Produção caseira, anúncio na web e em academias: como funcionava a fabricação e a venda ilegal de anabolizantes alvos de operação

Guia Modelo Escrito em 12/08/2026


Suspeitos de fabricar e distribuir anabolizantes são alvos da polícia do DF A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), uma operação contra um grupo suspeito de fabricar e distribuir anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos adulterados em diversos estados. De acordo com a investigação, a fabricação e estocagem dos produtos era concentrada na capital federal. Gráficas e academias do DF também eram usadas para fazer as embalagens e divulgar a venda dos produtos, respectivamente. Os policiais afirmam que os anabolizantes eram produzidos de forma caseira e precária, com substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes misturados a insumos como óleo de cozinha. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Médicos veterinários também investigados faziam parte do esquema emitindo receitas falsas para a compra de medicamentos de uso controlado em estabelecimentos agropecuários. Para dar mais "legitimidade" aos produtos, os suspeitos usavam rótulos em língua estrangeira e bandeiras de outros países. Além disso, nutricionistas e treinadores recomendavam as substâncias, afirma a Polícia Civil. Vejam quem são suspeitos investigados Suspeitos atuavam há 12 anos e lucravam cerca de R$ 500 mil por mês PRISÃO NO EXTERIOR: chefes de esquema são presos no Paraguai Produto clandestino era vendido com rótulo em inglês Redes Sociais/Reprodução 'Amarelinho' vendido na web Nas redes sociais, o produto é apelidado de 'amarelinho' e promete resultados rápidos — perceptíveis em até 24h. Em sites e plataformas de vendas, 30 cápsulas chegam a custar R$ 250. Também é possível encontrar porções menores, vendidas como "teste", com seis cápsulas custando R$ 60. Em grandes quantidades, o valor ultrapassa os R$ 700. Após a venda, os anabolizantes eram entregues por meio de motoboys e enviados para todo o Brasil via Correios. Sites vendem produto produzido de forma clandestina Reprodução Polícia cumpre mais de 100 mandados Os agentes da Polícia Civil do Distrito Federal cumpriram 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 32 milhões dos investigados – 25 veículos de luxo serão apreendidos (veja vídeo acima). Até a última atualização desta reportagem, cerca de 30 pessoas foram presas. Além disso, 13 estabelecimentos foram fechados e 22 perfis em redes sociais foram derrubados. Entre os alvos de prisão estão Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraiya e apontado como chefe do esquema; a influenciadora Ana Luiza de Nazaré Lima e Alam Manoel Lima. Donos de academia e de lojas de suplementos também foram presos, segundo informações da Polícia Civil. As identidades não foram divulgadas. As investigações começaram após buscas e apreensões na casa do suspeito apontado como chefe de um dos núcleos do esquema. No celular apreendido, os policiais encontraram várias mensagens com detalhes dos crimes e os diferentes núcleos de atuação. 💡 Os esteroides anabolizantes são drogas, administradas principalmente por via oral ou injetável, que se assemelham à testosterona ou outros andrógenos (hormônios masculinos produzidos nos testículos). Conforme a legislação brasileira, esses produtos estão sob controle especial e só podem ser vendidos em farmácias e drogarias mediante receita médica. Divisão por estado Suspeitos de fabricar e distribuir anabolizantes são alvos da polícia do DF PCDF/Reprodução Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava em diferentes regiões do país: No DF, estavam concentradas as bases de fabricação e estocagem, academias vinculadas à divulgação dos produtos e a gráfica utilizada na produção das embalagens; Em Goiás, havia recebimento de insumos em depósitos, funcionamento de uma farmácia de manipulação envolvida no esquema e movimentação financeira do grupo; Na Paraíba, os investigadores identificaram um laboratório filial operado a partir de uma mansão alugada e de uma residência de alto padrão à beira-mar, que contava com apoio de familiares, e de uma parceira local no recebimento de insumos importados por correio; No Paraná, uma fornecedora de fronteira e seu marido coordenavam o fornecimento interestadual das substâncias. A rede se estendia ainda ao Acre e Minas Gerais, com o escoamento contínuo dos produtos. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.