Forró de favela: dança deixou as periferias de Fortaleza e passou a ocupar novos espaços A letra romântica combinada com passos mais lentos e movimentos conhecidos como “passinhos”, que exige um jogo de cintura envolvente. Esse é o “forró de favela”, dança que saiu das periferias de Fortaleza e está ocupando outros espaços na capital cearense. Diferente do forró tradicional, com rodopios rápidos e passos demarcados pelas batidas, o “forró de favela” faz o participante "sentir a letra". ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp O termo é uma designação para o "forró romântico", como explica o doutor em sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcelo Ribeiro. "O forró de favela é uma reconfiguração de práticas que já existiam nas comunidades periféricas de Fortaleza e de todo Brasil, que são os espaços de sociabilidade lúdica de lazer, que envolvem as músicas", disse Marcelo Ribeiro. Apesar de parecer novidade para quem começou a ouvir o termo há alguns anos, o “forró de favela” surgiu nas periferias da capital cearense nos anos 1990, através das festas promovidas nas comunidades, comandadas por DJs. "Foi uma forma de resposta das classes populares, que queriam consumir o que era ouvido no rádio, mas não teriam condições de pagar para ir aos shows nas grandes casas. Por isso que o forró de favela tem uma estética própria, é uma reposta a uma demanda de mercado. [...] Hoje existem bandas especializadas no forró romântico, que o álbum quase todo tem as músicas com métricas sonoras melódicas do forró de favela", falou o sociólogo. Conforme Marcelo Ribeiro, com o advento das redes sociais, o "forró de favela" ganhou espaços fora da periferia. "O aumento da popularização do forró de favela se dá muito porque cada vez mais esses agentes periféricos estão ganhando espaços no debate social. Com esse grande parlatório digital essas figuras, que muitas vezes ficavam restritas a seus bairros, ganharam seguidores e com o que publicam vão ganhando mais adeptos", disse Ribeiro. Aulas coletivas Grupo Complexo do Passinho promove aulas coletivas para ensinar a dança do "forró de favela" em Fortaleza. Complexo do Passinho/ Arquivo pessoal A popularização na internet despertou o interesse de outras pessoas em aprender o "forró de favela" e levou a formação de grupos voltados a ensinar a dança. Entre esses grupos, está o Complexo do Passinho, fundado em 13 de fevereiro 2025, no Conjunto Tancredo Neves, no Bairro Jardim das Oliveiras, na capital. "O grupo surgiu a partir da necessidade de entretenimento e ação social aos moradores do bairro e das proximidades, fora das redes sociais", disse Dynha Souza. Uma vez na semana, às quintas-feiras, Dynha e os instrutores de dança se reúnem na sede de uma associação comunitária do bairro para receber o público. No período de cerca de duas horas e meia, os professores repassam os passos com os aprendizes. "A diferença de ritmo é porque o forró tradicional é um forró mais solto e o nosso é algo mais voltado ao romântico, uma dança colada, mais lenta, que às vezes lembra o reggae", explicou Dynha Souza. Para a fundadora do grupo de dança, o termo "forró de favela" não é algo pejorativo, mas sim uma forma de valorizar o local que essa dança foi desenvolvida. Porém, ela reconhece que esse nome pode causar preconceito. "Existe um preconceito para algumas pessoas, devido ao nome. Porém, isso em nenhum momento interfere ou descredibiliza o trabalho lindo que tem sido feito através do forró de favela, nem impedido de se tornar algo tão grande como está hoje. Em Fortaleza e na Região Metropolitana já são mais de 30 grupos nos bairros, cada um com a sua organização", falou Dynha. Grupo Chama no Passinho, formado no Bairro Vicente Pizón, promove aulões de dança para comunidade. Chama no Passinho/ Arquivo pessoal O grupo Chama no Passinho, formado no Bairro Vicente Pizón, também promove aulões de dança para comunidade. "O grupo surgiu em 2025, pois a gente [organizadores] gosta muito de dançar o forró de favela e aqui no Vicente Pizón o pessoal até conhecia, mas não sabia dançar, então resolvemos fazer esse projeto", disse Kelly Karol, uma das instrutores. O coletivo se reúne três vezes na semana, para ministrar aulas no Vicente Pizón e no Bairro Serviluz. "Atualmente temos 20 professores, já o número de alunos é variado. Tem encontro que tem de 30 a 40 pessoas para aprender o forró de favela", falou a instrutora de dança. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
Forró de favela: como dança deixou as periferias de Fortaleza e passou a ocupar novos espaços
Guia Modelo Escrito em 02/08/2026
Forró de favela: dança deixou as periferias de Fortaleza e passou a ocupar novos espaços A letra romântica combinada com passos mais lentos e movimentos conhecidos como “passinhos”, que exige um jogo de cintura envolvente. Esse é o “forró de favela”, dança que saiu das periferias de Fortaleza e está ocupando outros espaços na capital cearense. Diferente do forró tradicional, com rodopios rápidos e passos demarcados pelas batidas, o “forró de favela” faz o participante "sentir a letra". ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp O termo é uma designação para o "forró romântico", como explica o doutor em sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcelo Ribeiro. "O forró de favela é uma reconfiguração de práticas que já existiam nas comunidades periféricas de Fortaleza e de todo Brasil, que são os espaços de sociabilidade lúdica de lazer, que envolvem as músicas", disse Marcelo Ribeiro. Apesar de parecer novidade para quem começou a ouvir o termo há alguns anos, o “forró de favela” surgiu nas periferias da capital cearense nos anos 1990, através das festas promovidas nas comunidades, comandadas por DJs. "Foi uma forma de resposta das classes populares, que queriam consumir o que era ouvido no rádio, mas não teriam condições de pagar para ir aos shows nas grandes casas. Por isso que o forró de favela tem uma estética própria, é uma reposta a uma demanda de mercado. [...] Hoje existem bandas especializadas no forró romântico, que o álbum quase todo tem as músicas com métricas sonoras melódicas do forró de favela", falou o sociólogo. Conforme Marcelo Ribeiro, com o advento das redes sociais, o "forró de favela" ganhou espaços fora da periferia. "O aumento da popularização do forró de favela se dá muito porque cada vez mais esses agentes periféricos estão ganhando espaços no debate social. Com esse grande parlatório digital essas figuras, que muitas vezes ficavam restritas a seus bairros, ganharam seguidores e com o que publicam vão ganhando mais adeptos", disse Ribeiro. Aulas coletivas Grupo Complexo do Passinho promove aulas coletivas para ensinar a dança do "forró de favela" em Fortaleza. Complexo do Passinho/ Arquivo pessoal A popularização na internet despertou o interesse de outras pessoas em aprender o "forró de favela" e levou a formação de grupos voltados a ensinar a dança. Entre esses grupos, está o Complexo do Passinho, fundado em 13 de fevereiro 2025, no Conjunto Tancredo Neves, no Bairro Jardim das Oliveiras, na capital. "O grupo surgiu a partir da necessidade de entretenimento e ação social aos moradores do bairro e das proximidades, fora das redes sociais", disse Dynha Souza. Uma vez na semana, às quintas-feiras, Dynha e os instrutores de dança se reúnem na sede de uma associação comunitária do bairro para receber o público. No período de cerca de duas horas e meia, os professores repassam os passos com os aprendizes. "A diferença de ritmo é porque o forró tradicional é um forró mais solto e o nosso é algo mais voltado ao romântico, uma dança colada, mais lenta, que às vezes lembra o reggae", explicou Dynha Souza. Para a fundadora do grupo de dança, o termo "forró de favela" não é algo pejorativo, mas sim uma forma de valorizar o local que essa dança foi desenvolvida. Porém, ela reconhece que esse nome pode causar preconceito. "Existe um preconceito para algumas pessoas, devido ao nome. Porém, isso em nenhum momento interfere ou descredibiliza o trabalho lindo que tem sido feito através do forró de favela, nem impedido de se tornar algo tão grande como está hoje. Em Fortaleza e na Região Metropolitana já são mais de 30 grupos nos bairros, cada um com a sua organização", falou Dynha. Grupo Chama no Passinho, formado no Bairro Vicente Pizón, promove aulões de dança para comunidade. Chama no Passinho/ Arquivo pessoal O grupo Chama no Passinho, formado no Bairro Vicente Pizón, também promove aulões de dança para comunidade. "O grupo surgiu em 2025, pois a gente [organizadores] gosta muito de dançar o forró de favela e aqui no Vicente Pizón o pessoal até conhecia, mas não sabia dançar, então resolvemos fazer esse projeto", disse Kelly Karol, uma das instrutores. O coletivo se reúne três vezes na semana, para ministrar aulas no Vicente Pizón e no Bairro Serviluz. "Atualmente temos 20 professores, já o número de alunos é variado. Tem encontro que tem de 30 a 40 pessoas para aprender o forró de favela", falou a instrutora de dança. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

