A cidade do Rio de Janeiro registrou 207 alterações de itinerários de ônibus nos quatro primeiros meses deste ano devido à violência. Motoristas e passageiros relatam uma rotina de medo ao utilizar o transporte público. O levantamento foi feito pelo RJ1 com base em dados do Rio Ônibus, o sindicato das empresas de ônibus da cidade. O número representa um aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano passado. “Já fui assaltada dentro do 790. Levaram meu celular, com [a ameaça de uma] arma. Ainda deram um pontapé no motorista antes de descer”, contou a comerciante Daniele de Oliveira. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Passageira contou que foi assaltada dentro de ônibus da linha 790 Sérgio Telles/ TV Globo A experiência de viver situações de violência no transporte público está longe de ser isolada. “São ruas fechadas, ônibus que não conseguem parar, muitas vezes o motorista precisa deixar a chave na ignição e sair porque eles mandam todo mundo sair, a população é sempre impactada de alguma forma”, relatou a confeiteira Karina Dias. O mês com maior número de desvios de itinerários foi março, com 103 ocorrências — quase 222% a mais do que no mesmo mês do ano passado. Planejamento Número de desvios de rota de ônibus por causa da violência nos quatro primeiros meses do ano de 2026 Reprodução/ TV Globo Segundo o Rio Ônibus, o aumento no número de desvios reflete um melhor planejamento operacional. Em muitos casos, os trajetos são alterados de forma preventiva, assim que a polícia informa sobre operações ou tiroteios em determinadas áreas. “A gente consegue agir preventivamente, desviando as linhas do itinerário antes que tenha ocorrência de ônibus utilizados como barricadas. Então, aumentou o número de linhas desviadas, impactadas, mas na verdade houve uma redução de ônibus usados como barricadas”, afirmou Paulo Valente, diretor de comunicação do Rio Ônibus. Rio Ônibus registrou aumento de casos de desvios de itinerário por causa da violência Reprodução/ TV Globo A Polícia Militar informou que tem protocolos de comunicação com as empresas de ônibus e com o Rio Ônibus para o alinhamento prévio de ações planejadas. A corporação disse também que, quando algo desestabiliza o cenário urbano, a polícia atua de imediato nos pontos de instabilidade para resolver a situação. A PM informou que os casos de roubos a coletivos caiu 49% nos quatro primeiros meses do ano no estado. Motorista relata medo Um motorista que trabalhou por anos na Zona Norte do Rio, em linhas que passam por dentro ou nas proximidades de comunidades, contou que precisou de apoio psicológico após vivenciar episódios de violência. Ele acabou sendo transferido para outra linha. “O trauma psicológico ficou. É imprevisível. Não tem quando o mar está calminho e, de repente, vem uma onda? É assim. Não tem hora para acontecer. Pode acontecer a qualquer momento”, disse o motorista, que preferiu não se identificar por segurança. Linhas com mais desvios Ônibus usado como barricada no Rio de Janeiro Reprodução/ TV Globo O levantamento aponta quais as linhas que mais sofreram alterações este ano, a maioria delas na Zona Oeste da cidade: 737 (Santíssimo x Cascadura): 11 ocorrências; 926 (Senador Camará x Penha): 10 ocorrências; 731 (Campo Grande x Marechal Hermes): 9 ocorrências; SV790 (Campo Grande x Cascadura): 9 ocorrências. Passageiros que dependem do transporte público lamentam os frequentes transtornos e a insegurança. “A gente sai de casa com medo. Dou graças a Deus quando consigo voltar, abrir o portão e encontrar minha família bem”, disse um passageiro. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.
Ônibus do Rio registram 207 mudanças de itinerário por causa da violência em 4 meses; saiba quais as linhas mais impactadas
Guia Modelo Escrito em 02/06/2026
A cidade do Rio de Janeiro registrou 207 alterações de itinerários de ônibus nos quatro primeiros meses deste ano devido à violência. Motoristas e passageiros relatam uma rotina de medo ao utilizar o transporte público. O levantamento foi feito pelo RJ1 com base em dados do Rio Ônibus, o sindicato das empresas de ônibus da cidade. O número representa um aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano passado. “Já fui assaltada dentro do 790. Levaram meu celular, com [a ameaça de uma] arma. Ainda deram um pontapé no motorista antes de descer”, contou a comerciante Daniele de Oliveira. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Passageira contou que foi assaltada dentro de ônibus da linha 790 Sérgio Telles/ TV Globo A experiência de viver situações de violência no transporte público está longe de ser isolada. “São ruas fechadas, ônibus que não conseguem parar, muitas vezes o motorista precisa deixar a chave na ignição e sair porque eles mandam todo mundo sair, a população é sempre impactada de alguma forma”, relatou a confeiteira Karina Dias. O mês com maior número de desvios de itinerários foi março, com 103 ocorrências — quase 222% a mais do que no mesmo mês do ano passado. Planejamento Número de desvios de rota de ônibus por causa da violência nos quatro primeiros meses do ano de 2026 Reprodução/ TV Globo Segundo o Rio Ônibus, o aumento no número de desvios reflete um melhor planejamento operacional. Em muitos casos, os trajetos são alterados de forma preventiva, assim que a polícia informa sobre operações ou tiroteios em determinadas áreas. “A gente consegue agir preventivamente, desviando as linhas do itinerário antes que tenha ocorrência de ônibus utilizados como barricadas. Então, aumentou o número de linhas desviadas, impactadas, mas na verdade houve uma redução de ônibus usados como barricadas”, afirmou Paulo Valente, diretor de comunicação do Rio Ônibus. Rio Ônibus registrou aumento de casos de desvios de itinerário por causa da violência Reprodução/ TV Globo A Polícia Militar informou que tem protocolos de comunicação com as empresas de ônibus e com o Rio Ônibus para o alinhamento prévio de ações planejadas. A corporação disse também que, quando algo desestabiliza o cenário urbano, a polícia atua de imediato nos pontos de instabilidade para resolver a situação. A PM informou que os casos de roubos a coletivos caiu 49% nos quatro primeiros meses do ano no estado. Motorista relata medo Um motorista que trabalhou por anos na Zona Norte do Rio, em linhas que passam por dentro ou nas proximidades de comunidades, contou que precisou de apoio psicológico após vivenciar episódios de violência. Ele acabou sendo transferido para outra linha. “O trauma psicológico ficou. É imprevisível. Não tem quando o mar está calminho e, de repente, vem uma onda? É assim. Não tem hora para acontecer. Pode acontecer a qualquer momento”, disse o motorista, que preferiu não se identificar por segurança. Linhas com mais desvios Ônibus usado como barricada no Rio de Janeiro Reprodução/ TV Globo O levantamento aponta quais as linhas que mais sofreram alterações este ano, a maioria delas na Zona Oeste da cidade: 737 (Santíssimo x Cascadura): 11 ocorrências; 926 (Senador Camará x Penha): 10 ocorrências; 731 (Campo Grande x Marechal Hermes): 9 ocorrências; SV790 (Campo Grande x Cascadura): 9 ocorrências. Passageiros que dependem do transporte público lamentam os frequentes transtornos e a insegurança. “A gente sai de casa com medo. Dou graças a Deus quando consigo voltar, abrir o portão e encontrar minha família bem”, disse um passageiro. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.

