'Já era uma decisão tomada desde o ano passado', diz Gakiya sobre classificação de PCC e CV como terroristas

Guia Modelo Escrito em 29/05/2026

Já era uma decisão tomada desde o ano passado', diz Gakiya sobre classificação de PCC e CV como terroristas O promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do MP-SP, Lincoln Gakiya, disse que a decisão dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como terroristas já era uma decisão tomada desde o ano passado. "Tem que esperar qual amplitude o governo Trump vai dar para essa medida, mas, conversando com policiais do FBI no final do ano passado, na minha opinião, a medida estava pronta. Inclusive, ela só não foi publicada porque dependia da palavra final do Trump, mas, pelo que eu sei de toda a equipe, já era uma decisão. E já estava tomada praticamente desde o ano passado", disse em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, nesta sexta-feira (29). Gakiya, que atua há mais de 20 anos no combate ao PCC no estado de São Paulo e no país, afirmou que se encontrou com assessores do governo americano em 2025 e que, independente do fosse dito, a decisão já estava tomada. "Vieram ouvir as autoridades brasileiras, colher informações in loco para eles tomarem decisões que seriam tomadas nos EUA. Eu fui ouvido, não por policiais do FBI, mas por assessores do secretário Marco Rubio. Eu mencionei a eles que o PCC é uma organização criminosas do tipo mafiosa, que até tem ações, assim como Comando Vermelho, que se assemelha muito ao terrorismo, são extremamente violentos, têm dominação territorial, mas que eles não têm objetivo político nem ideológico, o objetivo é meramente econômico. O que me disseram na época é o seguinte: não estamos aqui para ouvir o governo brasileiro, estamos aqui para colher informações, levar ao secretário e ao presidente que tomará a decisão dele", disse. A decisão dos EUA foi anunciada nesta quinta-feira (28), dois dias após o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo o parlamentar, Rubio se mostrou favorável à classificação das facções brasileiras como organizações terroristas. Para Gakiya, a decisão dos EUA a respeito do PCC e do CV favorece uma preocupação com a soberania brasileira e atrapalha a forma como as informações para investigar essas organizações são compartilhadas entre os países, uma vez que os EUA passam a classificar essas informações como confidenciais ou mesmo secretas. "Pode haver um prejuízo para troca de informações que hoje mantemos com muita facilidade, porque a classificação das informações poderia passar a ser classificadas como confidencial ou mesmo secreta", explicou. "Quando o Departamento de Estado americano classifica como terrorista, o que acontece é o assunto é tratado como defesa nacional norte-americana, não é mais um assunto de polícia, portanto, há intervenção da CIA, das Forças Armadas e do FBI", completou. O especialista aponta que medidas semelhantes tomadas contra cartéis no México, Colômbia e El Salvador não resultaram na diminuição do poder dessas organizações. "Essa é uma classificação interna para os Estados Unidos. O uso é de interesse mais geopolítico do que de combate ao crime organizado", argumentou. Facções mafiosas, não terroristas Durante a entrevista, Gakiya afirmou que essas organizações são mafiosas e não terroristas, pois seu objetivo é meramente econômico e não político ou ideológico. Ele ressalta que o Brasil falhou ao não criar uma legislação antimáfia específica para tratar esses grupos de forma diferenciada. "Nós não estamos tratando de organizações terroristas, nós estamos tratando de organizações criminosas, cujo objetivo é penas econômico. É o caso do PCC no Comando Vermelho. Eu vou além, nós estamos tratando de organizações criminosas mafiosas e não terroristas", disse. "Eu fui um dos primeiros a classificar o PCC, por exemplo, como a primeira máfia do Brasil e da América do Sul e defender que tivéssemos uma legislação antimáfia nesse país", comentou.