Número de mortes por terremoto na Venezuela sobe para 2.595

Guia Modelo Escrito em 03/07/2026


RESGATE NA VENEZUELA O número de mortos provocado pelos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 2.595, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (2) pelo governo venezuelano. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: Na noite de 24 de junho, dois terremotos em sequência atingiram a região norte da Venezuela, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores provocaram o desabamento de prédios, destruíram casas e deixaram um rastro de destruição na capital e em cidades vizinhas. Os sismos foram os mais fortes registrados no país em mais de um século. Ao todo, mais de 26 mil pessoas foram afetadas pelos terremotos, segundo as estimativas mais recentes da Organização das Nações Unidas (ONU). Desse total, 12.841 tiveram de deixar as casas por causa da destruição provocada pelos tremores. Em entrevista coletiva nesta quinta, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que 189 edifícios desabaram completamente e disse que quase todos os servidores públicos do estado de La Guaira morreram nos terremotos. Segundo ela, cerca de 4 mil agentes foram mobilizados logo após os tremores para atuar no socorro às vítimas. Rodríguez afirmou ainda que as operações de busca e resgate continuam nas áreas atingidas. A presidente interina também anunciou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial ofereceram ajuda financeira e linhas de crédito para apoiar a reconstrução das áreas devastadas. Segundo ela, o governo criará, em parceria com o FMI, um fundo de US$ 200 milhões destinado à reconstrução de moradias destruídas. Os recursos serão repassados a empresas responsáveis pelas obras. Delcy não atualizou o número de feridos durante o pronunciamento. Um balanço divulgado pelo governo na quarta-feira (1º) apontava mais de 11 mil feridos. Busca por sobreviventes continua As autoridades venezuelanas e as equipes de apoio estrangeiras seguem à procura de pessoas soterradas pelos escombros das regiões atingidas. Os trabalhos contam com o apoio de equipes especializadas de 31 países, entre eles o Brasil, que enviaram bombeiros e profissionais treinados para atuar nas operações de resgate. Diante da escassez de mão de obra e equipamentos, muitos venezuelanos têm ajudado nas buscas manualmente. Quanto mais o tempo passa, menores são as chances de encontrar pessoas com vida entre os escombros. Especialistas em resposta a desastres afirmam que as primeiras 48 a 72 horas são decisivas para localizar sobreviventes. Depois desse período, as operações costumam se concentrar na retirada de corpos. A emergência humanitária se agrava no país com a falta de alimentos e teto para dezenas de milhares de pessoas que permanecem nas ruas após o duplo terremoto. No estado de La Guaira, o mais devastado, há escassez generalizada de alimentos e os serviços básicos entraram em colapso, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Socorristas resgatam homem vivo após oito dias de soterramento Sobrevivente é resgatado dos escombros 8 dias depois dos terremotos na Venezuela; Equipes de resgate do país resgataram um venezuelano que estava preso havia oito dias sob os escombros de um shopping na região de La Guaira. O momento do resgate foi testemunhado pelo repórter da GloboNews Pedro Pannunzio. Hernán Gil, um vigilante de 43 anos, havia ficado soterrado na guarita de segurança do prédio onde trabalhava em Catia La Mar. Ele foi retirado em uma maca e levado de ambulância para Caracas, a cerca de 40 quilômetros de distância. LEIA TAMBÉM Quanto tempo uma pessoa pode sobreviver sob os escombros após um terremoto? Uma semana após terremotos, Venezuela procura sobreviventes entre a fome e o desespero Jogador de futebol e sua mãe são encontrados mortos após terremotos da Venezuela Especialistas preveem crise de saúde pública após terremoto Khaterine Roa chora enquanto membros do Corpo de Bombeiros do Condado de Los Angeles buscam sobreviventes em um prédio que desabou durante os terremotos que atingiram La Guaira, na Venezuela. Matias Delacroix/AP Photo Os terremotos podem desencadear uma crise médica crescente, marcada por ferimentos não tratados, doenças infecciosas e um sistema de saúde já à beira do colapso, segundo autoridades médicas. Milhares de venezuelanos desabrigados dormem em abrigos superlotados ou ao relento, sem acesso à água potável, em meio a condições sanitárias precárias. Membros de equipes de ajuda humanitária afirmam que as consequências dos terremotos se transformaram em uma grande crise médica que, se não for contida rapidamente, poderá fazer mais vítimas nos próximos dias e semanas. A emergência expôs a escassez crônica de médicos na Venezuela, resultado de anos de crise econômica, falta de verbas e emigração.