Baiana pesquisa tratamento com LED para saúde íntima de mulheres com câncer de mama Enfrentar um câncer de mama fez a fisioterapeuta e pesquisadora baiana Patrícia Lordêlo, de 49 anos, direcionar seus estudos para um problema ainda pouco discutido entre mulheres que passam pelo tratamento oncológico: os impactos da quimioterapia na saúde íntima. Após sentir dores intensas e lesões na região genital durante o próprio tratamento, ela decidiu ampliar uma pesquisa com LED azul para investigar formas de aliviar os sintomas. A tecnologia já era estudada pela cientista antes do diagnóstico, recebido em outubro de 2024, quando tinha 47 anos. No entanto, foi durante a quimioterapia que Patrícia percebeu que as alterações genitais não surgiam apenas após o tratamento, como vinha sendo investigado por sua equipe, mas também durante a administração dos medicamentos. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia A partir dessa experiência, a pesquisadora desenvolveu uma nova versão do equipamento, voltada ao uso domiciliar. Fisioterapeuta baiana que teve câncer de mama pesquisa tratamento com LED para saúde íntima de mulheres Rafaela Paixão/g1 O projeto recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em agosto de 2026, e pretende comparar os resultados da aplicação em casa com os do tratamento realizado em ambulatório. Em entrevista ao g1, Patrícia contou que a pesquisa nasceu de uma dificuldade que enfrentou durante a doença: sair de casa para receber atendimento nos dias seguintes às sessões de quimioterapia. “A maior dificuldade para mim era sair para fazer o tratamento. Eu sentia dores, era muito desconfortável. O pós-quimio é bem difícil. Nos primeiros cinco dias é o momento em que a gente se debilita mais". A trajetória pessoal e científica também se transformou no livro “Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução”, que será lançado neste domingo (18), durante o Outubro Rosa, no Gabinete Português de Leitura de Salvador. A autobiografia tem prefácio da atriz Regina Casé, que se aproximou da pesquisadora durante o tratamento contra o câncer e participará do lançamento. Patrícia conta que Regina teve um papel importante em sua recuperação emocional, especialmente por ajudá-la a retomar a identidade profissional durante um período em que a doença ocupava grande parte de sua rotina. “Ela me ajudou a voltar a me enxergar nesse lugar de profissional, porque eu estava num lugar muito de paciente". Toda a renda destinada aos direitos comerciais da publicação será revertida para o Instituto Patrícia Lordêlo (IPL), que atende cerca de três mil pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O lançamento acontece durante o Outubro Rosa — campanha internacional de conscientização sobre o câncer de mama — e busca ampliar a discussão sobre um aspecto que, segundo a pesquisadora, ainda precisa ganhar espaço: a qualidade de vida das mulheres durante e depois do tratamento. Pesquisa busca aliviar efeitos da quimioterapia na saúde íntima Desde 2019, Patrícia e sua equipe estudam o uso do LED azul intravaginal como alternativa não hormonal para o tratamento de disfunções pélvicas. Entre os problemas investigados estão o ressecamento vaginal, a dor durante as relações sexuais e a estenose vaginal, caracterizada pelo estreitamento do canal vaginal. O equipamento foi desenvolvido pelo grupo de pesquisa, patenteado e teve sua tecnologia transferida para a indústria. A versão original, destinada ao uso ambulatorial, já é comercializada e utilizada em atendimentos especializados. Antes de descobrir o câncer, Patrícia participava de um ensaio clínico randomizado com mulheres que haviam concluído o tratamento contra a doença. O estudo investigava os efeitos da fotobiomodulação sobre alterações genitais associadas, entre outros fatores, ao uso de medicamentos que bloqueiam a ação dos hormônios. Segundo a fisioterapeuta, a redução hormonal pode provocar sintomas semelhantes aos da menopausa, afetando a lubrificação, a elasticidade e o conforto vaginal. Segundo Patrícia, a experiência como paciente, entretanto, revelou outra dimensão do problema. “Quando eu tive o câncer, começo a perceber que a quimioterapia leva a [outros] problemas durante a quimioterapia. Então, não é só após, com a falência hormonal que a gente tem pelos ovários". Patrícia relata que sofreu lesões e ardência intensa na região genital durante o tratamento. Em alguns momentos, o desconforto era tão grande que o simples contato da urina com a pele sensibilizada provocava dor. "Eu sentia a região totalmente ferida em alguns momentos. Era muito doloroso", lembrou. Inovação no tratamento Como já tinha acesso ao equipamento desenvolvido por sua equipe, a pesquisadora passou a utilizá-lo durante o próprio tratamento. No entanto, o dispositivo exigia aplicação em ambulatório, o que se tornou um obstáculo nos períodos em que estava mais debilitada. Foi a partir dessa dificuldade que surgiu a proposta de desenvolver uma versão que pudesse ser utilizada pelas pacientes em casa, sem a necessidade de deslocamentos frequentes. A pesquisadora ressalta que a experiência pessoal não equivale à comprovação científica da eficácia do equipamento durante a quimioterapia. Por isso, decidiu estruturar uma nova investigação clínica. "Como desenvolvi esse equipamento, disse: 'Agora eu preciso testar clinicamente em mulheres utilizando o uso domiciliar e o uso ambulatorial em mulheres que estejam em tratamento'", afirmou Patrícia Lordêlo. Como funciona o LED azul intravaginal O dispositivo utiliza uma técnica chamada fotobiomodulação, que consiste na aplicação de luz para produzir determinados efeitos biológicos nos tecidos. Segundo Patrícia, o equipamento desenvolvido pela equipe tem um formato semelhante ao de um guarda-chuva. Uma parte arredondada permanece na região genital externa, enquanto uma estrutura alongada é introduzida no canal vaginal. "Imagine um guarda-chuva, sendo que a parte redonda fica na parte externa e o cabo vai ser colocado no canal vaginal", detalhou. A proposta é que a luz atue tanto na mucosa vaginal quanto nos tecidos externos da região genital. De acordo com a pesquisadora, a fotobiomodulação é investigada por seus possíveis efeitos na regeneração dos tecidos, na circulação sanguínea e na vascularização. "O LED tem efeitos no tecido que são regenerativos, de melhora da circulação, melhora da vascularização. Ele modifica esse tecido através dessa fotobiomodulação", disse. O desenvolvimento de alternativas não hormonais é especialmente relevante para mulheres que enfrentaram determinados tipos de câncer de mama, uma vez que algumas pacientes utilizam medicamentos para bloquear a ação hormonal e podem ter restrições a tratamentos com estrogênio. Apesar dos resultados promissores relatados pela equipe, a eficácia e a segurança da tecnologia dependem da indicação clínica e do protocolo utilizado. O uso durante a quimioterapia e a aplicação domiciliar ainda precisam ser avaliados em estudos específicos. A investigação mais recente pretende comparar duas formas de aplicação da tecnologia: o tratamento ambulatorial, realizado por profissionais de saúde, e o uso domiciliar, com um equipamento desenvolvido para essa finalidade. A proposta é avaliar os resultados e a segurança da aplicação em mulheres que estejam em tratamento oncológico. Patrícia explicou que a pesquisa recebeu apoio do CNPq em agosto de 2026, por meio da renovação de sua bolsa de produtividade científica. O reconhecimento, segundo ela, está relacionado à trajetória acadêmica e ao desenvolvimento de estudos na área da saúde feminina. Entretanto, o novo projeto ainda precisa cumprir etapas antes do início dos testes com as participantes, incluindo a avaliação do comitê de ética em pesquisa. "Nós recebemos a aprovação da bolsa em agosto de 2026. A gente acaba tendo um intervalo para iniciar porque tem que aprovar o comitê de ética, tem todo um caminho antes de começar", pontuou. Segundo ela, os resultados obtidos com o equipamento ambulatorial foram animadores, especialmente em relação à lubrificação vaginal, ao conforto e à função sexual das participantes. "Ambulatorialmente falando, nós temos resultados extremamente animadores. Melhora essa função sexual, melhora a lubrificação, essas mulheres se sentem mais acolhidas e com uma região muito mais favorável a ter a relação sexual". Em 2022, o grupo liderado por Patrícia recebeu, em Viena, na Áustria, o prêmio de melhor tratamento conservador no ICS Annual Meeting, congresso da Sociedade Internacional de Continência. O reconhecimento foi concedido a um estudo sobre o uso de LED no tratamento da Síndrome Geniturinária da Menopausa em mulheres que sobreviveram ao câncer de mama. A condição reúne alterações genitais, urinárias e sexuais relacionadas à redução dos níveis hormonais, como ressecamento vaginal, irritação, dor durante as relações e desconforto urinário. O equipamento ambulatorial desenvolvido pela equipe da fisioterapia já é utilizado em atendimentos realizados pelo Instituto Patrícia Lordêlo (IPL), em Salvador. Segundo a fisioterapeuta, a instituição é uma associação sem fins lucrativos que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e recebe aproximadamente 3 mil a 3,5 mil pacientes por mês. Mulheres que apresentam disfunções pélvicas após o tratamento do câncer de mama já podem ter acesso à técnica por meio dos serviços oferecidos pelo instituto, conforme avaliação e indicação profissional. Diagnóstico de câncer de mama Patrícia estuda o uso do LED azul intravaginal como alternativa não hormonal para o tratamento de disfunções pélvicas Divulgação A trajetória que levou Patrícia a ampliar as pesquisas começou em outubro de 2024, quando ela tinha 47 anos. Antes mesmo de identificar qualquer alteração na mama, a fisioterapeuta conta que "sentiu" que estava com câncer. “Eu acordei e olhei para minha mãe e disse: 'Olha, eu estou com câncer’". No dia seguinte, ela procurou atendimento médico e iniciou uma investigação. A mamografia apresentou classificação BI-RADS 2, associada a achados benignos, e uma ultrassonografia indicou a possibilidade de realização de outro exame, mas sem caráter de urgência. Mesmo após ser avaliada por uma mastologista, que também não identificou alterações suspeitas, Patrícia insistiu em aprofundar a investigação. O diagnóstico foi confirmado em 11 de outubro de 2024. "Mesmo tendo essa intuição de que eu estava com câncer, ler o resultado é muito difícil. Principalmente por ser da área, por conhecer os desafios", ressaltou. Segundo ela, a doença apresentou um comportamento agressivo e uma evolução rápida. Em menos de duas semanas, o tumor passou de uma alteração que não era identificada pela palpação para uma massa visível na mama. "No dia 11, quando eu fui examinada, não dava para palpar, não aparecia nos exames. No dia 24, ele já era visto a olho nu. Bastava levantar o braço, era uma bola na minha mama". A pesquisadora considera que a experiência reuniu dois aspectos importantes de sua trajetória: o conhecimento científico e a espiritualidade. Após receber o diagnóstico, Patrícia iniciou o tratamento oncológico, que incluiu quimioterapia e cirurgia, com a retirada das duas mamas, a mastectomia bilateral. Em seguida, realizou a reconstrução mamária com colocação de próteses. Livro nasceu da falta de informações sobre os efeitos do câncer Foi justamente a ausência de orientações sobre saúde íntima que motivou Patrícia a começar a escrever o livro "Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução". Inicialmente, a proposta era produzir uma obra técnica, voltada aos cuidados genitais durante e após o tratamento do câncer de mama. Com mais de 50 artigos científicos publicados e experiência na produção de livros acadêmicos, ela pretendia reunir informações sobre as alterações provocadas pelo tratamento e as possibilidades de acompanhamento. Entretanto, durante a escrita, percebeu que precisava ir além dos aspectos científicos. O projeto se transformou em uma autobiografia que reúne relatos desde o diagnóstico até a conclusão do tratamento, passando pelas dificuldades físicas, pelas mudanças emocionais e pelas reflexões sobre intimidade, espiritualidade e reconstrução. LEIA TAMBÉM: Eu Te Explico #201: por que o diagnóstico precoce é fundamental no combate ao câncer de mama? Outubro Rosa: mulheres podem fazer mamografia e preventivo de graça em Salvador VÍDEO: cirurgiã-dentista de 31 anos ganha buzinaço de amigos em comemoração ao fim da quimioterapia em Salvador Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻
Baiana que enfrentou câncer de mama transformou experiência em tratamento para saúde íntima de mulheres
Guia Modelo Escrito em 18/10/2026
Baiana pesquisa tratamento com LED para saúde íntima de mulheres com câncer de mama Enfrentar um câncer de mama fez a fisioterapeuta e pesquisadora baiana Patrícia Lordêlo, de 49 anos, direcionar seus estudos para um problema ainda pouco discutido entre mulheres que passam pelo tratamento oncológico: os impactos da quimioterapia na saúde íntima. Após sentir dores intensas e lesões na região genital durante o próprio tratamento, ela decidiu ampliar uma pesquisa com LED azul para investigar formas de aliviar os sintomas. A tecnologia já era estudada pela cientista antes do diagnóstico, recebido em outubro de 2024, quando tinha 47 anos. No entanto, foi durante a quimioterapia que Patrícia percebeu que as alterações genitais não surgiam apenas após o tratamento, como vinha sendo investigado por sua equipe, mas também durante a administração dos medicamentos. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia A partir dessa experiência, a pesquisadora desenvolveu uma nova versão do equipamento, voltada ao uso domiciliar. Fisioterapeuta baiana que teve câncer de mama pesquisa tratamento com LED para saúde íntima de mulheres Rafaela Paixão/g1 O projeto recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em agosto de 2026, e pretende comparar os resultados da aplicação em casa com os do tratamento realizado em ambulatório. Em entrevista ao g1, Patrícia contou que a pesquisa nasceu de uma dificuldade que enfrentou durante a doença: sair de casa para receber atendimento nos dias seguintes às sessões de quimioterapia. “A maior dificuldade para mim era sair para fazer o tratamento. Eu sentia dores, era muito desconfortável. O pós-quimio é bem difícil. Nos primeiros cinco dias é o momento em que a gente se debilita mais". A trajetória pessoal e científica também se transformou no livro “Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução”, que será lançado neste domingo (18), durante o Outubro Rosa, no Gabinete Português de Leitura de Salvador. A autobiografia tem prefácio da atriz Regina Casé, que se aproximou da pesquisadora durante o tratamento contra o câncer e participará do lançamento. Patrícia conta que Regina teve um papel importante em sua recuperação emocional, especialmente por ajudá-la a retomar a identidade profissional durante um período em que a doença ocupava grande parte de sua rotina. “Ela me ajudou a voltar a me enxergar nesse lugar de profissional, porque eu estava num lugar muito de paciente". Toda a renda destinada aos direitos comerciais da publicação será revertida para o Instituto Patrícia Lordêlo (IPL), que atende cerca de três mil pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O lançamento acontece durante o Outubro Rosa — campanha internacional de conscientização sobre o câncer de mama — e busca ampliar a discussão sobre um aspecto que, segundo a pesquisadora, ainda precisa ganhar espaço: a qualidade de vida das mulheres durante e depois do tratamento. Pesquisa busca aliviar efeitos da quimioterapia na saúde íntima Desde 2019, Patrícia e sua equipe estudam o uso do LED azul intravaginal como alternativa não hormonal para o tratamento de disfunções pélvicas. Entre os problemas investigados estão o ressecamento vaginal, a dor durante as relações sexuais e a estenose vaginal, caracterizada pelo estreitamento do canal vaginal. O equipamento foi desenvolvido pelo grupo de pesquisa, patenteado e teve sua tecnologia transferida para a indústria. A versão original, destinada ao uso ambulatorial, já é comercializada e utilizada em atendimentos especializados. Antes de descobrir o câncer, Patrícia participava de um ensaio clínico randomizado com mulheres que haviam concluído o tratamento contra a doença. O estudo investigava os efeitos da fotobiomodulação sobre alterações genitais associadas, entre outros fatores, ao uso de medicamentos que bloqueiam a ação dos hormônios. Segundo a fisioterapeuta, a redução hormonal pode provocar sintomas semelhantes aos da menopausa, afetando a lubrificação, a elasticidade e o conforto vaginal. Segundo Patrícia, a experiência como paciente, entretanto, revelou outra dimensão do problema. “Quando eu tive o câncer, começo a perceber que a quimioterapia leva a [outros] problemas durante a quimioterapia. Então, não é só após, com a falência hormonal que a gente tem pelos ovários". Patrícia relata que sofreu lesões e ardência intensa na região genital durante o tratamento. Em alguns momentos, o desconforto era tão grande que o simples contato da urina com a pele sensibilizada provocava dor. "Eu sentia a região totalmente ferida em alguns momentos. Era muito doloroso", lembrou. Inovação no tratamento Como já tinha acesso ao equipamento desenvolvido por sua equipe, a pesquisadora passou a utilizá-lo durante o próprio tratamento. No entanto, o dispositivo exigia aplicação em ambulatório, o que se tornou um obstáculo nos períodos em que estava mais debilitada. Foi a partir dessa dificuldade que surgiu a proposta de desenvolver uma versão que pudesse ser utilizada pelas pacientes em casa, sem a necessidade de deslocamentos frequentes. A pesquisadora ressalta que a experiência pessoal não equivale à comprovação científica da eficácia do equipamento durante a quimioterapia. Por isso, decidiu estruturar uma nova investigação clínica. "Como desenvolvi esse equipamento, disse: 'Agora eu preciso testar clinicamente em mulheres utilizando o uso domiciliar e o uso ambulatorial em mulheres que estejam em tratamento'", afirmou Patrícia Lordêlo. Como funciona o LED azul intravaginal O dispositivo utiliza uma técnica chamada fotobiomodulação, que consiste na aplicação de luz para produzir determinados efeitos biológicos nos tecidos. Segundo Patrícia, o equipamento desenvolvido pela equipe tem um formato semelhante ao de um guarda-chuva. Uma parte arredondada permanece na região genital externa, enquanto uma estrutura alongada é introduzida no canal vaginal. "Imagine um guarda-chuva, sendo que a parte redonda fica na parte externa e o cabo vai ser colocado no canal vaginal", detalhou. A proposta é que a luz atue tanto na mucosa vaginal quanto nos tecidos externos da região genital. De acordo com a pesquisadora, a fotobiomodulação é investigada por seus possíveis efeitos na regeneração dos tecidos, na circulação sanguínea e na vascularização. "O LED tem efeitos no tecido que são regenerativos, de melhora da circulação, melhora da vascularização. Ele modifica esse tecido através dessa fotobiomodulação", disse. O desenvolvimento de alternativas não hormonais é especialmente relevante para mulheres que enfrentaram determinados tipos de câncer de mama, uma vez que algumas pacientes utilizam medicamentos para bloquear a ação hormonal e podem ter restrições a tratamentos com estrogênio. Apesar dos resultados promissores relatados pela equipe, a eficácia e a segurança da tecnologia dependem da indicação clínica e do protocolo utilizado. O uso durante a quimioterapia e a aplicação domiciliar ainda precisam ser avaliados em estudos específicos. A investigação mais recente pretende comparar duas formas de aplicação da tecnologia: o tratamento ambulatorial, realizado por profissionais de saúde, e o uso domiciliar, com um equipamento desenvolvido para essa finalidade. A proposta é avaliar os resultados e a segurança da aplicação em mulheres que estejam em tratamento oncológico. Patrícia explicou que a pesquisa recebeu apoio do CNPq em agosto de 2026, por meio da renovação de sua bolsa de produtividade científica. O reconhecimento, segundo ela, está relacionado à trajetória acadêmica e ao desenvolvimento de estudos na área da saúde feminina. Entretanto, o novo projeto ainda precisa cumprir etapas antes do início dos testes com as participantes, incluindo a avaliação do comitê de ética em pesquisa. "Nós recebemos a aprovação da bolsa em agosto de 2026. A gente acaba tendo um intervalo para iniciar porque tem que aprovar o comitê de ética, tem todo um caminho antes de começar", pontuou. Segundo ela, os resultados obtidos com o equipamento ambulatorial foram animadores, especialmente em relação à lubrificação vaginal, ao conforto e à função sexual das participantes. "Ambulatorialmente falando, nós temos resultados extremamente animadores. Melhora essa função sexual, melhora a lubrificação, essas mulheres se sentem mais acolhidas e com uma região muito mais favorável a ter a relação sexual". Em 2022, o grupo liderado por Patrícia recebeu, em Viena, na Áustria, o prêmio de melhor tratamento conservador no ICS Annual Meeting, congresso da Sociedade Internacional de Continência. O reconhecimento foi concedido a um estudo sobre o uso de LED no tratamento da Síndrome Geniturinária da Menopausa em mulheres que sobreviveram ao câncer de mama. A condição reúne alterações genitais, urinárias e sexuais relacionadas à redução dos níveis hormonais, como ressecamento vaginal, irritação, dor durante as relações e desconforto urinário. O equipamento ambulatorial desenvolvido pela equipe da fisioterapia já é utilizado em atendimentos realizados pelo Instituto Patrícia Lordêlo (IPL), em Salvador. Segundo a fisioterapeuta, a instituição é uma associação sem fins lucrativos que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e recebe aproximadamente 3 mil a 3,5 mil pacientes por mês. Mulheres que apresentam disfunções pélvicas após o tratamento do câncer de mama já podem ter acesso à técnica por meio dos serviços oferecidos pelo instituto, conforme avaliação e indicação profissional. Diagnóstico de câncer de mama Patrícia estuda o uso do LED azul intravaginal como alternativa não hormonal para o tratamento de disfunções pélvicas Divulgação A trajetória que levou Patrícia a ampliar as pesquisas começou em outubro de 2024, quando ela tinha 47 anos. Antes mesmo de identificar qualquer alteração na mama, a fisioterapeuta conta que "sentiu" que estava com câncer. “Eu acordei e olhei para minha mãe e disse: 'Olha, eu estou com câncer’". No dia seguinte, ela procurou atendimento médico e iniciou uma investigação. A mamografia apresentou classificação BI-RADS 2, associada a achados benignos, e uma ultrassonografia indicou a possibilidade de realização de outro exame, mas sem caráter de urgência. Mesmo após ser avaliada por uma mastologista, que também não identificou alterações suspeitas, Patrícia insistiu em aprofundar a investigação. O diagnóstico foi confirmado em 11 de outubro de 2024. "Mesmo tendo essa intuição de que eu estava com câncer, ler o resultado é muito difícil. Principalmente por ser da área, por conhecer os desafios", ressaltou. Segundo ela, a doença apresentou um comportamento agressivo e uma evolução rápida. Em menos de duas semanas, o tumor passou de uma alteração que não era identificada pela palpação para uma massa visível na mama. "No dia 11, quando eu fui examinada, não dava para palpar, não aparecia nos exames. No dia 24, ele já era visto a olho nu. Bastava levantar o braço, era uma bola na minha mama". A pesquisadora considera que a experiência reuniu dois aspectos importantes de sua trajetória: o conhecimento científico e a espiritualidade. Após receber o diagnóstico, Patrícia iniciou o tratamento oncológico, que incluiu quimioterapia e cirurgia, com a retirada das duas mamas, a mastectomia bilateral. Em seguida, realizou a reconstrução mamária com colocação de próteses. Livro nasceu da falta de informações sobre os efeitos do câncer Foi justamente a ausência de orientações sobre saúde íntima que motivou Patrícia a começar a escrever o livro "Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução". Inicialmente, a proposta era produzir uma obra técnica, voltada aos cuidados genitais durante e após o tratamento do câncer de mama. Com mais de 50 artigos científicos publicados e experiência na produção de livros acadêmicos, ela pretendia reunir informações sobre as alterações provocadas pelo tratamento e as possibilidades de acompanhamento. Entretanto, durante a escrita, percebeu que precisava ir além dos aspectos científicos. O projeto se transformou em uma autobiografia que reúne relatos desde o diagnóstico até a conclusão do tratamento, passando pelas dificuldades físicas, pelas mudanças emocionais e pelas reflexões sobre intimidade, espiritualidade e reconstrução. LEIA TAMBÉM: Eu Te Explico #201: por que o diagnóstico precoce é fundamental no combate ao câncer de mama? Outubro Rosa: mulheres podem fazer mamografia e preventivo de graça em Salvador VÍDEO: cirurgiã-dentista de 31 anos ganha buzinaço de amigos em comemoração ao fim da quimioterapia em Salvador Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

