Rapper que se tornou político vence as eleições no Nepal após manifestações da 'Geração Z'

Guia Modelo Escrito em 12/03/2026


'Nepo kids' do Nepal: ostentação nas redes sociais alimentou onda de protestos no país O partido liderado por Balendra Shah, um rapper que se tornou político, conquistou a maioria no Parlamento do Nepal em uma eleição realizada após os protestos da Geração Z que derrubaram o governo no ano passado. Os resultados foram anunciados nesta quinta-feira (12) pela comissão eleitoral. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A votação em 5 de março elegeu uma nova Câmara de Representantes de 275 membros, a Câmara baixa do Parlamento. Desse total, 165 assentos são escolhidos diretamente e 110 por um sistema de representação proporcional. Segundo a comissão eleitoral, o partido de centro RSP obteve 125 dos 165 assentos nas eleições diretas e outros 57 pela representação proporcional, somando 182. A legenda ficou a apenas duas cadeiras da maioria de dois terços. A eleição foi a primeira desde os protestos juvenis contra a corrupção que sacudiram o país em setembro de 2025 e derrubaram o governo. As manifestações, associadas à chamada Geração Z, começaram após uma breve proibição das redes sociais. Os atos rapidamente passaram a expressar um descontentamento mais amplo com a corrupção e com a economia. O rapper Shah derrotou em seu distrito eleitoral o veterano KP Sharma Oli, de 74 anos, quatro vezes primeiro-ministro. A vitória marca a ascensão do atual prefeito da capital, Katmandu, que agora desponta como provável primeiro-ministro. LEIA TAMBÉM Ostentação de políticos, população pobre e redes bloqueadas: entenda a fúria da 'Geração Z' que levou o Nepal ao caos Incêndio atinge lavanderia de porta-aviões dos EUA em meio à guerra com o Irã VÍDEO: China zomba de encontro de Trump com países americanos: 'Correntes das Américas' Balendra Shah, rapper que se tornou político e candidato a primeiro-ministro pelo RSP, exibe seu certificado de vitória REUTERS/Adnan Abidi As manifestações A onda de protestos que mergulhou o país no caos gerou imagens históricas na capital, Katmandu. Durante as manifestações em setembro, prédios governamentais e casas de ministros foram incendiados. Em cenas brutais, autoridades do governo foram arrastadas pela multidão e agredidas. 💸 A desigualdade social é um dos principais pontos de descontentamento dos jovens nepaleses que levaram milhares de pessoas às ruas. Segundo o Banco Mundial, os 10% mais ricos ganham mais de três vezes a renda dos 40% mais pobres do país. Um em cada cinco nepaleses vive na pobreza. Além disso, 22% dos jovens entre 15 e 24 anos estão desempregados. O Nepal está na lista da ONU de 44 países menos desenvolvidos do mundo. Gaurav Nepune, um dos líderes dos protestos, disse que os jovens vinham conduzindo uma campanha online havia três meses para expor o contraste entre a vida dos políticos e a das pessoas comuns. Usuários passaram a criticar a elite nepalesa publicando fotos de filhos de políticos ostentando luxo, enquanto jovens de famílias pobres precisam deixar o país para sustentar seus parentes. Em meio a isso, escândalos de corrupção beneficiaram políticos. A impunidade alimentou ainda mais a revolta da população. 👉 Força da juventude: As manifestações foram fortemente organizadas por jovens da "Geração Z". Esse é o nome popular dado às pessoas nascidas entre 1995 e 2009, com algo entre 16 e 30 anos. É a primeira geração considerada nativa digital, já que cresceu em meio à internet, smartphones e redes sociais. Por isso, esse grupo costuma ser descrito como mais conectado, crítico e engajado em debates sobre diversidade, sustentabilidade e política, além de ter hábitos de consumo e comunicação moldados pelo ambiente digital. 🔥 A agitação popular, que resultou no incêndio da sede do governo, do Parlamento e da Suprema Corte, foi a pior em décadas no país. O país enfrenta instabilidade política e econômica desde a década de 1990, quando uma guerra civil que durou 10 anos resultou na abolição da monarquia nepalesa, em 2008. Por ser muito recente, a democracia no Nepal ainda é considerada muito frágil. Ainda assim, segundo o Índice de Democracia de 2025, publicado pelo V-Dem, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, o Nepal é classificado como uma democracia eleitoral — no mesmo patamar de Brasil, Argentina e Polônia. VÍDEOS: mais assistidos do g1