Reunião prevê cenário de seca e discute ações para enfrentar estiagem no AC: 'Mitigar os efeitos'

Guia Modelo Escrito em 28/05/2026


Reunião que discute ações para enfrentar estiagem aconteceu na manhã desta quinta-feira (28) em Rio Branco Richard Lauriano / Rede Amazônica Com previsão de estiagem para os próximos meses, órgãos ambientais, Defesa Civil e pesquisadores se reuniram na manhã desta quinta-feira (28), em Rio Branco, para discutir estratégias de enfrentamento à seca no Acre. O encontro teve como foco a apresentação de prognósticos climáticos, além do planejamento de ações preventivas para reduzir impactos relacionados à falta de água, queimadas e problemas de saúde causados pela fumaça durante o verão amazônico. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A discussão ocorre em meio aos alertas sobre a rápida redução no nível do Rio Acre na capital. Conforme mostrou o g1 nesta semana, o manancial baixou 6,87 metros em apenas um mês. Para a Defesa Civil Municipal, o cenário já é considerado um “prenúncio de uma estiagem forte” em 2026. Outro fator que aumenta a preocupação é a possibilidade de atuação do fenômeno El Niño nos próximos meses. Rio Acre baixa mais de 7 metros em 20 dias e acende alerta para seca extrema Segundo o secretário de Estado do Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, a reunião teve como objetivo apresentar os cenários previstos e alinhar ações antes do agravamento da seca. “Está acontecendo. A gente está ouvindo muito prognóstico do El Niño, que vai ser mais forte, e isso acaba afetando a vida das pessoas, tanto com a seca quanto com a possibilidade de aumento de queimadas”, afirmou. LEIA MAIS: Rio Acre baixa mais de 6 metros em um mês e acende alerta na capital: 'Prenúncio de estiagem' Consciência Limpa: mais de 100 mudas devem ser plantadas para recuperação ambiental em Rio Branco Com investimento de R$ 10 milhões, cinco cidades do AC recebem recursos para combate ao desmatamento Ainda segundo o secretário, o estado tenta antecipar medidas para evitar repetir os impactos registrados em anos anteriores. “A gente está fazendo muitas ações preventivas. A ideia é mitigar os efeitos dessa seca que está se mostrando severa e ter o menor dano possível nessa próxima temporada”, acrescentou. Planejamento Entre as ações apresentadas durante a reunião estão escavação de poços e cacimbas em comunidades indígenas, contratação de brigadistas para atuação em unidades de conservação e planejamento logístico para abastecimento de água em áreas isoladas. A secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara, disse que os impactos climáticos já vêm sendo sentidos pelas comunidades desde 2024 e que o foco agora é ampliar ações preventivas. “Hoje nós estamos construindo poços e cacimbas. A gente está trabalhando na prevenção pensando em médio e longo prazo”, destacou. O coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista, afirmou que o trabalho dos órgãos passou a priorizar medidas de prevenção e mitigação dos efeitos causados pelos eventos extremos. “As defesas civis estão buscando trabalhar muito forte principalmente na parte de prevenção e mitigação desses efeitos”, disse. Reunião desta quinta-feira (28) também tratou do risco de aumento das queimadas durante o segundo semestre Arquivo/BP-AC Além da estiagem, a reunião também tratou do risco de aumento das queimadas durante o segundo semestre. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Acre registrou apenas quatro focos de queimadas no primeiro trimestre de 2026, cenário favorecido pelo período chuvoso. Apesar disso, a tendência histórica é de aumento dos focos a partir dos próximos meses, com o avanço do verão amazônico e redução das chuvas. Cenário em 2025 Segundo os órgãos envolvidos na reunião desta quinta (28), a intenção é justamente evitar que o estado volte a enfrentar um cenário semelhante ao registrado no ano passado. Em agosto daquele ano, o estado decretou situação de emergência por causa da seca dos rios e da falta de chuvas. Na época, o Rio Acre chegou a marcar 1,49 metro em Rio Branco, ficando próximo da menor cota histórica registrada no manancial, em 2024, que foi de 1,23 metro. O cenário afetou o abastecimento de água, dificultou a navegação em comunidades isoladas e aumentou os riscos de queimadas e problemas respiratórios provocados pela fumaça. O que é o El Niño e por que ele preocupa? 🌡️☀️ O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Apesar de ocorrer no oceano Pacífico, ele altera padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta, incluindo o Brasil. Segundo a agência climática dos Estados Unidos (NOAA), há mais de 80% de chance de formação do fenômeno ainda em 2026. Especialistas, porém, afirmam que ainda não é possível saber qual será a intensidade do evento. Historicamente, o El Niño provoca redução das chuvas na região Norte, aumento das temperaturas e maior risco de seca e queimadas na Amazônia. Cientistas também alertam que os efeitos podem ser potencializados pelo aquecimento global, favorecendo ondas de calor mais intensas, incêndios florestais e impactos no abastecimento de água e na qualidade do ar. Impactos do El Niño no Brasil. Arte/g1 VÍDEOS: g1