Ladrões usam caminhões para furtar rebanhos de gado no RS; crime de abigeato cresceu em 2026

Guia Modelo Escrito em 18/06/2026


Crime de abigeato cresceu em 2026 no RS: quadrilhas têm assustado produtores rurais Ataques de quadrilhas levando rebanhos inteiros de gado têm assustado produtores rurais de várias regiões do Rio Grande do Sul. Depois de quedas seguidas nas estatísticas, os números mais recentes, de janeiro a maio deste ano, indicam aumento de 8% nesse tipo de crime, na comparação com 2025. Os dados foram extraídos do site da Secretaria da Segurança Pública. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Foram 1.256 ocorrências em 2025 contra 1.359 no mesmo período de 2026. Um dos casos mais recentes aconteceu em Vila Nova do Sul, no centro do estado, quando 43 animais das raças Braford e Angus foram furtados de uma só vez. O rebanho fazia parte de um lote de 60 cabeças recém adquiridas pelo produtor rural Luciano Machado, de Júlio de Castilhos. Na ocorrência policial, ele descreveu que os ladrões deixaram rastros de pneus de caminhão no local. "O sentimento é de impotência, de tristeza, a gente fica chateado e desanimado", afirma Luciano, que estima o prejuízo em R$ 100 mil. Na localidade de Cerca Velha, interior de Barros Cassal, ladrões levaram 20 cabeças da raça Angus no final de março. Segundo o produtor rural Nicolau Silveira Neto, os criminosos não danificaram a propriedade e fugiram sem deixar vestígios e de caminhão, acredita. O prejuízo estimado oscila entre R$ 70 mil e R$ 80 mil. "Não tem o que fazer. Ninguém viu nada. Temos vizinhos que têm sido vítima há muito mais tempo, levaram entre duas e oito cabeças por vez. É uma quadrilha que deve estar agindo", suspeita. Em São Francisco de Paula, a família da produtora rural Dionara Ricardo dos Reis é uma das principais vítimas. Entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, foram furtadas 90 cabeças de gado da tia dela, uma idosa de 87 anos, na localidade de Várzea do Cedro. Dionara e o irmão são responsáveis por administrar o rebanho. Parte dos animais é de cria, aptas a parir terneiros. "Tinha vacas que ela chamava pelo nome, que ela zelou e cuidou, com duas, três crias. Ela sempre preservou esse gado. Então, nós, sobrinhos, zelamos por isso", afirma. Dionara, que calcula o prejuízo em R$ 650 mill, acredita em um esquema organizado que inclui logística para transporte e receptação. "Possivelmente, tem quem compre esse gado roubado, vendido por valores abaixo de mercado", acredita. Na mesma cidade dos Campos de Cima da Serra, o pecuarista Antônio Leo Gil teve furtadas em abril, de uma só vez, 37 cabeças de gado estimadas em R$ 170 mil, no distrito de Lajeado Grande. Segundo eles, os ladrões aproveitaram uma noite de lua cheia para conduzir os animais depois de derrubar uma cerca. "Tiraram do campo, saíram por uma estrada, entraram em outra propriedade onde fotografei o trajeto dos animais em direção a um campo investigado (pela Polícia Civil) uma semana depois. Mas, no mesmo dia, devem ter retirado os animais do local. Já tinha caminhão esperando para carregar", acredita. Segundo o produtor rural, 20 vacas gordas, prontas para o abate, faziam parte do lote furtado. Migração do crime, avalia delegado Gado furtado em Vila Nova do Sul Arquivo pessoal A Divisão de Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Dicrab) da Polícia Civil trata esses furtos em larga escala como casos "pontuais", sendo minoria no contexto das estatísticas. "Não verificamos incremento nesse tipo de ação. Na verdade, as informações que temos são de manutenção nesses números. O que temos é migração de um lugar onde o trabalho policial se intensifica para outros locais onde o trabalho policial não estava dedicado a esses combate", garante o diretor da Dicrab, delegado Heleno dos Santos. O delegado disse que, se consideradas as ocorrências ainda em andamento — os dados da SSP levariam em conta casos em aberto, houve queda de 10% na incidência de crimes nos últimos três meses, na comparação com 2025. VÍDEOS: Tudo sobre o RS