'Meu marido sofreu', diz viúva de motorista de aplicativo morto por adolescentes durante corrida em SP

Guia Modelo Escrito em 22/07/2026


O motorista de aplicativo José Edson da Silva, de 43 anos, morreu após sair para fazer corrida em Ribeirão Preto, SP Arquivo pessoal A certidão de óbito do motorista de aplicativo José Edson da Silva aponta traumatismo craniano como causa da morte. A vítima, de 43 anos, foi morta por três adolescentes, de 13, 14 e 16 anos, em um assalto durante uma corrida em Ribeirão Preto (SP) na última semana. Em depoimento à polícia, os três alegaram que José Edson foi sufocado com um mata-leão e jogado no Rio Pardo. O assassinato aconteceu para que eles ficassem com o carro da vítima. O documento com a causa da morte só aumenta o sofrimento da família, segundo a viúva de José Edson. “Eles falaram para o delegado que foi esganadura, sufocamento. Aquilo [traumatismo craniano], para mim, foi uma surpresa. No meu pensamento, meu marido sofreu. Além de sufocar, ainda bateram nele (...) Que maldade, que crianças ruins, que seres humanos são esses, eu fico me perguntando”, diz a auxiliar de cozinha Cristiane Ferreira dos Santos. Antes de ser encontrado morto no Rio Pardo na última sexta-feira (17), José Edson ficou desaparecido por três dias. Segundo a investigação, os adolescentes chamaram uma corrida por um aplicativo de transporte e embarcaram no bairro Salgado Filho, Zona Norte de Ribeirão Preto (SP), na terça-feira (14). Eles contaram que um deles deu uma mata-leão na vítima. "Isso me faz muito mal de pensar, porque sei que ele é uma pessoa que não é de fazer mal a ninguém. Ele só estava trabalhando, batalhando o pão dele. Foi uma barbaridade o que fizeram com ele", diz Cristiane. A Polícia Civil ainda suspeita que José Edson tenha sido jogado vivo no rio. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) ainda não ficou pronto. "Eu quero saber o que aconteceu, se ele estava vivo na hora que foi jogado na água. Eu sei que isso não vai trazê-lo de volta, mas eu quero uma resposta. Eu preciso de uma resposta, eu e a família dele, mãe, pai, irmãs, todo mundo", afirma a viúva. Jovens respondem por ato infracional Os três adolescentes respondem por ato infracional análogo a latrocínio, o roubo seguido de morte, e ocultação de cadáver. 🔎 O ato infracional é a conduta descrita como crime ou contravenção penal praticada por menores de 18 anos, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Como são penalmente inimputáveis, eles estão sujeitos ao cumprimento de medidas socioeducativas e não a penas como as impostas aos adultos. Na última sexta-feira, os adolescentes foram encaminhados à Fundação Casa após decisão da Vara da Infância e Juventude de Ribeirão Preto a pedido do Ministério Público (MP). Espera por justiça José Edson era casado com Cristiane há 15 anos e pai de dois filhos, de 11 e 14 anos. A auxiliar de cozinha espera que a justiça seja feita pelo marido. “Por mais que eu sei que a justiça no Brasil é falha, imagine para de menor, né? Mas eu quero justiça, eu quero que eles paguem pelo que fizeram com ele. Tiraram um pai de família, tiraram o pai dos meus filhos, meus filhos estão sem pai”, afirma. Responsabilidade Segundo a Comissão do Direito da Criança e do Adolescente, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ribeirão Preto, a internação deles é provisória e vale por 45 dias, prazo para a conclusão do processo. Dentro desse prazo, se houver representação do Ministério Público, que é equivalente à acusação nos processos penais, o juiz determina uma sentença em uma audiência para responsabilizá-los. Entre as medidas aplicáveis estão a internação em instituição educacional, aplicada geralmente em casos de ato infracional envolvendo grave ameaça ou violência a pessoa. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina o prazo máximo de três anos de internação.