Por que dinossauros minúsculos, do tamanho de um rato, nunca existiram? Estudo desvendou mistério

Guia Modelo Escrito em 07/08/2026


Modelo de Microraptor, um dos menores dinossauros conhecidos, é colocado em exposição no Museu Americano de História Natural, em Nova York. O animal pesava cerca de 450 gramas, o equivalente a um coelho grande. Alvaro Keding/AMNH Os dinossauros ficaram famosos por seu tamanho descomunal, do imponente Tyrannosaurus rex dos filmes ao colossal Apatosaurus. Mas um estudo publicado nesta semana na revista científica "Evolution" chama atenção para o outro extremo da escala: por que, ao que tudo indica, nunca existiu um dinossauro realmente pequeno. Os menores dinossauros conhecidos, sem contar as aves, pesavam cerca de 450 gramas, aproximadamente o tamanho de um coelho grande. Pode parecer pouco diante de espécies que ultrapassavam 80 toneladas, mas ainda é muito quando comparado aos menores animais de hoje. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Cerca de 75% das espécies atuais de mamíferos e 90% das aves pesam menos do que isso. O menor pássaro conhecido, por exemplo, tem cerca de 1,75 grama. Já o menor mamífero pesa aproximadamente 1,8 grama. Para investigar esse mistério, pesquisadores do Museu Americano de História Natural, nos Estados Unidos, e da Universidade de Princeton recorreram a modelos matemáticos que simulam como o gasto de energia, a reprodução e outras características biológicas influenciam o tamanho dos animais ao longo da evolução. ➡️ Os cálculos conseguiram explicar, de forma geral, a distribuição de tamanhos observada entre mamíferos, aves e tartarugas. No caso dos dinossauros, porém, o resultado não se encaixou: mesmo testando diferentes possibilidades, a biologia desses animais não explicava por que eles não ficaram menores. “Quando começamos o projeto, fiquei muito animado com a ideia de que os dinossauros poderiam ter sido impedidos de se tornar pequenos por alguma característica da própria biologia", conta ao g1 Roger Benson, curador de paleobiologia de dinossauros do Museu Americano de História Natural e um dos autores do estudo. "Mais tarde, descobrimos que essa hipótese foi fortemente rejeitada por nossas análises. Isso foi uma grande surpresa para mim". LEIA TAMBÉM: Por que cientistas acreditam na existência de oceanos em planetas-anões Livro encadernado com pele humana é exibido em feira literária em NY Como baleias podem ensinar cientistas a falar com alienígenas Fóssil de Microraptor, um dos menores dinossauros conhecidos. Mick Ellison/AMNH Para o pesquisador, o resultado mostra como uma investigação científica também pode derrubar a ideia que deu origem ao próprio trabalho. “É assim que a ciência funciona. Por mais que gostemos de uma determinada ideia, precisamos permitir que as evidências nos mostrem quando estamos errados e, então, buscar explicações alternativas”, afirma Benson. Uma possibilidade seria a de que dinossauros muito pequenos tenham existido, mas seus fósseis não tenham sido preservados ou encontrados. Animais menores têm ossos mais delicados e deixam registros mais difíceis de identificar. Os autores, no entanto, consideram improvável que essa seja toda a explicação. As mesmas rochas que guardam fósseis de dinossauros também preservaram restos de mamíferos, lagartos, anfíbios e aves muito menores. Caso dinossauros do tamanho de ratos fossem comuns, seria esperado que ao menos alguns aparecessem nesses locais. “Fósseis de animais de pequeno porte são raros. Mas eles existem. Na verdade, algumas rochas contêm muitos animais pequenos, como mamíferos, lagartos e aves. Portanto, encontramos animais pequenos, mas eles nunca são dinossauros, com exceção das aves. Essa é uma evidência muito forte de que dinossauros do tamanho de ratos eram ausentes ou extremamente raros”, explica Benson. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A principal hipótese levantada pelo estudo é ecológica. Os pequenos mamíferos que conviviam com os dinossauros talvez já ocupassem os espaços disponíveis para animais de tamanho reduzido, disputando alimentos, abrigos e outros recursos. Assim, enquanto os grandes dinossauros podem ter limitado a evolução de mamíferos maiores antes da extinção de 66 milhões de anos atrás, os mamíferos teriam exercido a pressão contrária, dificultando o surgimento de dinossauros minúsculos. Agora no g1 Uma das pistas vem das aves que não voam. Elas também costumam ter um limite mínimo de cerca de 450 gramas, exceto em locais sem mamíferos. A comparação não comprova a hipótese, mas reforça a possibilidade de que a competição tenha impedido os dinossauros de ficar menores. As aves, que descendem dos dinossauros, conseguiram ultrapassar esse limite após o surgimento do voo. Ao ocupar o espaço aéreo, elas ganharam acesso a novos alimentos, abrigos e modos de vida. Foi como se uma área até então fechada do ambiente se abrisse para a evolução. Pouco depois de surgirem, as primeiras aves diminuíram de tamanho rapidamente e passaram por uma grande diversificação. Para os autores, esses dois movimentos indicam que o voo pode ter libertado o grupo das restrições enfrentadas por seus ancestrais terrestres. Essa interpretação, porém, ainda depende da descoberta de mais fósseis das primeiras aves. Os registros encontrados na China ajudam a reconstruir apenas o começo dessa transformação, mas ainda faltam evidências de outros lugares e períodos. VÍDEO: Por que o James Webb é um supertelescópio? Compare as fotos do supertelescópio James Webb com seu antecessor