bloco em anos anteriores. A reportagem do g1 tentou contato com o músico para comentar o episódio por diversas vezes, mas ele não retornou até a última atualização. Bloco Cordão Cheiroso em SP. Reprodução/Instagram Nota 10 Na avaliação dos desfiles do Grupo Especial, que teve a escola Mocidade Alegre como campeã do carnaval 2026, João só não deu nota 10 para quatro escolas no quesito harmonia. Apenas Colorado do Brás, Império de Casa Verde, Mocidade Alegre e Camisa Verde e Branco não mereceram nota máxima na opinião do jurado. Quantidade de notas 10 que as escolas de SP receberam Arte/g1
'Fiuk da Harmonia': jurado que viralizou no carnaval de SP é doutor pela USP, tem banda cigana e ajudou a fundar bloco de rua
Guia Modelo Escrito em 20/02/2026
Jurado atento ao desfile em SP chama a atenção e viraliza na web Um homem de cabelos longos, corpo projetado para fora da cabine de jurados e olhar fixo na avenida. Bastaram poucos segundos de vídeo para que João Batista Cruz virasse personagem do carnaval 2026 de São Paulo. O jurado do quesito harmonia viralizou nas redes sociais após ser filmado durante os desfiles do Grupo Especial, na última sexta-feira (13), no Sambódromo do Anhembi, e ganhou o apelido de “Fiuk da Harmonia”, numa comparação bem-humorada com o cantor Fiuk devido à aparência física. Por trás do meme, no entanto, está um músico experiente, doutor em música pela Universidade de São Paulo (USP) e figura conhecida — ainda que discreta — do carnaval e da cena musical paulistana (leia mais abaixo). O vídeo, publicado inicialmente no Instagram e replicado por diversas páginas, mostra João com metade do corpo apoiada no parapeito da cabine enquanto observava atentamente o desfile da Mocidade Unida da Mooca, que estreou no Grupo Especial e abriu a noite de desfiles. Jurado que viralizou pela atenção com a qual se dedicou a avaliar a harmonia das escolas (à esquerda) foi comparado a Fiuk por causa da aparência com cantor Reprodução/Redes sociais/Arquivo/Celso Tavares/g1 A postura chamou a atenção de foliões e internautas, que passaram a brincar dizendo que o jurado “avaliava até a alma” dos componentes. Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, os jurados de harmonia têm justamente a função de verificar se o samba-enredo é cantado por todos os integrantes, se há falhas e se a letra é conhecida do começo ao fim — o que exige atenção constante à pista. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a atitude registrada no vídeo não é incomum e indica rigor técnico na avaliação. Quem é João Longe das cabines do carnaval, João Batista Cruz é músico profissional e filho do arquiteto José Armênio de Brito Cruz, responsável pela reforma da Biblioteca Mário de Andrade, um dos principais equipamentos culturais da capital. Na cena da música, ele toca saxofone no grupo Grand Bazaar, banda paulistana conhecida por misturar ritmos brasileiros com influências ciganas e mediterrâneas. O grupo se apresenta com frequência na Casa de Francisca, espaço cultural no Centro de São Paulo que se tornou referência na música instrumental e alternativa na cidade. Além da atuação nos palcos, João tem formação acadêmica sólida. Ele cursou pós-graduação na PUC-SP, onde desenvolveu uma pesquisa aprofundada sobre a fase experimental do compositor Gilberto Mendes. Também foi professor de música. Na cena da música, ele toca saxofone no grupo Grand Bazaar, banda paulistana conhecida por misturar ritmos brasileiros com influências ciganas e mediterrâneas. Reprodução/Instagram No doutorado, defendido em 2024, João analisou a programação de concertos como parte central da prática das orquestras no século XXI, mostrando como a escolha das obras carrega leituras políticas, históricas e geográficas da música. A pesquisa teve como foco a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, examinando seu processo de reestruturação nos anos 1990 e os programas apresentados entre 2000 e 2009, para entender a relação entre repertório e contexto social. No carnaval de rua em São Paulo, João também é figura conhecida. Ele tem forte envolvimento com o Cordão Cheiroso, bloco tradicional de fanfarra da capital paulista que desfilou na última segunda-feira (16). Fontes próximas a ele afirmaram ao g1 que ele participou da fundação do grupo. Nas redes sociais, há imagens dele tocando no bloco em anos anteriores. A reportagem do g1 tentou contato com o músico para comentar o episódio por diversas vezes, mas ele não retornou até a última atualização. Bloco Cordão Cheiroso em SP. Reprodução/Instagram Nota 10 Na avaliação dos desfiles do Grupo Especial, que teve a escola Mocidade Alegre como campeã do carnaval 2026, João só não deu nota 10 para quatro escolas no quesito harmonia. Apenas Colorado do Brás, Império de Casa Verde, Mocidade Alegre e Camisa Verde e Branco não mereceram nota máxima na opinião do jurado. Quantidade de notas 10 que as escolas de SP receberam Arte/g1