Valdemar Costa Neto defende interferência de presidentes de partidos em emendas; 'Lógico' que outros fazem o mesmo, diz

Guia Modelo Escrito em 14/07/2026


Valdemar Costa Neto defende interferência de presidentes de partidos em emendas Em entrevista ao Estúdio i nesta terça-feira (14), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu a prática de dirigentes partidários definirem o destino de emendas parlamentares, defendendo que essa é uma função inerente ao cargo. Segundo o dirigente, apenas o presidente e a direção do partido possuem uma "visão nacional" das necessidades da legenda, enquanto o deputado individual foca apenas em suas bases locais. Questionado se outros presidentes de partido interferem na destinação de emendas, Valdemar declarou que sim. "Mas é lógico. A função do presidente é cuidar do partido", alegou. 🔎A indicação de emendas parlamentares é uma prerrogativa de deputados e senadores. Valdemar é ex-deputado, portanto, a participação dele na destinação de recursos públicos é irregular, conforme destaca a PF. Presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Divulgação/Alesp Nesta sexta-feira (10), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de emendas parlamentares que teriam sido indicadas irregularmente pelo presidente do PL. Valdemar é suspeito dos crimes de desvio de dinheiro e de associação criminosa. A Polícia Federal investiga se ele desviou R$ 119 milhões em emendas parlamentares através de um esquema clandestino. De acordo com a investigação, deputados federais eram falsamente apontados como “solicitantes” das indicações, a fim de conferir ares de legalidade. As indicações de Valdemar eram planilhadas e encaminhadas aos ministérios responsáveis por programas. Na entrevista ao Estúdio i, Valdemar justificou que a negociação de emendas faz parte da dinâmica política para atender prefeitos e vereadores que buscam recursos, mas que não possuem um "padrinho" direto no Congresso. O dirigente comentou ainda a investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre 21 emendas que somam R$ 119 milhões, registradas em nomes de outros deputados, mas que a Polícia Federal suspeita terem sido indicadas por ele. Valdemar negou qualquer irregularidade e explicou que sua atuação, junto a funcionários da liderança, era para verificar a viabilidade técnica da execução orçamentária Tiririca não sabia para onde destinar emendas Valdemar explicou que a redistribuição acontece quando parlamentares que possuem muitos "votos de opinião" e poucos compromissos com prefeituras acabam com "sobras" de emendas. Segundo ele, esses deputados colocam os recursos à disposição da liderança para atender colegas que já esgotaram suas cotas, mas ainda precisam enviar verbas para seus municípios Como exemplo prático, o presidente do PL citou o deputado Tiririca (PSD,). Valdemar relatou que, por não possuir bases municipais ou prefeitos trabalhando para ele, o parlamentar o procurou questionando o que fazer com suas emendas. "Eu falei: segura para a gente pôr nas nossas cidades que não têm quem ajude e que precisam de recurso", afirmou Valdemar. De acordo com Valdemar, mensagens interceptadas que mostram pedidos de troca de indicações de emendas referem-se a ajustes necessários quando um município não possui projetos prontos ou quando o orçamento para determinada área, como saúde, já se esgotou, restando apenas verbas para outros setores, como o turismo. O presidente do PL reforçou que, embora participe da negociação, quem assina as indicações é o líder da bancada, pois ele próprio não possui mandato parlamentar. "O deputado chega para mim e diz: 'Valdemar, olha aqui, eu fiz as emendas, vai sobrar R$ 5 milhões das minhas emendas'. Aí, eu pego essas emendas, dou para os deputados que não têm mais emendas, que acabou com as emendas dele e precisa de atender mais cidades. Essa função é uma função normal. A liderança examina as condições da prefeitura, e quem assina isso é o líder", declarou. 'Arranjo funcional informal' A análise em aparelhos celulares apreendidos na primeira fase da Operação Transparência, realizada em dezembro do ano passado e que teve a funcionária da Câmara Mariângela Fialek, a Tuca, como alvo, identificou mensagens de servidores discutindo cotas de valores e áreas prioritárias — como saúde e turismo —, com forte incidência de indicações voltadas a municípios do estado de São Paulo. Foi a partir da análise do celular que a Polícia Federal identificou o que chamou de um "arranjo funcional informal envolvendo servidores da Câmara", que contava ainda com a atuação de pelo menos mais dois servidores: Nara Brum e Garigham Amarante Pinto. A PF identificou uma troca de mensagens entre os servidores sobre o destino de R$ 24 milhões em emendas. Em uma delas, Nara Brum enviou para Mariângela uma planilha intitulada “Alteração em Turismo - VCN”. Mariângela respondeu: “Já tenho”. Mas Nara, na sequência, explicou: “Não, o Valdemar pediu para trocar algumas das indicações que ele fez ontem em turismo, porque os municípios não iriam conseguir executar”.