'Eu não sou o Bukele', diz Renan Santos ao falar de segurança pública O presidente do El Salvador, Nayib Bukele, foi citado na entrevista que o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) concedeu ao g1 e à GloboNews nesta quarta-feira (5). Durante sua fala, o político defendeu novas políticas de combate à criminalidade e propôs a criação de megaprisões, aos moldes do que foi feito no país caribenho. Quando comparado ao líder salvadorenho, após elogiar suas medidas de segurança pública, Santos enfatizou que não é igual a Bukele. Ainda assim, reforçou sua admiração pelas ações tomadas pelo presidente de El Salvador. “Eu não sou o Bukele, eu sou brasileiro. Meu nome é Renan Santos. Eu não sou neto de palestinos. Eu tenho outra família, eu nasci na Mooca. Eu moro no Brasil”, disse. O candidato também afirmou que a experiência de El Salvador foi adotada em um contexto diferente do enfrentado pelo Brasil. Por isso, disse Santos, seu eventual governo não deve implementar medidas autoritárias associadas ao governo de Bukele, como prisões sem ordem judicial, julgamentos coletivos ou detenções motivadas por denúncias anônimas. Segundo ele, eventuais ações na área de segurança devem respeitar as regras previstas na Constituição. Ainda assim, ele defendeu que o país tenha a mesma disposição para enfrentar a criminalidade. "A determinação para resolver esses problemas precisa ser a mesma", afirmou. Veja, abaixo, quem é Nayib Bukele e o que ele fez à frente de El Salvador. Nayib Bukele, presidente de El Salvador, em 19 de outubro de 2023 REUTERS/Jose Cabezas/File Photo Quem é Nayib Bukele, presidente de El Salvador No poder desde 2019, Bukele ficou conhecido por romper o sistema bipartidário que governava o país desde o fim da guerra civil e por construir uma imagem de político jovem, conectado às redes sociais e distante da política tradicional. 🔍 A Guerra Civil de El Salvador ocorreu entre 1979 e 1992. O conflito opôs o governo salvadorenho, apoiado militarmente pelos Estados Unidos, e a coalizão guerrilheira de esquerda Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN). A guerra causou mais de 75 mil mortes, graves violações dos direitos humanos e terminou com a assinatura dos Acordos de Paz de Chapultepec. Nascido em San Salvador, em 1981, Bukele é filho de um empresário de origem palestina e iniciou a carreira na publicidade antes de entrar para a política. Foi prefeito de Nuevo Cuscatlán de 2012 a 2015 e depois da capital, San Salvador, até chegar à Presidência, em 2019. Durante sua ascensão, passou por grupos de esquerda mas, posteriormente, adotou um discurso sem alinhamento ideológico definido. Sua principal bandeira é o combate às gangues criminosas que durante décadas dominaram partes de El Salvador. A partir de 2022, o governo implantou um regime de exceção que permitiu prisões em massa e ajudou a derrubar os índices de homicídio para níveis historicamente baixos. A estratégia lhe garantiu aprovação popular elevada e transformou o chamado "modelo Bukele" em referência para políticos de direita de outros países da América Latina. LEIA TAMBÉM Extrema direita ganha força na Colômbia com Abelardo de la Espriella, fã de Trump, Milei e Bukele Medellín constrói primeira megaprisão da Colômbia inspirada no modelo de Bukele 'O regime precisava calá-la': a denúncia contra Bukele do marido de advogada detida há meses em El Salvador As taxas de criminalidade despencaram no período, indo de 35,8 homicídios por 100 mil habitantes em 2019 para 0,9 homicídio por 100 mil habitantes, segundo o próprio governo do país - uma redução superior a 97% durante o governo Bukele. Mais de 70 mil pessoas foram presas, elevando a taxa de detenção do país para a maior do mundo, proporcionalmente. Ao mesmo tempo, a política de segurança é alvo de fortes críticas. Organizações de direitos humanos denunciam detenções arbitrárias, prisões sem mandado judicial e mortes de detentos sob custódia do Estado. Um relatório divulgado em 2026 apontou a morte de cerca de 500 presos desde o início da ofensiva contra as gangues, além de denúncias de abusos e falta de atendimento médico. Bukele também é acusado por adversários de concentrar poder. Em 2021, seu grupo político conquistou ampla maioria no Congresso, ampliando a influência do presidente sobre outras instituições do Estado. Críticos afirmam que ele enfraqueceu os mecanismos de controle da democracia salvadorenha e ampliou seu domínio sobre Legislativo e Judiciário. Nos últimos anos, o governo avançou em medidas de endurecimento penal. Em 2026, o Congresso aprovou a possibilidade de prisão perpétua para menores de idade condenados por crimes graves, além de manter o estado de emergência que vigora desde 2022. As mudanças foram defendidas pelo governo como parte da luta contra o crime organizado e criticadas por entidades de defesa dos direitos humanos. Em 2026, Bukele deu mais um passo para ampliar sua permanência no poder. Após uma reforma constitucional aprovada por aliados permitir reeleições sucessivas e ampliar o mandato presidencial para seis anos, ele formalizou candidatura para disputar a eleição de 2027. Se vencer, poderá permanecer na Presidência até 2033, consolidando o projeto político que domina El Salvador desde 2019. 👉 De acordo com o Índice de Democracia publicado pela revista britânica “The Economist”, El Salvador caiu 24 posições desde que Bukele assumiu o poder, ocupando a 95ª posição, e passou da classificação de democracia falha para regime híbrido.
Quem é Nayib Bukele, o presidente de El Salvador elogiado por Renan Santos
Guia Modelo Escrito em 05/08/2026
'Eu não sou o Bukele', diz Renan Santos ao falar de segurança pública O presidente do El Salvador, Nayib Bukele, foi citado na entrevista que o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) concedeu ao g1 e à GloboNews nesta quarta-feira (5). Durante sua fala, o político defendeu novas políticas de combate à criminalidade e propôs a criação de megaprisões, aos moldes do que foi feito no país caribenho. Quando comparado ao líder salvadorenho, após elogiar suas medidas de segurança pública, Santos enfatizou que não é igual a Bukele. Ainda assim, reforçou sua admiração pelas ações tomadas pelo presidente de El Salvador. “Eu não sou o Bukele, eu sou brasileiro. Meu nome é Renan Santos. Eu não sou neto de palestinos. Eu tenho outra família, eu nasci na Mooca. Eu moro no Brasil”, disse. O candidato também afirmou que a experiência de El Salvador foi adotada em um contexto diferente do enfrentado pelo Brasil. Por isso, disse Santos, seu eventual governo não deve implementar medidas autoritárias associadas ao governo de Bukele, como prisões sem ordem judicial, julgamentos coletivos ou detenções motivadas por denúncias anônimas. Segundo ele, eventuais ações na área de segurança devem respeitar as regras previstas na Constituição. Ainda assim, ele defendeu que o país tenha a mesma disposição para enfrentar a criminalidade. "A determinação para resolver esses problemas precisa ser a mesma", afirmou. Veja, abaixo, quem é Nayib Bukele e o que ele fez à frente de El Salvador. Nayib Bukele, presidente de El Salvador, em 19 de outubro de 2023 REUTERS/Jose Cabezas/File Photo Quem é Nayib Bukele, presidente de El Salvador No poder desde 2019, Bukele ficou conhecido por romper o sistema bipartidário que governava o país desde o fim da guerra civil e por construir uma imagem de político jovem, conectado às redes sociais e distante da política tradicional. 🔍 A Guerra Civil de El Salvador ocorreu entre 1979 e 1992. O conflito opôs o governo salvadorenho, apoiado militarmente pelos Estados Unidos, e a coalizão guerrilheira de esquerda Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN). A guerra causou mais de 75 mil mortes, graves violações dos direitos humanos e terminou com a assinatura dos Acordos de Paz de Chapultepec. Nascido em San Salvador, em 1981, Bukele é filho de um empresário de origem palestina e iniciou a carreira na publicidade antes de entrar para a política. Foi prefeito de Nuevo Cuscatlán de 2012 a 2015 e depois da capital, San Salvador, até chegar à Presidência, em 2019. Durante sua ascensão, passou por grupos de esquerda mas, posteriormente, adotou um discurso sem alinhamento ideológico definido. Sua principal bandeira é o combate às gangues criminosas que durante décadas dominaram partes de El Salvador. A partir de 2022, o governo implantou um regime de exceção que permitiu prisões em massa e ajudou a derrubar os índices de homicídio para níveis historicamente baixos. A estratégia lhe garantiu aprovação popular elevada e transformou o chamado "modelo Bukele" em referência para políticos de direita de outros países da América Latina. LEIA TAMBÉM Extrema direita ganha força na Colômbia com Abelardo de la Espriella, fã de Trump, Milei e Bukele Medellín constrói primeira megaprisão da Colômbia inspirada no modelo de Bukele 'O regime precisava calá-la': a denúncia contra Bukele do marido de advogada detida há meses em El Salvador As taxas de criminalidade despencaram no período, indo de 35,8 homicídios por 100 mil habitantes em 2019 para 0,9 homicídio por 100 mil habitantes, segundo o próprio governo do país - uma redução superior a 97% durante o governo Bukele. Mais de 70 mil pessoas foram presas, elevando a taxa de detenção do país para a maior do mundo, proporcionalmente. Ao mesmo tempo, a política de segurança é alvo de fortes críticas. Organizações de direitos humanos denunciam detenções arbitrárias, prisões sem mandado judicial e mortes de detentos sob custódia do Estado. Um relatório divulgado em 2026 apontou a morte de cerca de 500 presos desde o início da ofensiva contra as gangues, além de denúncias de abusos e falta de atendimento médico. Bukele também é acusado por adversários de concentrar poder. Em 2021, seu grupo político conquistou ampla maioria no Congresso, ampliando a influência do presidente sobre outras instituições do Estado. Críticos afirmam que ele enfraqueceu os mecanismos de controle da democracia salvadorenha e ampliou seu domínio sobre Legislativo e Judiciário. Nos últimos anos, o governo avançou em medidas de endurecimento penal. Em 2026, o Congresso aprovou a possibilidade de prisão perpétua para menores de idade condenados por crimes graves, além de manter o estado de emergência que vigora desde 2022. As mudanças foram defendidas pelo governo como parte da luta contra o crime organizado e criticadas por entidades de defesa dos direitos humanos. Em 2026, Bukele deu mais um passo para ampliar sua permanência no poder. Após uma reforma constitucional aprovada por aliados permitir reeleições sucessivas e ampliar o mandato presidencial para seis anos, ele formalizou candidatura para disputar a eleição de 2027. Se vencer, poderá permanecer na Presidência até 2033, consolidando o projeto político que domina El Salvador desde 2019. 👉 De acordo com o Índice de Democracia publicado pela revista britânica “The Economist”, El Salvador caiu 24 posições desde que Bukele assumiu o poder, ocupando a 95ª posição, e passou da classificação de democracia falha para regime híbrido.

