Lílian Raquel Duarte da Silva morreu aos 49 anos Adriano Duarte / Divulgação Depois de 31 anos ao lado da esposa, o técnico de projetos Adriano Duarte da Silva, de 53 anos, precisou tomar uma decisão difícil: autorizar a doação dos órgãos dela. Lílian Raquel Duarte da Silva tinha 49 anos quando faleceu, vítima de um AVC hemorrágico, em janeiro de 2024, em Araxá. Com a autorização de Adriano, as córneas e os rins dela foram doados. Segundo ele, nunca havia conversado com a mulher sobre o assunto, mas decidiu permitir a doação porque sabia o quanto ela gostava de ajudar outras pessoas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Adriano lembra que o problema de saúde da esposa começou em 11 de dezembro de 2024 quando Lílian estava na igreja, onde dava aulas de crisma e passou mal. “Ela sentiu uma forte dor de cabeça e perdeu os movimentos do corpo. Eu, imediatamente levei ela para o hospital, mas o problema não foi identificado naquele momento. Nos dias seguintes, ela continuou apresentando mal-estar”, contou. Na noite de 1º de janeiro, Lílian foi para o quarto mais cedo. Pouco depois, acabou caindo no chão. Adriano prestou os primeiros socorros e ela foi levada novamente para o hospital. Desta vez, não voltou para casa. Ela permaneceu internada por quatro dias em coma até falecer. A causa da morte foi um AVC hemorrágico. A decisão pela doação Depois que os médicos informaram à família que não havia mais possibilidade de recuperação em decorrência da falência cerebral, uma equipe conversou com Adriano e os filhos sobre a possibilidade de doação. A decisão foi tomada naquele momento. Lílian e Adriano nunca haviam conversado sobre o assunto. Ainda assim, ele diz que a escolha fazia sentido diante da forma como ela vivia. “Ela sempre ajudava na igreja. Era algo da personalidade dela ajudar ao próximo”, afirmou. Foram autorizadas as doações das córneas e dos rins. O coração também chegou a ser avaliado para transplante, mas não pôde ser aproveitado porque foram constatados rompimentos de vasos. Adriano não sabe quem recebeu os órgãos e diz que gostaria de conhecer as pessoas que foram beneficiadas. “Queria conhecer para quem foi doado, ficaria feliz”, contou. Lílian era empresária e mãe de três filhos. A morte dela foi devastadora para a família, que mesmo em meio à dor, não teve dúvidas ao tomar a decisão de autorizar a doação dos órgãos. “Mesmo com o luto e a dor do momento, tendo a possibilidade de ajudar, sempre é bom”, contou Adriano. Aumentar o número de decisões como a da família da Lílian é um desafio no Brasil. Em 2025, o país bateu o recorde de transplantes de órgãos e tecidos, mas os dados do Registro Brasileiro de Transplantes, divulgados este mês, revelam que em cerca de 45% dos casos, parentes não autorizaram a doação dos órgãos após a constatação da morte de familiares. Quase metade das famílias recusa doação de órgãos no Brasil Setembro Verde Atitudes como a que foi tomada por Adriano após a morte da esposa ganham ainda mais significado no Setembro Verde, mês dedicado à conscientização e ao incentivo à doação de órgãos e tecidos no Brasil. A campanha reforça a importância do Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro. No caso da família de Araxá, a decisão foi tomada em meio ao luto e a uma espera dolorosa: foram dois dias entre a morte de Lílian e a captação dos órgãos, antes que a amigos e parentes pudessem finalmente realizar o velório e se despedir. De acordo com o Ministério da Saúde, no primeiro semestre de 2026 foram realizados 17.458 transplantes de órgãos no Brasil. Nos últimos anos, graças à conscientização das famílias, o número de procedimentos vem aumentando. Em 2022 foram 25.641 transplantes. Em 2023, foram 28.769 procedimentos; em 2024, foram 30.313 registros; e, em 2025, 30.986. No Brasil, o SUS é quem realiza os transplantes de órgãos (coração, pulmão, fígado, rim, pâncreas, intestino e multivisceral), medula óssea, córnea, pele, tecidos musculoesqueléticos, válvulas cardíacas e membrana amniótica. O país adota o modelo de lista única de espera, gerido pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), com priorização baseada em critérios técnicos e clínicos, além da compatibilidade entre doador e receptor. Conversa com a família Lilian e Adriano ficaram casados por 31 anos e tiveram 3 filhos Adriano Duarte / Divulgaç A legislação brasileira prevê que a retirada de órgãos, tecidos ou partes do corpo para transplante após a morte exige o consentimento formal de familiares. Ou seja, ainda que em vida a pessoa tenha demonstrado a vontade de autorizar a doação, após o falecimento, o procedimento só pode ser feito com a permissão dos familiares. Por isso, conversar abertamente com as pessoas próximas é fundamental para que a autorização seja concedida. Adriano conheceu Lílian quando ela tinha 17 anos. Os dois permaneceram juntos por 31 anos e tiveram três filhos: dois adultos, de 26 e 22 anos, e um adolescente, de 13. Para a família, Lílian deixou a lembrança de uma mulher que gostava de cuidar de si, da família e das pessoas ao redor. A religiosidade também fazia parte da rotina dela. Era na igreja que dava aulas de crisma e onde, segundo o marido, exercia uma das características que mais marcaram sua personalidade, que era a disposição para ajudar. Foi essa lembrança que também pesou na decisão de autorizar a doação. Para Adriano, a possibilidade de ajudar outras pessoas não elimina a dor da perda, mas dá um novo significado a uma decisão tomada em meio ao luto. “Independente do luto e da dor do momento, tendo a possibilidade de ajudar, sempre é bom”. Leia também: Órgãos captados de jovem de 20 anos salvam seis pacientes mineiros Doação de órgãos de adolescente morto em acidente salva até seis vidas VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo
Setembro Verde: morador de Araxá autoriza doação de órgãos da esposa para ajudar outras pessoas
Guia Modelo Escrito em 13/09/2026
Lílian Raquel Duarte da Silva morreu aos 49 anos Adriano Duarte / Divulgação Depois de 31 anos ao lado da esposa, o técnico de projetos Adriano Duarte da Silva, de 53 anos, precisou tomar uma decisão difícil: autorizar a doação dos órgãos dela. Lílian Raquel Duarte da Silva tinha 49 anos quando faleceu, vítima de um AVC hemorrágico, em janeiro de 2024, em Araxá. Com a autorização de Adriano, as córneas e os rins dela foram doados. Segundo ele, nunca havia conversado com a mulher sobre o assunto, mas decidiu permitir a doação porque sabia o quanto ela gostava de ajudar outras pessoas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Adriano lembra que o problema de saúde da esposa começou em 11 de dezembro de 2024 quando Lílian estava na igreja, onde dava aulas de crisma e passou mal. “Ela sentiu uma forte dor de cabeça e perdeu os movimentos do corpo. Eu, imediatamente levei ela para o hospital, mas o problema não foi identificado naquele momento. Nos dias seguintes, ela continuou apresentando mal-estar”, contou. Na noite de 1º de janeiro, Lílian foi para o quarto mais cedo. Pouco depois, acabou caindo no chão. Adriano prestou os primeiros socorros e ela foi levada novamente para o hospital. Desta vez, não voltou para casa. Ela permaneceu internada por quatro dias em coma até falecer. A causa da morte foi um AVC hemorrágico. A decisão pela doação Depois que os médicos informaram à família que não havia mais possibilidade de recuperação em decorrência da falência cerebral, uma equipe conversou com Adriano e os filhos sobre a possibilidade de doação. A decisão foi tomada naquele momento. Lílian e Adriano nunca haviam conversado sobre o assunto. Ainda assim, ele diz que a escolha fazia sentido diante da forma como ela vivia. “Ela sempre ajudava na igreja. Era algo da personalidade dela ajudar ao próximo”, afirmou. Foram autorizadas as doações das córneas e dos rins. O coração também chegou a ser avaliado para transplante, mas não pôde ser aproveitado porque foram constatados rompimentos de vasos. Adriano não sabe quem recebeu os órgãos e diz que gostaria de conhecer as pessoas que foram beneficiadas. “Queria conhecer para quem foi doado, ficaria feliz”, contou. Lílian era empresária e mãe de três filhos. A morte dela foi devastadora para a família, que mesmo em meio à dor, não teve dúvidas ao tomar a decisão de autorizar a doação dos órgãos. “Mesmo com o luto e a dor do momento, tendo a possibilidade de ajudar, sempre é bom”, contou Adriano. Aumentar o número de decisões como a da família da Lílian é um desafio no Brasil. Em 2025, o país bateu o recorde de transplantes de órgãos e tecidos, mas os dados do Registro Brasileiro de Transplantes, divulgados este mês, revelam que em cerca de 45% dos casos, parentes não autorizaram a doação dos órgãos após a constatação da morte de familiares. Quase metade das famílias recusa doação de órgãos no Brasil Setembro Verde Atitudes como a que foi tomada por Adriano após a morte da esposa ganham ainda mais significado no Setembro Verde, mês dedicado à conscientização e ao incentivo à doação de órgãos e tecidos no Brasil. A campanha reforça a importância do Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro. No caso da família de Araxá, a decisão foi tomada em meio ao luto e a uma espera dolorosa: foram dois dias entre a morte de Lílian e a captação dos órgãos, antes que a amigos e parentes pudessem finalmente realizar o velório e se despedir. De acordo com o Ministério da Saúde, no primeiro semestre de 2026 foram realizados 17.458 transplantes de órgãos no Brasil. Nos últimos anos, graças à conscientização das famílias, o número de procedimentos vem aumentando. Em 2022 foram 25.641 transplantes. Em 2023, foram 28.769 procedimentos; em 2024, foram 30.313 registros; e, em 2025, 30.986. No Brasil, o SUS é quem realiza os transplantes de órgãos (coração, pulmão, fígado, rim, pâncreas, intestino e multivisceral), medula óssea, córnea, pele, tecidos musculoesqueléticos, válvulas cardíacas e membrana amniótica. O país adota o modelo de lista única de espera, gerido pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), com priorização baseada em critérios técnicos e clínicos, além da compatibilidade entre doador e receptor. Conversa com a família Lilian e Adriano ficaram casados por 31 anos e tiveram 3 filhos Adriano Duarte / Divulgaç A legislação brasileira prevê que a retirada de órgãos, tecidos ou partes do corpo para transplante após a morte exige o consentimento formal de familiares. Ou seja, ainda que em vida a pessoa tenha demonstrado a vontade de autorizar a doação, após o falecimento, o procedimento só pode ser feito com a permissão dos familiares. Por isso, conversar abertamente com as pessoas próximas é fundamental para que a autorização seja concedida. Adriano conheceu Lílian quando ela tinha 17 anos. Os dois permaneceram juntos por 31 anos e tiveram três filhos: dois adultos, de 26 e 22 anos, e um adolescente, de 13. Para a família, Lílian deixou a lembrança de uma mulher que gostava de cuidar de si, da família e das pessoas ao redor. A religiosidade também fazia parte da rotina dela. Era na igreja que dava aulas de crisma e onde, segundo o marido, exercia uma das características que mais marcaram sua personalidade, que era a disposição para ajudar. Foi essa lembrança que também pesou na decisão de autorizar a doação. Para Adriano, a possibilidade de ajudar outras pessoas não elimina a dor da perda, mas dá um novo significado a uma decisão tomada em meio ao luto. “Independente do luto e da dor do momento, tendo a possibilidade de ajudar, sempre é bom”. Leia também: Órgãos captados de jovem de 20 anos salvam seis pacientes mineiros Doação de órgãos de adolescente morto em acidente salva até seis vidas VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo

