Terapia hormonal na menopausa não altera risco de demência, aponta análise com mais de 1 milhão de participantes

Guia Modelo Escrito em 21/01/2026


Terapia hormonal na menopausa não altera risco de demência. Freepik Apesar de diversas pesquisas relacionarem a menopausa a um declínio cognitivo e à maior probabilidade de desenvolver demência, a terapia de reposição hormonal nesse período não altera o risco dessa condição para mulheres. A conclusão é de uma revisão de dez estudos envolvendo mais de um milhão de participantes publicada na revista científica "The Lancet Healthy Longevity". (veja mais abaixo) "A revisão não encontrou evidências de que o uso de THM [terapia hormonal da menopausa] aumenta ou reduza o risco de demência em mulheres na pós-menopausa", analisam os pesquisadores. A pesquisa lembra que estudos observacionais iniciais sugeriam que a terapia poderia reduzir o risco de demência, especialmente quando iniciada precocemente e utilizada por longos períodos. VEJA TAMBÉM: Beber álcool aumenta risco de demência mesmo quando o consumo é pequeno, aponta estudo ➡️É o que mostrou um estudo publicado em 2021 na revista científica da Alzheimer's Association, "Alzheimer's & Dementia", por exemplo. Na época, os resultados indicaram que a terapia hormonal foi associada à redução do risco de todas as doenças neurodegenerativas, incluindo a demência. Mas a revisão publicada na Lancet ressalta a limitação desses estudos observacionais e destaca que os efeitos cognitivos da reposição hormonal não foram reproduzidos em ensaios clínicos randomizados. O que os pesquisadores observaram, a partir da análise de trabalhos já publicados, é que "as evidências disponíveis não confirmam se a terapia hormonal na menopausa tem efeito positivo, negativo ou nulo sobre o risco de demência ou de comprometimento cognitivo leve". "De modo geral, as evidências disponíveis até o momento não sustentam o uso da THM exclusivamente para redução do risco de demência", concluem os pesquisadores. 👉Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não traz orientações sobre a terapia hormonal e seus impactos cognitivos. A revisão deve servir como base para o processo de atualização das diretrizes da OMS sobre redução do risco de declínio cognitivo e demência. Eles ainda ponderam que são necessárias mais pesquisas para esclarecer o papel da reposição hormonal em relação à demência. LEIA MAIS: Menopausa precoce: parar de menstruar antes dos 40 anos é normal? Veja sintomas e consequências dessa condição Reposição hormonal ameniza sintomas da menopausa e melhora a qualidade de vida, mas não é para todas as mulheres Mais de 1 milhão de participantes Para a revisão, os pesquisadores identificaram quase seis mil registros e selecionaram dez estudos – um estudo clínico randomizado e nove estudos observacionais. No total, 1.016.055 participantes foram incluídos. Foram analisadas pesquisas publicadas entre 1 de janeiro de 2000 e 20 de outubro de 2025. Nenhum dos estudos incluídos examinou o uso de testosterona ou o uso em insuficiência ovariana prematura. Menopausa e demência A menopausa faz parte do climatério, o momento de transição da vida reprodutiva da mulher para a vida não reprodutiva. Nesse período, acontece a queda e interrupção da produção dos principais hormônios do corpo feminino: o estrogênio e a progesterona. Além dos sintomas físicos que esse processo acarreta – como ondas de calor, secura vaginal, perda da qualidade do sono e diminuição da libido – ele também gera consequências cognitivas. 🧠Entre os principais sintomas cognitivos estão: Perda de memória Dificuldade de concentração Problemas com foco Isso acontece porque os receptores desses hormônios femininos atuam no sistema nervoso central (SNC) e a falta dessas substâncias modifica os neurotransmissores. Nesse contexto, algumas pesquisas associam alguns sintomas da menopausa ao risco de desenvolvimento futuro de demência. ➡️Um estudo publicado em 2025 na revista científica "PLOS One" mostrou que uma maior carga de sintomas da menopausa está relacionada a uma função cognitiva mais precária e, consequentemente, a uma maior tendência de enfrentar demência ao longo do envelhecimento. ➡️Uma pesquisa publicada em 2024 na revista científica "Age and Ageing", da Oxford Academic, também concluiu que mulheres que entram na menopausa antes dos 40 anos apresentam maior risco de demência – ou seja, a menopausa precoce também pode ser um fator que contribui para o desenvolvimento da condição cognitiva. Mulheres vão viver mais tempo sob os efeitos da menopausa: entenda o que é, quais os sintomas e como lidar Reposição hormonal na menopausa Apesar da pesquisa mostrar que não há efeitos comprovados da reposição hormonal na menopausa no risco de demência, a terapia é recomendada para amenizar sintomas do climatério e melhorar a qualidade de vida. Quem pode fazer reposição hormonal Luiza Rivas / Dhara Assis / Bárbara Miranda | arte g1