Agricultor é morto a tiros dentro de casa durante ação da PM do RS O agricultor Marcos Nornberg, de 48 anos, foi morto a tiros dentro da própria casa durante uma ação da Brigada Militar (BM) na madrugada de quinta-feira (15), na zona rural de Pelotas, no Sul do Rio Grande do Sul. A operação, que mobilizou 18 policiais, foi desencadeada a partir de uma informação falsa, fornecida por criminosos presos no Paraná, de que a propriedade seria um esconderijo de uma quadrilha. O caso é tratado pelo comando da BM como um "grande mal-entendido com desfecho trágico", mas a família da vítima relata truculência e afirma ter confundido os policiais com bandidos. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Nesta reportagem, o g1 mostra o que se sabe e o que ainda falta saber sobre o caso: O que se sabe A motivação da polícia: a operação foi planejada depois que a Brigada Militar recebeu um informe da Polícia Militar do Paraná. A informação, fornecida por dois homens de 20 e 21 anos presos em Guaíra (PR) por envolvimento em um roubo com refém em Pelotas, apontava com geolocalização a propriedade de Nornberg como um suposto depósito de armas e veículos de uma quadrilha. O comandante-geral da BM, coronel Cláudio Feoli, admitiu que nenhuma das informações repassadas pelos presos se confirmou. Não foram encontrados veículos roubados ou arsenal na propriedade. A versão da polícia: no local, segundo o comandante, houve uma "colisão de percepções". "Tivemos o entendimento do proprietário de que estava sendo roubado e, do outro lado, por parte dos policiais, de que havia, então, uma agressão oriunda de criminosos", avaliou Feoli. A corporação afirma que, durante a averiguação, os policiais se depararam com Nornberg portando uma arma de fogo, que ele não obedeceu às ordens e atirou contra a guarnição, iniciando um confronto que resultou em sua morte. Uma carabina semiautomática e cerca de R$ 27 mil foram apreendidos no local. Em resposta ao ocorrido, o governador Eduardo Leite pediu "rigorosa apuração" e afirmou que, embora a polícia do estado seja bem preparada, "não é imune a erros". A Corregedoria-Geral da BM instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) e afastou os 18 agentes envolvidos na ação, que tiveram suas armas apreendidas. Versão da família: a viúva de Marcos, Raquel Nornberg, conta que o casal foi acordado com a invasão, que os agentes não se identificaram e agiram com violência, chegando a debochar dela e a obrigá-la a se ajoelhar sobre cacos de vidro. Marcos, que era produtor de morangos e milho, havia se mudado de Caxias do Sul para Pelotas em busca de paz e para cuidar da produção da família. “A gente achou que era bandido, a gente jamais imaginou que era polícia”, relatou. LEIA TAMBÉM: 'Achei que eram bandidos', diz viúva de produtor rural morto a tiros Produtor rural é morto a tiros dentro de casa durante ação em Pelotas 'Não é imune a erros', diz Eduardo Leite sobre ação da BM Morte de agricultor foi 'grande mal-entendido com desfecho trágico', diz comandante-geral O que falta saber Origem da pista falsa: a principal questão a ser esclarecida é por que a informação repassada pelos presos no Paraná indicava com tanta precisão a casa. A investigação precisará determinar se foi um erro de inteligência, uma pista falsa deliberada ou uma falha na interpretação do georreferenciamento. A Polícia Civil também apura por que não foi comunicada sobre uma operação de grande porte. O delegado César Nogueira classificou o número de policiais e viaturas como "incomum" e confirmou que a corporação não tinha conhecimento prévio da ação da BM. Apuração da conduta dos policiais: a investigação da Polícia Civil, conduzida pela Delegacia de Homicídios de Pelotas, ouvirá testemunhas a partir de segunda-feira (19) para confrontar as versões. É preciso apurar se os policiais se identificaram corretamente antes da escalada do confronto, como alega a corporação e nega a viúva. Conteúdo das câmeras de segurança: a análise das imagens das câmeras de segurança da propriedade, que já estão com a Polícia Civil, será fundamental para reconstituir a dinâmica dos fatos e esclarecer as contradições entre a versão da família e a da BM. 'Achei que eram bandidos', diz viúva de produtor rural morto em ação da PM no RS O caso O fato aconteceu na madrugada desta quinta (15). De acordo com a viúva, o casal estava dormindo quando percebeu movimentação no pátio da propriedade, localizada na Estrada da Cascata. Marcos teria saído para verificar e, em seguida, ela ouviu gritos e disparos. O homem morreu no local. A Polícia Civil confirma que se tratava de uma ação da Brigada Militar e que os agentes estavam em busca de uma quadrilha da região. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Pelotas. "São homens e mulheres, são seres humanos que buscam sempre acertar. Nem sempre, eventualmente, acertam, mas na maior parte das vezes acertam e tem todo o nosso crédito", completou o governador. O governador Eduardo Leite se manifestou sobre o caso, pedindo "rigorosa apuração" da conduta. "O Rio Grande do Sul tem uma polícia bem preparada, mas não é imune a erros. O importante é que haja sempre uma corregedoria com força para fazer a investigação", afirmou. O que diz a BM A respeito da intervenção policial ocorrida na cidade de Pelotas, a Brigada Militar esclarece que, na madrugada desta quinta-feira (15/01), ao realizar buscas na área rural de Pelotas, após uma ocorrência de roubo a residência registrada na terça-feira (13/01), onde um caseiro foi feito refém por 36 horas, tendo três veículos e um reboque roubados, advém da seguinte dinâmica: Na quarta-feira (14/01),na cidade de Guaíra no estado do Paraná, a polícia militar local, prendeu dois suspeitos do roubo, residentes em Pelotas, com idades de 20 e 21 anos, ambos com antecedentes por tráfico de drogas, roubo e adulteração de veículo, os quais estariam envolvidos no grave crime e na posse dos veículos roubados em Pelotas. Em posse de informações recebidas da Polícia Militar do Paraná, a Brigada Militar planejou uma operação no local onde haveriam outros indivíduos envolvidos, com armas e veículos roubados. Durante a averiguação ao endereço os policiais militares se depararam com um homem portando uma arma de fogo, o qual não acolheu as ordens policiais, efetuando disparos contra a guarnição, estabelecendo confronto em que resultou na vitimada fatalmente. O local foi imediatamente isolado e preservado para os trabalhos da perícia técnica. Com o indivíduo, foi apreendida uma arma de fogo, do tipo carabina semiautomática, além de aproximadamente R$ 27 mil em dinheiro e uma pequena quantia em dólar. A Brigada Militar informa que a Corregedoria-Geral da Corporação instaurou inquérito policial militar para apurar e esclarecer as circunstâncias do fato. Produtor rural foi morto a tiros durante operação da BM em Pelotas Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS
O que se sabe e o que falta saber sobre 'mal-entendido' em ação da PM que deixou agricultor morto no RS
Guia Modelo Escrito em 16/01/2026
Agricultor é morto a tiros dentro de casa durante ação da PM do RS O agricultor Marcos Nornberg, de 48 anos, foi morto a tiros dentro da própria casa durante uma ação da Brigada Militar (BM) na madrugada de quinta-feira (15), na zona rural de Pelotas, no Sul do Rio Grande do Sul. A operação, que mobilizou 18 policiais, foi desencadeada a partir de uma informação falsa, fornecida por criminosos presos no Paraná, de que a propriedade seria um esconderijo de uma quadrilha. O caso é tratado pelo comando da BM como um "grande mal-entendido com desfecho trágico", mas a família da vítima relata truculência e afirma ter confundido os policiais com bandidos. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Nesta reportagem, o g1 mostra o que se sabe e o que ainda falta saber sobre o caso: O que se sabe A motivação da polícia: a operação foi planejada depois que a Brigada Militar recebeu um informe da Polícia Militar do Paraná. A informação, fornecida por dois homens de 20 e 21 anos presos em Guaíra (PR) por envolvimento em um roubo com refém em Pelotas, apontava com geolocalização a propriedade de Nornberg como um suposto depósito de armas e veículos de uma quadrilha. O comandante-geral da BM, coronel Cláudio Feoli, admitiu que nenhuma das informações repassadas pelos presos se confirmou. Não foram encontrados veículos roubados ou arsenal na propriedade. A versão da polícia: no local, segundo o comandante, houve uma "colisão de percepções". "Tivemos o entendimento do proprietário de que estava sendo roubado e, do outro lado, por parte dos policiais, de que havia, então, uma agressão oriunda de criminosos", avaliou Feoli. A corporação afirma que, durante a averiguação, os policiais se depararam com Nornberg portando uma arma de fogo, que ele não obedeceu às ordens e atirou contra a guarnição, iniciando um confronto que resultou em sua morte. Uma carabina semiautomática e cerca de R$ 27 mil foram apreendidos no local. Em resposta ao ocorrido, o governador Eduardo Leite pediu "rigorosa apuração" e afirmou que, embora a polícia do estado seja bem preparada, "não é imune a erros". A Corregedoria-Geral da BM instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) e afastou os 18 agentes envolvidos na ação, que tiveram suas armas apreendidas. Versão da família: a viúva de Marcos, Raquel Nornberg, conta que o casal foi acordado com a invasão, que os agentes não se identificaram e agiram com violência, chegando a debochar dela e a obrigá-la a se ajoelhar sobre cacos de vidro. Marcos, que era produtor de morangos e milho, havia se mudado de Caxias do Sul para Pelotas em busca de paz e para cuidar da produção da família. “A gente achou que era bandido, a gente jamais imaginou que era polícia”, relatou. LEIA TAMBÉM: 'Achei que eram bandidos', diz viúva de produtor rural morto a tiros Produtor rural é morto a tiros dentro de casa durante ação em Pelotas 'Não é imune a erros', diz Eduardo Leite sobre ação da BM Morte de agricultor foi 'grande mal-entendido com desfecho trágico', diz comandante-geral O que falta saber Origem da pista falsa: a principal questão a ser esclarecida é por que a informação repassada pelos presos no Paraná indicava com tanta precisão a casa. A investigação precisará determinar se foi um erro de inteligência, uma pista falsa deliberada ou uma falha na interpretação do georreferenciamento. A Polícia Civil também apura por que não foi comunicada sobre uma operação de grande porte. O delegado César Nogueira classificou o número de policiais e viaturas como "incomum" e confirmou que a corporação não tinha conhecimento prévio da ação da BM. Apuração da conduta dos policiais: a investigação da Polícia Civil, conduzida pela Delegacia de Homicídios de Pelotas, ouvirá testemunhas a partir de segunda-feira (19) para confrontar as versões. É preciso apurar se os policiais se identificaram corretamente antes da escalada do confronto, como alega a corporação e nega a viúva. Conteúdo das câmeras de segurança: a análise das imagens das câmeras de segurança da propriedade, que já estão com a Polícia Civil, será fundamental para reconstituir a dinâmica dos fatos e esclarecer as contradições entre a versão da família e a da BM. 'Achei que eram bandidos', diz viúva de produtor rural morto em ação da PM no RS O caso O fato aconteceu na madrugada desta quinta (15). De acordo com a viúva, o casal estava dormindo quando percebeu movimentação no pátio da propriedade, localizada na Estrada da Cascata. Marcos teria saído para verificar e, em seguida, ela ouviu gritos e disparos. O homem morreu no local. A Polícia Civil confirma que se tratava de uma ação da Brigada Militar e que os agentes estavam em busca de uma quadrilha da região. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Pelotas. "São homens e mulheres, são seres humanos que buscam sempre acertar. Nem sempre, eventualmente, acertam, mas na maior parte das vezes acertam e tem todo o nosso crédito", completou o governador. O governador Eduardo Leite se manifestou sobre o caso, pedindo "rigorosa apuração" da conduta. "O Rio Grande do Sul tem uma polícia bem preparada, mas não é imune a erros. O importante é que haja sempre uma corregedoria com força para fazer a investigação", afirmou. O que diz a BM A respeito da intervenção policial ocorrida na cidade de Pelotas, a Brigada Militar esclarece que, na madrugada desta quinta-feira (15/01), ao realizar buscas na área rural de Pelotas, após uma ocorrência de roubo a residência registrada na terça-feira (13/01), onde um caseiro foi feito refém por 36 horas, tendo três veículos e um reboque roubados, advém da seguinte dinâmica: Na quarta-feira (14/01),na cidade de Guaíra no estado do Paraná, a polícia militar local, prendeu dois suspeitos do roubo, residentes em Pelotas, com idades de 20 e 21 anos, ambos com antecedentes por tráfico de drogas, roubo e adulteração de veículo, os quais estariam envolvidos no grave crime e na posse dos veículos roubados em Pelotas. Em posse de informações recebidas da Polícia Militar do Paraná, a Brigada Militar planejou uma operação no local onde haveriam outros indivíduos envolvidos, com armas e veículos roubados. Durante a averiguação ao endereço os policiais militares se depararam com um homem portando uma arma de fogo, o qual não acolheu as ordens policiais, efetuando disparos contra a guarnição, estabelecendo confronto em que resultou na vitimada fatalmente. O local foi imediatamente isolado e preservado para os trabalhos da perícia técnica. Com o indivíduo, foi apreendida uma arma de fogo, do tipo carabina semiautomática, além de aproximadamente R$ 27 mil em dinheiro e uma pequena quantia em dólar. A Brigada Militar informa que a Corregedoria-Geral da Corporação instaurou inquérito policial militar para apurar e esclarecer as circunstâncias do fato. Produtor rural foi morto a tiros durante operação da BM em Pelotas Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

