Formada em Direito, brasileira trans e com deficiência visual participa de evento em Harvard: ‘Apta para representar grupos invisibilizados’

Guia Modelo Escrito em 28/03/2026


Walleria Suri Zafalon, de Presidente Prudente (SP), é consultora de diversidade, equidade e inclusão LGBTQIAPN+ Toledo Prudente/AI Ocupar espaços, conquistar direitos e compartilhar vivências: para quem já enfrentou o preconceito, transformar essa realidade também se torna um objetivo. É o caso de uma brasileira trans e com deficiência visual que foi convidada a palestrar na 12ª edição da Brazil Conference at Harvard & MIT. O evento segue até domingo (29), com atividades presenciais em Harvard, uma das universidades mais prestigiadas do mundo, reunindo nomes de destaque para discutir temas como liderança, diversidade e inclusão. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Ao g1, Walleria Suri, de Presidente Prudente (SP), relata a alegria que sentiu ao receber o convite. “Esse convite foi algo que eu jamais imaginava acontecer. O convite para ocupar um espaço de tanto prestígio acadêmico, político e social me trouxe uma sensação de muito orgulho e confiança no meu trabalho, postura e posicionamentos”, afirma. Devido a um imprevisto no prazo de emissão do visto, Walleria participará da roda de conversa de forma on-line. Recém-formada em Direito, ela destaca que representa dois grupos da sociedade historicamente marcados pela falta de visibilidade. “Meu sentimento é uma fusão de alegria, vaidade, gratidão, orgulho, privilégio e, principalmente, de grande responsabilidade. Esse convite é o reconhecimento de uma importantíssima comunidade acadêmica internacional de que sou apta para representar e dar voz a grupos invisibilizados, oferecendo um conteúdo consistente e responsável, que contribua para a desconstrução de estigmas e preconceitos”, declara. G1 Explica: transição de gênero LEIA TAMBÉM: Mulher cega se forma em massoterapia e relata desafio ao aplicar acupuntura: 'Achava que jamais daria conta' Jovem com Síndrome de Down se apaixona por fotografia e sonha com carreira no interior de SP: 'Sou igual a todo mundo' Dia Nacional do Orgulho Gay: pessoas da comunidade apontam dificuldades para entrar no mercado de trabalho em Presidente Prudente Representatividade Diferentemente de muitos lares de pessoas LGBTQIAPN+, onde ainda há discriminação e falta de apoio, Walleria contou com o suporte da família para seguir em busca de seus sonhos, apesar das dificuldades e barreiras. “Minha trajetória não é marcada por grandes conquistas. Sinto que sempre estou correndo atrás do prejuízo. Acredito que minha vida é marcada por dois elementos de transição muito profundos”, destaca Walleria. A primeira batalha mencionada pela ativista foi a perda progressiva da visão, que, aos poucos, a inseriu no universo das pessoas com deficiência. Já após os 30 anos, ela enfrentou outro momento marcante: a transição de gênero. “Até hoje ainda sigo tentando acomodar tudo isso numa existência que faça sentido pra mim, que represente quem eu sou e, de alguma forma, seja relevante pra esse mundo tão conflitante e cheio de intolerância contra quem não atende determinados padrões sociais.” Foi após a transição que Walleria Suri decidiu cursar Direito. Atualmente, ela planeja continuar na área acadêmica, a partir do mestrado, para dar aulas em uma universidade. “Saber que o nome Walleria Suri estará no meu diploma em Direito é especial demais. Porque marca minha luta para conseguir a retificação do meu registro de nascimento, numa época em que ainda era preciso uma ação judicial com sentença deferida.” Para seguir com o sonho profissional, a ativista pretende tentar vaga em universidades públicas por meio de cotas sociais: "As cotas não garantem o meu acesso, mas asseguram que eu concorra com candidatos que enfrentam as mesmas barreiras sociais que eu enfrento. Elas tornam possível que esse sonho se realize. ” Walleria Suri, transfeminista e anticapacitista, ativista pelos Direitos Humanos Reprodução/redes sociais ‘Dignidade humana’ Ativista pelos direitos humanos, Walleria também comenta fala sobre um tema que foi amplamente debatido nas últimas semanas: a escolha da deputada federal Erika Hilton para a presidência da Comissão dos Direitos da Mulher. “Para mim não houve impacto. Uma mulher, sendo eleita por outras mulheres para representar pautas comuns a todas as mulheres. Onde está o problema? No detalhe de ser uma mulher trans e não cis? Onde está a polêmica? Uma mulher trans não pode representar politicamente mulheres cis? Mas homens cis podem? Fazem isso o tempo todo”, reforça. Para Walleria Suri, o debate fundamental é sobre o limite do reconhecimento social do gênero de uma mulher trans. “Uma liderança feminina não é quem reúne em si todas as demandas das mulheres, mas é aquela com aptidões para abraçar todas as pautas levadas a ela. Dá orgulho ver a deputada se colocar nesse papel de forma tão digna e decidida, mesmo sob tantos ataques que tentam tirar sua legitimidade." A ativista afirma que, enquanto aspectos biológicos, especialmente os relacionados à sexualidade, continuarem a determinar o lugar e o papel social de mulheres, homens, pessoas cisgênero e transgênero, a sociedade seguirá marcada pela desigualdade. “Só conseguiremos realmente evoluir como humanidade quando compreendermos que tanto a equidade de gênero quanto a identidade de gênero devem ser respeitadas e valorizadas como condições fundamentais da dignidade humana”, finaliza. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM